Polícia do Malawi prende caçadores ilegais de elefantes no Parque Nacional de Kasungu

Polícia do Malawi prende caçadores ilegais de elefantes no Parque Nacional de Kasungu
Em julho de 2022, 263 elefantes foram translocados do Parque Nacional de Liwonde, onde as autoridades acreditam que a capacidade de suporte dos elefantes foi alcançada, para o Parque Nacional de Kasungu, onde cinco anos de fortalecimento da aplicação da lei haviam reduzido a atividade de caça furtiva. Imagem por Marcus Westberg.

A polícia e as autoridades de vida selvagem no Malawi prenderam dois homens suspeitos de terem matado um elefante no Parque Nacional de Kasungu.

Autoridades policiais e do departamento de vida selvagem do Malawi prenderam dois homens suspeitos de terem matado um elefante no Parque Nacional de Kasungu, no oeste do país.

Em julho de 2022, 263 elefantes foram translocados para o parque, que faz parte de uma área de conservação transfronteiriça que abrange 32.000 quilômetros quadrados (12.400 milhas quadradas) no Malawi e em Zâmbia. As autoridades dos parques dos dois países, trabalhando em conjunto com o Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal (IFAW), investiram US$ 8,5 milhões desde 2017, para garantir o que antes era um ponto crítico de caça furtiva e tráfico ilegal de vida selvagem.

A polícia informa que Grave Nkhoma, 48 anos, e Nickson Nthukwa, 50 anos, foram presos no distrito de Kasungu, em 11 de abril, e encontrados em posse de 16,6 quilogramas de marfim. Moradores de vilas localizadas próximas aos limites do parque, informaram a polícia sobre dois homens vendendo carne de elefante.

“A comunidade sabia de onde eles estavam operando naquelas duas semanas, então avisaram a polícia e aos funcionários do parque,” disse Anthony Chatama, vice-presidente da Associação de Conservação da Vida Selvagem de Kasungu para o Desenvolvimento Comunitário, uma organização comunitária local. “Este é um papel que estamos desempenhando em nossa parceria com o governo na conservação no Parque Nacional de Kasungu e áreas circundantes.”

Joseph Kachikho, porta-voz da polícia para o distrito de Kasungu, disse à Mongabay que os investigadores confiscaram armas de fabricação local dos homens, incluindo uma arma de grande calibre carregada pela boca que, segundo a polícia, os dois usavam para suas operações de caça furtiva no parque. Eles foram detidos e aguardam uma data para comparecerem ao tribunal e serem formalmente acusados.

Após a prisão, os dois homens levaram os oficiais até a carcaça de um elefante macho no parque, onde admitiram ter matado o animal em 28 de março. Oficiais do Departamento de Parques Nacionais e Vida Selvagem (DNPW) informaram à Mongabay que um deles havia sido anteriormente condenado por crimes de caça furtiva no mesmo parque: Nthukwa foi preso por cinco anos em 2019 por matar um elefante em Kasungu. Sua sentença foi comutada em 2021 e ele foi libertado.

Nkhoma está na lista de procurados há vários anos em conexão com múltiplos incidentes de caça furtiva de elefantes e búfalos no parque. Autoridades afirmam que ele anteriormente evitou a prisão ao cruzar a fronteira para uma segunda residência que mantém na Zâmbia. Ele também é procurado na Zâmbia por crimes relacionados à caça furtiva.

Elefantes da savana no Parque Nacional de Majete, Malawi. Imagem por Peter Steward via Flickr (CC BY-NC 2.0)
Elefantes da savana no Parque Nacional de Majete, Malawi. Imagem por Peter Steward via Flickr (CC BY-NC 2.0)

O Parque Nacional de Kasungu, o segundo maior do Malawi, com 2.100 km² (810 mi²), abrigava mais de 1.200 elefantes na década de 1970. No entanto, décadas de caça furtiva para marfim dizimaram a população desses animais. De acordo com dados do governo, em 2015 restavam apenas 50 deles no parque.

O parque fica na fronteira com a Zâmbia e faz parte da Área de Conservação Transfronteiriça Malawi-Zâmbia.

Em 2017, a IFAW, em parceria com os departamentos de vida selvagem e parques em Zâmbia e Malawi, iniciou um projeto de cinco anos para combater o crime contra a vida selvagem na paisagem Malawi-Zâmbia, que abrange o Parque Nacional de Kasungu do Malawi, bem como os Parques Nacionais Lukusuzi e Luambe na Zâmbia, ambos também pontos críticos para a caça furtiva de elefantes.

Em Kasungu, o projeto fortaleceu a segurança por meio de operações conjuntas de aplicação da lei e treinamento de guardas florestais, polícia e judiciário na investigação e julgamento de crimes contra a vida selvagem, o que levou a uma redução nos casos de caça furtiva de elefantes.

Em julho de 2022, 263 elefantes e mais de 300 outros animais foram translocados para Kasungu, do Parque Nacional de Liwonde, no sul do Malawi, em uma atividade com um mês de duração.

Desde a translocação, moradores das aldeias ao redor dos limites do Parque Nacional de Kasungu relataram um aumento nos ataques de elefantes em suas fazendas e celeiros. Em uma série de incidentes entre julho e outubro de 2022, quatro pessoas foram mortas por elefantes.

O diretor do DNPW de Malawi, Brighton Kumchedwa, afirmou que o conflito entre humanos e elefantes se deve ao fato de os elefantes recém-translocados estarem tentando estabelecer seu território.

“Com uma nova manada, sempre há esses movimentos de um canto do parque para o outro até que eles se estabeleçam”, disse Kumchedwa à Mongabay em outubro de 2022.

Por Charles Mpaka / Tradução de Maryana Zorzal

Fonte: Mongabay

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