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Polícia Ambiental apreende macaco que vivia com família em Campinas, SP

Polícia suspeita que tutores foram vítimas de quadrilha de tráfico de animais. Família comprou animal por R$ 36 mil e não sabia que nota fiscal era falsa.

Um macaco prego, tratado como bebê por uma família, foi apreendido e levado para uma área isolada do Bosque dos Jequitibás em Campinas (SP). A Polícia Militar Ambiental desconfia que a família tenha sido vítima de uma quadrilha de tráfico de animais silvestres.

Charlie, nome que foi dado ao macaco, tomava leite especial para crianças que estão nos primeiros meses de vida na mamadeira. A aposentada Matilde Monqueiro, mostrou fotos do seu “bebê” para a equipe do Jornal da EPTV, afiliada da TV Globo.

O macaco prego já fazia parte da família. “Até dormia junto, colocava uma fraldinha, passava até o shampoo especial para nenê”, conta Matilde.

O empresário Gianluigi Mattiacci afirmou ter negociado o animal por R$ 36 mil. Segundo ele, a vendedora trouxe o macaco e recebeu uma entrada de R$ 6 mil até providenciar o certificado do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A compra foi feita pela internet.

“Ela me trouxe o macaco junto com uma nota fiscal e ficou de no dia seguinte mandar o certificado do Ibama junto com um microchip. E nisso ela sumiu e eu não tenho mais contato com ela”, diz Mattiacci.

Após um mês de convivência com o animal, a família teve que deixá-lo sozinho em casa e, quando voltaram, o quintal estava vazio.

“Começamos a subir nos telhados, procurar nas árvores e tudo. Até que a gente descobriu que ele foi parar do outro lado da avenida e chamaram o bombeiro. A gente soube que ele foi para o bosque. E estamos tentando tirar ele de lá”, conta o também empresário Guancarlo Mattiacci.

Isolado no Bosque

Quando a família foi buscar o Charlie no Bosque dos Jequitibas descobriram que a nota fiscal era falsa e que o macaco tinha sido vendido ilegalmente. Agora eles não conseguem levar o animal de volta para casa.

O que preocupa ainda mais Mattiacci é que o macaco tem que ficar isolado de um outro grupo de animais da mesma espécie. Charlie está de quarentena e tem que esperar até que os veterinários avaliem a saúde dele.

Segundo a bióloga Larissa Merighi, o bosque já possui duas famílias fechadas de macacos prego. “São animais territorialistas então, provalvemente, se a gente tentasse introduzir esse animal com eles, ele seria morto. E porque o Ibama exige que tenha um número exato de animais por metro quadrado de acordo com cada espécie e nos somos dois recintos nós já atingimos esse máximo de animais”, explica Larissa.

Suspeito de tráfico de animais

A Polícia Ambiental desconfia que a família tenha sido vítima de uma quadrilha de tráfico de animais silvestres. “Já não é o primeiro caso desse tipo, que a pessoa adquire esse tipo de animal na internet, a nota fiscal é da mesma empresa fantasma, em tese que adquiriu o animal e revendeu”, explicou o tenente Fábio da Nóbrega.

O trabalho agora é de identificar da onde vem esses animais. “É um trabalho difícil, mas tem que ser feito”, afirma Nóbrega. O tutor do macaco também vai responder na Justiça por comprar o animal ilegalmente, mas ele está mais preocupado mesmo é com a ideia de ficar longe de Charlie.

“Vieram falar agora que um animal uma vez irregular, sempre irregular. Como vai ficar isso, ele vai ficar dentro da gaiola para o resto da vida dele?”, reclama Mattiacci.

O macaco vai ficar no bosque até ser liberado para uma ONG que prepara os animais para soltar na natureza. Se a Matilde quiser um macaco vai ter que comprar outro, seguindo todos os trâmites da lei. “Não é o que eu quero, de jeito nenhum. É o mesmo que falar: ‘troca seu filho por um outro'”, lamenta a aposentada.

Fonte: G1

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