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Polêmica sobre o rodeio na 27ª Expobel causa manifestação nas redes sociais, em Francisco Beltrão, PR

Muitas pessoas se posicionaram contrárias e favoráveis ao rodeio.

Por Everton Leite

PR FranciscoBeltrao rodeio

É cada vez maior o número de pessoas que se posicionam contrárias à realização de rodeios, Brasil a fora, exatamente pelo fato dos maus-tratos com os animais. Por isso, através das redes sociais houve uma expressiva mobilização de defensores dos animais, desde que a matéria foi veiculada sobre a novidade da 27ª Expobel, que será a realização de quatro noites com Rodeio em Touros de Montaria.

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Baseada na publicação, a cidadã beltronense e defensora dos animais, Karima Mujahed, que é vegetariana há 21 anos, ou seja, desde os sete anos de idade, concedeu entrevista à Rádio Onda Sul Fm ontem e expôs o sentimento de muitas pessoas que amam os animais e que não desejam que o evento seja realizado. “Estou exercendo meus direitos políticos e demonstro minha indignação, minha tristeza em apoiar um evento que vai manchar a história da Expobel”, disse ela.

Sabe-se que anualmente os rodeios movimentam, no Brasil, bilhões de reais e que o evento mais importante deste segmento é o rodeio de Barretos, no interior de São Paulo, que a cada edição está maior. “Rodeio é arcaico, medieval, cruel, torpe e desprezível. Traz dano social, pois tem caráter educacional de dessensibilizar os espectadores, principalmente crianças. Animais são sencientes, sentem tudo quanto nós, e não são propriedades das pessoas, não estão no mundo para nos servir, cada um existe por suas próprias razões”, comentou Karima.

Entretanto, a prática do rodeio se manteve de forma amadora até o ano de 2001, quando o então Presidente da República, Fernando Henrique Cardosos (PSDB) sancionou a Lei Federal nº 10.220 de 2001, que instituiu normas gerais relativas à atividade de peão de rodeio, equiparando-o a um atleta profissional. Desde a criação desta lei, existe uma Confederação Nacional de Rodeio, que é vinculada às Federações Estaduais, cujo são subordinadas ao Ministério do Esporte, do Governo Federal. Mesmo assim, Karima não concorda que a atividade seja um esporte, pois o animal é obrigado a estar lá, sendo assim, o ser humano exerce domínio sobre o touro. “O animal está lá porque é o obrigado, não por escolha. E pior, fica submetido a tortura pública, enquanto a plateia fica empolgada diante da tortura do animal”, acrescentou. Toda atividade considerada esporte, necessita de evolução histórico-cultural. Com o rodeio não foi diferente, tanto que evoluiu de um lazer ou trabalho agropecuário para uma prática com regras próprias e autônomas.

Porém, anterior a promulgação da lei que transformava o rodeio em esporte, foi criada outra Lei Federal, de nº 9.605/98 que estabeleceu crime ambiental a prática de maus-tratos, abusos, ferimentos ou mutilações praticados contra os animais. E é baseado nesta determinação que muitos rodeios, em diversos estados, foram embargados no Brasil. Contudo, mais tarde, a Lei Federal nº 10.519 de 2002, dispõe sobre a fiscalização da defesa sanitária animal, garantindo padrões, regras e normas, inclusive de nível internacional, de segurança, bem estar animal e manejo, que devem ser obrigatoriamente aplicadas e fiscalizadas, para que o evento seja realizado. “Estamos tranquilos, pois fomos junto com a comissão organizadora da feira até a promotoria pública e recebemos o aval para fazer o evento em Francisco Beltrão. Estamos cientes da nossa responsabilidade e nosso compromisso em tratar bem os animais do rodeio, na Expobel”, disse Adones Miguel, da equipe César Paraná, promotora do rodeio, que é terceirizado, na 27ª Expobel.

Instrumentos

“Para garantir o espetáculo, os animais são submetidos ao sofrimento extremo, como apertar os órgãos genitais do touro com um artefato chamado “sedém” que fica ao redor do corpo do animal, sob a virilha, causando desconforto e fazendo o boi pular. Outros instrumentos usados são as peiteiras, sinos, aparelhos de eletrochoques, substâncias abrasivas, como pimenta, e esporas pontiagudas”, explicou Karima, mostrando porque é contra a realização do rodeio. Contudo, o organizador, Adones Miguel garantiu que nenhum desses artefatos serão utilizados nos eventos que eles promovem. “Os animais são muito bem tratados, eles não recebem nenhum aparelho de choque, nem nada, até convidamos o pessoal da ONG para acompanhar a chegada dos animais, o tratamento e cuidado que temos com eles. É só o tempo de descer do caminhão, passar pelo brete, entrar na arena e já voltam para um lugar agradável, com sombra e água fresca”, afirmou ele.

Mobilização

Por fim, Karima Mujahed vai tentar mobilizar, pacificamente, o maior número de pessoas através das redes sociais, e até quem sabe, com uma ação na justiça comum para evitar a realização do rodeio. Porém a comissão central organizadora da 27ª Expobel está tranquila sobre a promoção do evento, tanto que continuam as obras de terraplanagem no parque, para a montagem da arena, próximo ao Recinto de Leilões Miniguaçu.

Fonte: RBJ

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