Polêmica na Argentina: querem multar quem alimentar cães de rua

Polêmica na Argentina: querem multar quem alimentar cães de rua

Um representante do Conselho Municipal de Alta Gracia apresentou um projeto de lei que gerou uma imediata controvérsia na cidade. O projeto propõe multar os moradores que alimentarem cães de rua.

O projeto do conselheiro oficial Marcos Torres (UPC) reconheceu que “existem moradores e comerciantes que, em uma atitude nobre, mas equivocada de cuidado com os animais, lhes dão alimento na via pública e distribuem alimentos nas calçadas e isto faz com que os animais que às vezes vêm ao centro com seus donos não regressem a suas casas por encontrar comida e que assim muitos animais somente vêm para alimentar-se no centro”.

A polêmica inicial abunda em argumentos do tipo “as brigas entre os animais pela comida, ocasionando riscos aos pedestres ou veículos que circulam pelo lugar”.

A lei implica em proibir colocar alimentação na via pública e estabelece uma multa para quem seja encontrado colocando alimentos ou alimentando os cães de rua.

Torres é irmão do prefeito e transita em sua primeira experiência em um cargo eletivo. Seu projeto já está sendo analisado pela Comissão de Saúde e Ambiente do Conselho Deliberativo Altagraciense.

Proibição simples, problema complexo

Em Alta Gracia a problemática dos cães de rua vem sendo um tema de debate faz muito tempo. A iniciativa do conselheiro oficial está em um contexto onde se encontram em plena atividade organizações defensoras dos direitos dos animais, como a Callejeritos, “uma rede de amigos dos animais abandonados em espaços públicos”. A organização desenvolve atividades contrárias ao projeto de lei, já que estimula o cuidado dos animais abandonados.

Outro organismo referente ao tema é a Associação de Amigos do Melhor Amigo (ADMA) uma protetora que desde 2008 ajuda os animais de rua, cuidando e buscando pessoas que queiram adotá-los. A organização articula com o Programa de Saúde Animal do município, que oferece castrações massivas em todo o tecido urbano local.

Ainda que não tenha se manifestado sobre o projeto, seu vínculo com o executivo é muito próximo. Inclusive a fundação figura na fundamentação escrita por Torres, que assinalou que a municipalidade “vem implementando uma política de saúde animal conjuntamente com a ADMA, retirando da rua cães perigosos e já castrando mais de dois mil animais”.

Os que têm se expressado bastante nas redes sociais são os moradores da cidade, e a esmagadora maioria critica a proposta, sinalizando que se trata de uma medida simples para um problema mais complexo e indicando outras prioridades na agenda local. Quando o projeto for colocado sobre a mesa todas as posições se farão escutar no conselho deliberativo.

Tradução de Nelson Paim 

Fonte: La Voz 

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