PM diz que policial matou cão de família ‘pois não teve outra alternativa’

PM diz que policial matou cão de família ‘pois não teve outra alternativa’

Tupi foi morto com um tiro na cabeça quando latiu para policial ambiental. Dona conta que animal era dócil e costumava brincar com crianças.

O comando da Polícia Militar Ambiental afirmou em nota que o policial suspeito de matar o cão Tupi com um tiro na cabeça se viu acuado, tentou afugentá-lo, mas como não teve sucesso “não teve outra alternativa para afastar o animal”, como mostrou o Jornal do Almoço deste sábado (9).

A família de Florianópolis registrou um boletim de ocorrência sobre a morte do cachorro. Na quinta-feira (7) três policiais militares ambientais foram até a casa por causa de uma denúncia de crime ambiental feita por uma vizinha “que persegue a família”, conforme Guilherme Martins da Cunha, estudante e sobrinho de 22 anos da dona do cão, que não presenciou o caso, mas conversou com a tia Debora Marins e fez um relato em uma rede social.

SC Florianopolis PM policial matou cao familia2Dois dos policiais foram para a frente da casa e conversaram com a tia, contou Guilherme, enquanto o terceiro estacionou o carro da PM e veio por trás da residência.

“Nesse momento, o Tupi latiu como sempre faz, se levantou e foi em direção à porta. Minha tia se virou para pedir para ele parar e já viu que o PM tinha sacado a arma. Nem deu tempo de ela terminar de falar”, relatou o sobrinho.

A família disse que apesar de ser um cachorro grande, Tupi era dócil e costumava brincar com crianças e com os outros animais.

Xodó da dona

Debora criou Tupi desde filhote como um membro da família. Foram sete anos de uma relação de amor intenso. Ela mora em uma propriedade rural fazendo o que mais gosta: mexer com a terra e os animais. Por isso, a morte brutal de Tupi, que era o xodó dela foi traumatizante. “O moço se assustou por causa do tamanho dele. E não deu tempo pra mais nada”, conta.

A PM disse que o policial ficou abalado com o desfecho da situação e demonstrou solidariedade à tutora do cachorro. A polícia enfatizou que este caso é único e o considera uma fatalidade.

“Se um policial ambiental não está preparado para lidar com cachorro, quem que vai estar? A primeira reação vai ser atirar, se eles estão ali para ajudar o animal? Ele nem era bravo. Morreu só avisando que tinha alguém chegando”, diz Guilherme

Versões diferentes

A Polícia Militar Ambiental afirmou que será instaurada uma sindicância para apurar a conduta do soldado, mas que a investigação poderia ser prejudicada porque não havia testemunhas oculares, apenas o soldado teria presenciado o tiro.

A família tem outra versão. Tupi foi baleado próximo à porta da casa. Debora disse que além de ter presenciado tudo, ainda pediu para o soldado não atirar no cachorro.

“Eu vi ele atirar no meu cachorro. Por isso eu já estou há duas noites sem dormir, porque toda vez que eu fecho o olho a única coisa que eu vejo é o policial dando o tiro na cabeça do meu cachorro, que nunca mordeu nem outro cachorro”, diz, emocionada.

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Enterro

De acordo com Guilherme, “o [policial] que atirou pareceu bastante abatido” e ajudou a tia a cavar um buraco para enterrar o cão. Em seguida, o tio de Guilherme, um advogado, chegou na casa e orientou que o corpo do cachorro fosse desenterrado e o levou a uma veterinária. Ela retirou a bala e, depois, o cão foi novamente trazido para a casa e enterrado.

Convivência com outros animais

“O Tupi tinha 7 anos, porte grande, se levanta e se movimenta com dificuldade. Não correu. [Latir] é algo que ele faz para todo mundo”, disse Guilherme.

Duas tias dele moram em terrenos vizinhos e vários animais, entre gatos, galinhas e 10 cães, convivem juntos. “Os cachorros passaram o dia triste, na casinha. Cães que normalmente passam o dia inteiro brincando”, declarou o estudante.

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Fonte: G1

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