Polícia investiga maus-tratos a pit bull no DF; laudo aponta violência sexual

Polícia investiga maus-tratos a pit bull no DF; laudo aponta violência sexual
Polícia investiga maus-tratos a pit bull no DF; laudo aponta violência sexual (Foto: Reprodução Internet)

A Polícia Civil do Distrito Federal investiga a denúncia de maus-tratos e violência sexual contra uma cadela da raça pit bull. O animal vivia com o tutor em uma casa no Núcleo Bandeirante e foi resgatada na última segunda-feira (31), após autorização judicial. Bela, como o bicho passou a ser chamado, estava com as mamas inflamadas, queimaduras na orelha e cortes e marcas de pauladas na cabeça. Em redes sociais, o dono nega ter cometido o crime e diz ter sido vítima de um “complô do pessoal que vive nas redondezas”.

Laudo do veterinário apontou que havia indícios de penetração, por causa da cor da vulva da cadela. Na segunda-feira, Bela teve parte das mamas retiradas em uma clínica veterinária particular. O caso foi denunciado ao Ministério Público e, de acordo com o órgão, há provas dos abusos sofridos pela cadela, de 6 anos de idade.

A empresária Noemia dos Santos fez parte de um grupo de defensores dos animais que montou campana em frente ao prédio do antigo tutor da cadela no final de semana. O animal ficará com ela quando tiver alta.

“Todas as acusações foram comprovadas pela veterinária. Após os exames, o laudo determinou o estupro, os maus-tratos e as queimaduras. Todos os tipos de maus-tratos foram constatados”, contou a mulher. Ainda de acordo com o laudo, no local onde houve queimaduras nas orelhas, o pelo não cresce mais.

Trecho do laudo veterinário que indica agressões sexuais sofridas pela cadela (Foto: Noemia dos Santos/Arquivo Pessoal)
Trecho do laudo veterinário que indica agressões sexuais sofridas pela cadela (Foto: Noemia dos Santos/Arquivo Pessoal)

Entenda o caso

No último sábado, um grupo de defensores dos animais protestou em frente à casa do homem, de 44 anos. Os protetores chamaram o Batalhão de Polícia Militar Ambiental, mas o animal não pôde ser resgatado no dia por falta de um mandado de buscas na residência.

O grupo montou um “acampamento” durante o final de semana e, na segunda-feira (31), conseguiu uma autorização do Tribunal de Justiça, após denúncia realizada no MP, para que o animal fosse resgatado pela PM.  Desde então, o bicho permaneceu em clínicas veterinárias para tratar as escoriações que tinha em todo o corpo.

A empresária Noemia dos Santos fez parte do grupo que protestou e contou que a PM foi até a casa do ex-dono da cadela para averiguar o que ocorria ao animal. Ao pedir que ele acariciasse o bicho, a cadela fugiu para debaixo da cama, segundo Noemia. A cena causou estranheza no grupo, que decidiu pedir a denúncia ao MP.

“Queríamos ter uma conversa amigável com o dono, porque não o conhecíamos. Quando chegamos, uma vizinha contou que as agressões eram constantes e aí chamamos a polícia ambiental”, lembra.

No mesmo dia, o dono foi levado à 1ª Delegacia de Polícia, na Asa Sul. Por não ser flagrante, o caso foi encaminhado à 11ª DP, no Núcleo Bandeirante, que investiga o caso. Caso seja autuado pelo crime de maus-tratos, ele pode pegar de três meses a um ano de prisão. Em caso de morte do animal, a pena pode ser aumentada em um sexto.

Após prestar depoimento, ele foi liberado. Desde o primeiro momento, testemunhas apontavam a suspeita de que o ex-dono abusava sexualmente do animal.

Por Alexandre Bastos 

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