Polvos estão se refugiando no lixo presente no fundo do mar

Polvos estão se refugiando no lixo presente no fundo do mar

Não é novidade que o fundo do mar está poluído com resíduos de lixo e substâncias tóxicas, onde na maioria das vezes, são descartados por humanos.

E, cada vez mais, animais marinhos fazem estes resíduos de abrigo, refugiando-se neles.

Uma pesquisa analisou um aumento do fenômeno entre 2018 e 2021, observando centenas de imagens subaquáticas.

Resíduos como refúgio

Os resíduos que poluem os mares e oceanos tornaram-se tão onipresentes nas profundezas do planeta, que animais marinhos, como os polvos, passaram a se esconder e se a defender dos predadores ali, no lixo presente no fundo do mar.

Um estudo publicado no Marine Pollution Bulletin, foi o primeiro a avaliar e caracterizar sistematicamente o uso de resíduos por polvos analisando centenas de fotos e vídeos subaquáticos publicados em plataformas sociais, bancos de dados de imagens ou coleções, por biólogos marinhos e grupos de interesse subaquáticos.

A equipe, coordenada pelo Instituto de Oceanografia da Universidade Federal do Rio Grande, documentou 24 espécies de polvos que se refugiam em vários tipos de resíduos, desde garrafas de vidro a latas.

Em vez de se esconderem no interior de conchas e corais, os animais agora se refugiam sob latas, garrafas, montes de tampas e outros resíduos considerados um “tipo de lixo altamente poluente“.

Consequências perigosas

Em áreas onde muitas conchas foram coletadas por humanos, polvos de todas as idades foram forçados a se adaptar a esses abrigos artificiais para sobreviver, o que tornou o lixo uma alternativa às formas naturais de proteção.

A utilização de resíduos como refúgio pode ter consequências perigosas e indiretas, pois alguns detritos expõem os polvos a produtos químicos tóxicos ou metais pesados, bem como danos físicos danos causados ​​por superfícies cortantes e bordas afiadas.

Os pesquisadores também observaram que algumas espécies, como o polvo-pigmeu do Atlântico Sudoeste (Paroctopus cthulu), foram observadas refugiando-se única e exclusivamente no lixo.

Devido à escassez desses recursos em seu habitat, o polvo-pigmeu, em particular, explora principalmente latas de cerveja. Os estudiosos também descobriram que os polvos que vivem no fundo do mar Mediterrâneo também usam lixo marinho para morar.

O aumento do fenômeno, é um sinal claro de que o problema do lixo marinho está se agravando em enorme proporção. Em termos numéricos, verificou-se que:

  • os objetos de vidro estiveram presentes em 41,6 % das interações;
  • e o plástico em 24,7 %.

As informações do estudo são essenciais para ajudar a prevenir e mitigar os impactos dos resíduos nos polvos.

Os seres humanos são os principais agentes descartadores de lixo em terra que acabam indo para o mar. E as consequências são altas.

A poluição de mares e oceanos nasce nos continentes. Cerca de 80 % do lixo despejado nas águas resulta de atividades realizadas em terra, vindo de indústrias ou da falta de saneamento básico, entre outros.

O restante é proveniente da economia marítima, como a pesca e o transporte. Anualmente, aproximadamente 13 milhões de toneladas de lixo são despejadas no mar.

Por Lara Meneguelli

Fonte: greenMe Brasil

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