Policiais militares resgatam cachorro de enchente do Rio Juruá, no Acre

Policiais militares resgatam cachorro de enchente do Rio Juruá, no Acre
Cachorro nadava pelo Rio Juruá em busca de local seco (Foto: Reprodução/ PM-AC)

Um vídeo gravado pela Polícia Militar mostra o resgate de um cachorro de dentro do Rio Juruá, que já passa pela pior cheia da história. Apesar do resgate ter sido na terça-feira (31), as imagens só foram divulgadas na quarta (1) pela corporação. O manancial marcou 14,24 metros na manhã desta quinta (2) e já afeta mais de 8 mil famílias diretamente.

O comandante da Polícia Militar em Cruzeiro do Sul, major Lázaro Moura, explica que a enchente traz grandes prejuízos, não só para as pessoas, mas também para os animais e a natureza de forma geral.

“Desde o início nós temos prestado serviços durante a cheia e aí na terça [31] foi encontrado esse cachorro nessa situação de perigo. Os policiais que estavam lá atenderam de prontidão a ocorrência, até porque se trata de uma vida”, destaca.

Moura diz ainda que o animal foi entregue ao dono no mesmo dia. “Essa situação de cheia atinge, não só os seres humanos, mas os animais também que moram nesses locais e muitas vezes os donos não conseguem os resgatar, e é aí que nosso trabalho começa”, finaliza.

Cheia histórica

Com a cheia histórica do Rio Juruá, interior do Acre, o governo federal anunciou nesta quarta-feira (1) que deve prestar apoio e assistência às famílias atingidas pelas águas do manancial.

A última grande cheia foi registrada em 1995, quando o nível do rio atingiu a marca de 14,18 metros. Ao todo, são 553 famílias retiradas de suas casas, sendo que 85 estão em três abrigos montados em Cruzeiro do Sul. A previsão do Corpo de Bombeiros da cidade é que o nível do rio se estabilize, porém, para que o nível diminua é preciso que as chuvas deem uma trégua.

O Ministério da Integração divulgou em nota que disponibilizou uma equipe – formada por servidores da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec) –  para avaliar medidas de apoio às famílias. O anúncio foi feito pelo Ministro da Integração, Helder Barbalho.

O ministro afirmou ainda, em reunião com a parlamentares do estado, que deve ir ao Acre para sobrevoar as regiões afetadas pela enchente. A visita está prevista para ocorrer até a próxima sexta-feira (3).

Números da cheia

Apesar de não ser monitorada, a cheia do Rio Moa, um dos afluentes do Rio Juruá tem afetado comunidades que ficam às margens do manancial. Uma das mais afetadas, segundo os Bombeiros, é a do Paraná dos Moura.

Cerca de 8 mil famílias estão sendo afetadas diretamente com a cheia dos rios Moa e Juruá. Quatro abrigos foram montados na região: um no ginásio poliesportivo Alaiton Negreiros, o segundo na Santa Casa da Misericórdia e outro e dois  da comunidade Nari do Moa.

Sendo assistidas pelo poder público são 553 famílias, totalizando 2.563 pessoas. Destas, 468 estão desalojadas amparadas pelo Aluguel Social ou em casas de parentes e 85 estão se dividindo nos abrigos públicos montados na cidade. Os Bombeiros dizem que a possibilidade de um novo abrigo está sendo estudada.

Situação de Emergência

O prefeito de Cruzeiro do Sul, Ilderlei Cordeiro, assinou o decreto de emergência ainda no sábado (28), quando o Rio Juruá chegou a 13,62 centímetros. Na ocasião, foi feita uma reunião entre representantes da Defesa Civil e do município e a previsão já era que o rio atingisse a cota histórica. O decreto foi publicado no Diário Oficial da terça-feira (31).

Morte de pescador

A correnteza do rio também acabou vitimando o pescador Edimar Pereira da Costa, de 46 anos, que caiu no Rio Juruá ao tentar jogar uma tarrafa para pescar em Cruzeiro do Sul. O corpo também estava preso a um pedaço de tronco. Na manhã desta terça (31), a irmã falou com o G1 e contou que o pescador era experiente e que não sabia o que havia acontecido.

“O que a gente sabe é que ele tava em uma parte seca do rio, na margem. Ele jogou três lances e no último sentiu a tarrafa pesada. Parece que tinha alguma uma coisa puxando ele e a tarrafa estava amarrada no braço dele. Ele caiu no rio e só foi possível ver as chinelas e o chapéu boiando”, disse.

Por Anny Barbosa

Fonte: G1

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