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Poliglotas: Orcas conseguem aprender a língua dos golfinhos

Por Gustavo Paiva

Pesquisadores do Instituto de Pesquisa Hubbs-SeaWorld, em San Diego nos Estados Unidos, descobriram que a ‘baleia assassina’ quando criada em cativeiro junto com golfinhos do gênero Tursiops (Golfinho Nariz-de-Garrafa), pode aprender a se comunicar na “língua” deles.

Biólogos marinhos estudaram três tipos diferentes de orcas, vivendo em três celas separadas do parque aquático, e observaram que elas conseguem modificar sua vocalização para parecer com a dos golfinhos companheiros de cativeiro. essa foi a primeira vez em que se observaram o aprendizado vocal entre duas espécies.

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As orcas geralmente utilizam de um estanho repertório de altos sons e tons para se comunicarem uma com as outras. Para os humanos, o animal parece estar gritando, enquanto os golfinhos utilizam uma linguagem mais agradável, com assovios e pequenos estalos. Nas orcas que vivem entre golfinhos, os altos gritos são trocados pelos assovios e estalos semelhantes aos da outra espécie.

O estudo foi publicado no Jornal da Sociedade Acústica da América (*Journal of the Acoustical Society of America). Os pesquisadores disseram que se as “baleias assassinas” consegue adaptar sua linguagem à dos golfinhos, pode haver implicações em como a população selvagem se comporta, abrindo a possibilidade de que as orcas podem se comunicar e cooperar com outras espécies oceânicas.

Orcas não são baleias

Devemos lembrar que as orcas não são baleias, as duas espécies fazem parte da mesma ordem, a dos cetáceos (da classe dos mamíferos), mas a “baleia assassina” está mais próxima dos golfinhos do que das baleias.

Os cetáceos são divididos em dois grupos: o odontocetos, que possuem dentes, e os mysticetos, que não possuem dentes. No primeiro grupo estão as orcas, os golfinhos, os botos, o cachalote, o naval e a beluga, todos são cetáceos com dentes. No segundo grupo estão as baleias que ao invés de dentes possuem barbatanas para peneirar e reter o alimento engolido.

Algumas pessoas sugerem que a confusão no apelido de “baleia assassina” para as orcas foi uma má tradução do espanhol para o inglês. Os marinheiro espanhóis chamavam a orca de “assassinos de baleias”, por frequentemente atacarem em grupo baleias, para se alimentarem. 

Porém o apelido, que deveria ter sido traduzido como “Whale Killers” (Assassino de Baleias), foi traduzido como “Killer Whale” (Baleia Assassina). 

Fonte: Diário da Manhã 

Nota do Olhar Animal: É no mínimo uma grande hipocrisia intitular algum animal não humano de “assassino”, justo nossa espécie que causa a morte de bilhões de animais anualmente. Só no Brasil foram abatidos 34,4 milhões de bovinos em 2013.

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