Polícia investiga criadores de cães e clínicas por mutilação de animais em Bauru, SP

Polícia investiga criadores de cães e clínicas por mutilação de animais em Bauru, SP
Proibido, corte de orelhas garante aparência de maior ferocidade; cauda também não pode ser retirada.

Realizado por anos, o corte parcial ou total das orelhas e do rabo de várias raças é proibido no Brasil, desde 2008, pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária (CRMV). No entanto, em Bauru, a Delegacia de Crimes Ambientais ainda recebe denúncias do crime e instaurou uma investigação visando localizar criadores de animais e clínicas veterinárias envolvidas com a prática.

O titular da delegacia, o delegado Dinair José da Silva, afirma ter recebido denúncias de que algumas pessoas, com interesse em lucrar com a venda de cães da raça American Pit Bull Terrier, estariam levando animais ao esgotamento. Um filhote, segundo ele, é vendido na faixa de R$ 2 mil a R$ 3 mil. Os acusados também são suspeitos de mutilarem e explorarem animais. “Recebemos informações de que estariam levando a cadela à exaustão para procriar, além de realizar cortes nas orelhas dos cachorros de forma artesanal, sem os mínimos cuidados. Demais animais também estariam sofrendo com outros tipos de mutilações”, explica.

RISCO

Com base nestes relatos, o delegado já ouviu algumas pessoas que se dizem criadores de pit bull e que tinham posse desses animais, inclusive, com as orelhas cortadas. “Eles alegam que os cachorros estão com eles faz tempo e já tinham comprado os pit bulls desta forma”, esclarece.

As resoluções do Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV) nº 1027/2013 e 877/2008 vedam o corte de cauda (caudectomia), de orelhas (conchectomia) e a eliminação das cordas vocais (cordectomia) em cães. Também não permite a retirada das garras em felinos (onicectomia). “Outro ponto que soubemos é de que os cortes não seriam cirúrgicos, mas artesanais. Ou seja, ainda colocam a vida do animal em risco”, reitera.

ESTÉTICA

Ainda segundo o delegado, essa mutilação dos animais estaria sendo praticada até os dias de hoje, basicamente por estética, para manter os padrões da raça. Em cães de guarda, em geral, as orelhas eretas e pontudas causam uma impressão de ferocidade muito maior do que as orelhas caídas e arredondadas.

“Estão na nossa mira os criadores e clínicas, estamos atentos a essas práticas. Caso peguemos em flagrante, haverá prisão pelo crime de maus-tratos cuja pena, com a atualização da Lei, é de 2 a 5 anos de reclusão”, finaliza.

O artigo 225 da Constituição Federal de 1988 veda que os animais sejam expostos a crueldades e o crime de maus-tratos está disposto no artigo 32 da Lei Federal 9.605/98 (Lei de Crimes Ambientais), tendo a sociedade papel importante na prevenção e combate aos maus-tratos, denunciando-os, finaliza Dinair José da Silva.

Por Ana Beatriz Garcia

Fonte: JCNET

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