Por pressão de ativistas, bois não vão desfilar em São Roque, SP

Por pressão de ativistas, bois não vão desfilar em São Roque, SP

Por José Antônio Rosa

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Com receio de protestos de ativistas, a organização do desfile “Entrada dos Carros de Lenha”, atração marcada para o dia 3 de agosto e que faz parte da agenda comemorativa do aniversário de São Roque (que ocorre no dia 16) decidiu não usar bois no tradicional evento. Conforme o aposentado Ezio Marchi, um dos organizadores, a atividade está confirmada, mas sem os animais.

Esta será a primeira vez na história da cidade que o símbolo, tradição e cultura do evento serão quebrados, informou nota da assessoria de imprensa da Prefeitura. “Preferimos usar de cautela e evitar contratempos, mas a festa vai acontecer sem os animais e será maravilhosa como tem sido”, disse ontem o organizador ao Cruzeiro do Sul.

Um manifesto na internet denominado “Não queremos a Entrada” somado a pressões e até ameaças telefônicas aos participantes orientou a decisão. Marchi reconheceu algumas das pessoas que fizeram postagens na página aberta na rede social Facebook como participantes da invasão do Instituto Royal no ano passado, quando foram resgatados cães da raça Beagle. Segundo ele, o grupo estaria disposto a atrapalhar a apresentação. O organizador, porém, desconhece que alguém tenha sido ameaçado.

O desfile reuniria quase uma centena de bois, boa parte deles procedente de Minas Gerais. Ezio Marchi garante que os animais não sofrem maus-tratos. “Ao contrário; ficam em pasto e recebem cuidados. Tudo é feito para preservar a integridade. Os bois só cobrem um trajeto em respeito ao simbolismo dessa festa que data de 1880”.

Até o dia 16 de agosto, data do aniversário de fundação do município, a programação alusiva à data deverá ser assistida por um público estimado em 300 mil pessoas. Somente no domingo, quando acontece o desfile, são esperadas 10 mil. Marchi disse que a mudança não deverá causar prejuízos ao evento.

A organização da festa chegou a protocolar oficialmente o pedido da liberação dos animais para o desfile na Diretoria Regional da Secretaria Estadual da Agricultura com sede em Sorocaba. O documento foi recebido e os bois liberados. Mesmo assim, devido às manifestações e para evitar possível tumulto, o formato da atividade foi alterado.

História

O desfile é organizado pela Igreja de São Roque, sob responsabilidade de dois casais de festeiros. Eles são eleitos ao fim de cada edição do evento e trabalham o ano todo realizando jantares e reuniões para arrecadar fundos para a igreja. No mês de agosto, durante duas semanas, a festa de aniversário da cidade e do padroeiro São Roque, ganha diversas barracas, shows e parque de diversões com renda voltada para as ações sociais.

Uma das fontes de receita é justamente a doação de lenha transportada pelas carroças puxadas pelos bois. Esse ato remonta a uma tradição criada em 1880. Na época, o pároco do município comprou uma imagem nova do padroeiro São Roque vinda da França, país de origem do santo.

Para pagar a imagem, foi organizado um desfile com a venda da lenha doada à igreja. As “Festas de Agosto” já existiam naquele período, mas a partir desse momento, passou a contar com o desfile. Daí, os bois têm um papel importante, pois eram o principal meio de transporte no interior. Na versão atual da festa, os bois não são os responsáveis por trazer a lenha; entram no desfile para lembrar, preservar e cultivar a história. “Trata-se de uma aparição simbólica”, completa Ezio Marchi.

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul

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