Polícia apura denúncia de maus-tratos contra capivaras da Pampulha

Polícia apura denúncia de maus-tratos contra capivaras da Pampulha

Movimento Mineiro pelo Direito dos Animais registrou pedido de apuração de crime ambiental contra os animais. Prefeitura de Belo Horizonte admitiu a morte de alguns roedores, mas diz que trabalha para manter a saúde dos animais.

MG bh 20150306155413904631i

Mais um capítulo da história que envolve a captura das capivaras que vivem na Lagoa da Pampulha. A Polícia Civil informou na tarde desta sexta-feira que vai abrir um procedimento investigativo sobre uma denúncia feita pelo Movimento Mineiro pelo Direito dos Animais sobre maus-tratos contra as capivaras retiradas da lagoa desde setembro do ano passado. A delegada Andréa Pochmann, da Delegacia de Especializada de Crimes contra o Meio Ambiente e Conflitos Agrários, vai intimar os solicitantes que fizeram a denúncia, enviar uma equipe policial e a Perícia Técnica ao local e solicitar informações da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Fundação Zoobotânica e Ibama sobre o caso.

Na manhã desta sexta-feira, o Movimento Mineiro pelo Direito dos Animais registrou um pedido de apuração de suspeita de crime ambiental contra os roedores que foram retirados de um dos principais pontos turísticos de Belo Horizonte. Conforme o Boletim de Ocorrência, o grupo apresentou à polícia documentos, representações do Ministério Público e cópias de e-mails enviados pela prefeitura para abalizar a denúncia. A principal suspeita é de que as capivaras estejam morrendo por estresse, fome e por estarem em local inadequado para a espécie.

De acordo com a liderança do movimento, das 52 capivaras capturadas desde o início do processo, aproximadamente 20 já morreram por causa das condições em que estão confinadas. “Fizemos uma solicitação à prefeitura para que fosse feito o trabalho de vasectomização e ligadura de tubas em todas as capivaras, mas a empresa contratada não tinha autorização contratual para cumprir isso. Esse procedimento é importante para interromper a procriação e prevenir novos casos de febre maculosa”, diz Adriana Araújo, líder do Movimento Mineiro pelo Direito dos Animais.

Ainda segundo a denúncia, por serem animais semi-aquáticos, os roedores sofreram com a seca, principalmente durante o mês de dezembro, o que resultou na morte de vários deles. De acordo com o movimento, foi feito um pedido ao Ministério Público de Minas Gerais para que uma visita técnica em caráter de urgência fosse feita, o que foi autorizado pelas promotorias de saúde e de justiça, que determinaram à prefeitura, que se liberasse a entrada do movimento mineiro de proteção aos animais na Fundação Zoobotânica, local onde as capivaras estão sendo entregues após a captura.

Porém, no dia 27 de fevereiro, o pedido da visita técnica foi reiterado junto ao MP. Segundo o registro feito à polícia, a falta de um resposta da prefeitura de Belo Horizonte fez com que o Movimento Mineiro pelo Direito dos Animais informasse que iria realizar o trabalho nesta sexta-feira, abalizados no Código 255 da Constituição Federal, mas que na última quinta, a assessoria jurídica da Secretaria de Meio Ambiente fez uma ligação á liderança do grupo para informar que a visita não poderia ser feita, sob a justificativa de que a prefeitura precisaria preparar uma equipe de técnicos, mas que estaria disponível para remarcar a data.

A prefeitura de Belo Horizonte informou, por meio da Secretaria de Meio Ambiente Municipal, que todos os procedimentos cabíveis estão sendo tomados para manter a boa saúde dos animais e que não havia nenhuma visita técnica marcada para esta manhã. A secretaria confirmou que algumas capivaras morreram, mas disse que isto ocorreu pelo estado em que elas foram encontradas ou devido ao processo natural da espécie. Conforme a secretaria, questões administrativas e burocráticas prevêem que os nomes dos veterinários que queiram realizar uma visita ao local onde os animais estão abrigados precisam ser entregues com antecedência.

Fonte: Estado de Minas

Os comentários abaixo não expressam a opinião da ONG Olhar Animal e são de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.