Polícia Civil investiga dois casos de cães baleados neste mês na zona rural de Boa Esperança, MG

Polícia Civil investiga dois casos de cães baleados neste mês na zona rural de Boa Esperança, MG
Polícia Civil investiga dois casos de cães baleados neste mês na zona rural de Boa Esperança, MG — Foto: Reprodução / EPTV

Registros de maus-tratos contra animais são investigados pela Polícia Civil no sul de Minas. Dois dos casos aconteceram em Boa Esperança (MG), onde dois cães foram baleados na zona rural. O número de ocorrências aumentou quase 28% em relação ao ano passado, segundo dados da Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública (Sejusp).

VÍDEO: Casos de maus-tratos contra animais cresceram 30% no 1º trimestre do ano no sul de Minas

Os cães sem raça definida ficaram paraplégicos depois de serem baleados na zona rural de Boa Esperança. Os casos aconteceram em dias diferentes, 3 e 10 de maio.

Um deles tem sido cuidado em um lar temporário na zona rural da cidade. O outro, chamado Dentinho, precisou passar por uma cirurgia e ficou internado; ele foi adotado recentemente por um morador de Varginha.

“São animais que precisam ter um cuidado maior na hora de arrumar o tutor, porque precisa dar amor, precisa dar carinho, atenção, porque o animal também sente. […] Na maioria [dos casos] fica alojada [a bala] na coluna. Então precisa de fisioterapia, reabilitação, tanto na clínica quanto em casa”, explica a veterinária Milena Araújo.

Também no Sul de Minas, em Campestre (MG), a Polícia Militar registrou um caso recente de maus-tratos. Um cachorro morreu após ser atropelado por um carro em uma rua do bairro Nova Campestre no dia 23 de maio.

Segundo o boletim de ocorrência, um funcionário que trabalhava em uma obra relatou que após o atropelamento o motorista não prestou socorro ao cão. Outra moradora, ao ouvir o choro do animal, teria tentado socorrê-lo, mas ele não resistiu aos ferimentos.

A Polícia Civil informou que um inquérito policial foi instaurado para investigar o fato. Atualmente, a Civil realiza diligências, como a análise de imagens de câmeras de segurança para identificar as circunstâncias e autoria do crime. O caso está sendo investigado pela 3ª Delegacia de Polícia Civil em Campestre.

Cachorro morre atropelado por carro e motorista foge sem prestar socorro em Campestre, MG — Foto: Câmera de segurança
Cachorro morre atropelado por carro e motorista foge sem prestar socorro em Campestre, MG — Foto: Câmera de segurança

De janeiro a março deste ano, foram 183 casos de maus tratos contra animais no Sul de Minas, 28% a mais do que o registrado no mesmo período do ano passado, quando foram 143 casos. E para as associações a maior dificuldade é encontrar quem possa adotar esses animais.

“Em vez de comprar aquele animalzinho, porque não pode dar a chance para um que está no abrigo, um filhotinho que está na feirinha. E tem tantos. Então, a gente pedia consciência nessa parte. Adotar mais, menos abandono, ter consciência de não abandonar”, afirma Andreza Andradade, voluntária da Associação S.O.S Vira Lata.

Lei Sansão

Sancionada em 2020, a Lei Sansão estabelece pena de 2 a 5 anos de reclusão para quem praticar atos de abuso, maus-tratos ou violência contra cães e gatos.

O texto também prevê multa e proibição da guarda para quem praticar os atos contra esses animais. A pena é aumentada de um sexto a um terço se o crime causa a morte do animal.

O termo “reclusão” indica que a punição pode ser cumprida em regime inicial fechado ou semiaberto, a depender do tempo total da condenação e dos antecedentes do réu.

“O crime de maus-tratos de animal, ele se caracteriza basicamente pelas atitudes, pelas ações que o autor tem para com esses animais, seja por meio de abusos físicos, mutilações ou até mesmo experimentos realizados com esses animais”, explica o delegado da Polícia Civil de Boa Esperança, Moacir Neto.

Conforme o delegado, é uma espécie de crime que justamente por acontecer no interior do lar, onde não é visto pela maioria das pessoas, é necessário ter algum tipo de denúncia para que a polícia consiga investigar o fato.

As denúncias podem ser feitas no Disque Denúncia pelo telefone 181, inclusive de forma anônima.

Fonte: g1