Policial penal é investigado por matar cachorro a tiros porque o animal latiu para sobrinha dele

Policial penal é investigado por matar cachorro a tiros porque o animal latiu para sobrinha dele
O servidor público falou que atirou três vezes, mas que a intenção era apenas que o cão saísse de perto da menina. Foto: Natinho Rodrigues

Um policial penal está sendo investigado por matar um cachorro a tiros porque o animal latiu para a sobrinha dele, uma criança de cinco anos, em Granja, no interior do Ceará.

O caso aconteceu no dia 28 de maio, mas Vicente Lopes de Lima, de 28 anos, só prestou depoimento na última terça-feira (29), um mês depois do fato, após a oitiva ter sido adiada duas vezes.

À Polícia Civil, o agente falou que atirou três vezes, mas que a intenção era apenas que o cão saísse de perto da criança, que tem cinco anos, pois ela havia corrido e caído, com medo do cachorro. A última bala, no entanto, “pegou” no animal, que morreu.

O cão, contou o servidor público, havia parado sobre o corpo da menina como se fosse mordê-la. Foi então que ele efetuou um disparo, mas o cachorro, chamado de “Rabito”, só correu quando o policial atirou pela segunda vez. 

O policial penal afirmou no depoimento que o cachorro avançou contra ele e então sacou a pistola novamente e atirou. A bala atingiu o animal e o matou. Ele relatou ainda que a sobrinha ficou arranhada, não mordida, e negou ter ameaçado a tutora do cão.

Versão da tutora do cachorro

Já a tutora do cão revelou na Delegacia Municipal de Granja que foi intimidada pelo agente para não registrar Boletim de Ocorrência (B.O) sobre o fato. Ela disse que animal latiu e assustou a criança, mas não se levantou para avançar contra a menina.

Quando viu a situação, o agente correu e efetuou vários disparos na direção do animal. A mulher afirmou que o policial penal entrou na casa dela, sem pedir autorização, e continuou atirando contra o cão, e que não foi atingida porque se escondeu atrás do guarda-roupa.

No caminho para delegacia, segundo o depoimento da dona de “Rabito”, o servidor público a intimidou para que ela falasse que não tinha visto nada, e ela obedeceu.

Depois, com a ajuda de representantes a Associação São Francisco, a mulher procurou a Polícia Civil novamente e revelou o que aconteceu de fato. 

Investigação

O Diário do Nordeste pediu detalhes sobre o caso para a Secretaria da Segurança Pública, para saber qual procedimento será adotado a partir de agora com o policial penal.

A pasta informou à reportagem que a Delegacia Municipal de Granja segue realizando oitivas e diligências no intuito de elucidar os fatos do crime ambiental e que “mais detalhes serão repassados em momento oportuno para não comprometer os trabalhos investigativos”, explicou a instituição.

Fonte: Diário do Nordeste

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