Polícia ouve suspeita sobre morte de cães no CCZ de Ribeirão Pires, SP

Polícia ouve suspeita sobre morte de cães no CCZ de Ribeirão Pires, SP

Luzia Dutra de Paula garantiu que cães já estavam soltos e brigando quando danificou portão do canil.

Por Claudia Mayara

A Polícia Civil de Ribeirão Pires ouviu nesta quarta-feira (28/09) a versão de Luzia Dutra de Paula, 49 anos, vizinha do CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) e acusada de invadir o equipamento e causada à morte de três cães na madrugada desta terça (27/09).

Em depoimento, a cabeleireira negou que tivesse entrado no local e afirmou que os cachorros já estavam fora das baias e brigando entre si quando decidiu ir até o equipamento e abrir o portão dos fundos para que os animais fugissem. “Tentei salvá-los. Se não tivesse aberto o portão, mais animais teriam morrido”, garantiu.

Antes de decidir ir ao CCZ, Luzia esclareceu que ligou para o 190 da Polícia Militar e pediu que uma viatura fosse até o local. “Os cachorros estavam latindo e brigando entre si, tentei chamar ajuda”, destacou. Na versão da cabeleireira, como nenhuma viatura policial apareceu, ela decidiu descer pelos fundos do seu quintal, que dá nos fundos do CCZ, para ver o que podia fazer. “Lá tem um portão que já estava apodrecido e estava escorado por tijolos. Então com o pé forcei o portão, que se abriu um pouco”, explicou.

Com o portão aberto, parte dos cachorros fugiu e parte permaneceu lá dentro ainda brigando entre si. “Não entrei no CCZ, não abri as baias e muito menos abri o portão do jeito que está nas fotos publicadas nas redes sociais. Só abri uma pequena abertura no portão para que os cães pudessem escapar da briga”, argumentou a cabeleireira. Luzia não soube dizer quem abriu as baias dos cães, mas revelou que a prática é comum no lugar.

BARULHO

Luzia comentou ainda que tem problemas com o CCZ desde setembro do ano passado, quando começou a reclamar sobre os latidos e grasnidos constantes dos animais. “O problema começou quando a Prefeitura ampliou o CCZ e as baias dos cães passaram a ficar a menos de quatro metros do meu quarto. Não conseguimos dormir, porque os cães ficam soltos, latindo e brigando de dia e de noite”, relatou.

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Diante da situação, a cabeleireira fez abaixo assinado com os vizinhos e procurou a Prefeitura várias vezes para reclamar. “Lei do silêncio aqui não existe. No meu quarto o barulho é insuportável. Ao medir deu 110 dB (decibéis)”, afirmou. Ainda conforme Luiza, a situação chegou ao ponto de afetar a vida estudantil do filho de 11 anos. “Meu filho anda dormindo em sala de aula, está indo mal na escola, tudo porque não consegue dormir à noite.”

O caso foi parar na Justiça. Em fevereiro deste ano, o promotor de Justiça de Ribeirão, moradores vizinhos do CCZ e agentes públicos da Prefeitura se reuniram no plenário do júri do Fórum e firmaram um acordo amigável onde a Prefeitura se comprometia em retirar 40 cães no prazo de 30 dias. Como a Prefeitura não cumpriu com o acordo, em junho, a Promotoria de Justiça do Meio Ambiente instaurou inquérito sobre o caso para apurar a degradação ambiental consistente em poluição sonora provocada pelo canil.

Procurada, a Prefeitura não se pronunciou sobre o caso até a publicação desta matéria.

O CASO

De acordo com B.O (Boletim de Ocorrência) registrado pelo CCZ, que atualmente abriga 56 cachorros, o equipamento teve o portão dos fundos arrombado na madrugada da última terça-feira (27/09), o que teria resultado na morte de três cães, que brigaram entre si. Outros três animais ficaram feridos e seis desapareceram. A polícia investiga o que de fato aconteceu.

Fonte: ABCD Maior

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