“Por que precisamos de violência aos domingos?”: manifestantes anti-touradas protestam contra o retorno das touradas na Plaza México

“Por que precisamos de violência aos domingos?”: manifestantes anti-touradas protestam contra o retorno das touradas na Plaza México
Manifestantes anti-touradas na Plaza de Toros México (Foto: Alemao Luna)

Dezenas de ativistas pelos direitos dos animais protestaram neste domingo, 9 de março, em frente à Monumental Plaza de Toros México, no regresso das touradas depois de uma guerra de litígios para proibir a chamada “fiesta brava”.

“Você chega à praça e se sente muito bem, mas aplaude um assassino!”, cantavam repetidas vezes diante dos olhos de centenas de pessoas do público de todas as idades.

Com uma enorme faixa que dizia: “Por que precisamos de violência aos domingos?”, os ativistas apontaram que a tourada é um ato de crueldade ao infligir intencionalmente o sofrimento do animal sem o seu consentimento. Acrescentaram que, tal como noutros estados e países, existem tradições que devem desaparecer.

“Vocês já viram como os touros querem pular nas arquibancadas. É porque querem fugir, estão com medo, não querem lutar”, gritou a ativista Gabriela Ramírez.

Além disso, descreveram como mentira que a proibição provocasse a perda de milhares de empregos na região, argumentando que a propriedade acolheu recentemente atividades esportivas e concertos esgotados, como o de Alejandro Fernández.

Touradas “à portuguesa”, uma alternativa

Por sua vez, os participantes na tourada declararam que embora respeitem a opinião da multidão anti-tourada, não vão desvencilhar-se de uma tradição herdada pelos seus pais e avós, que consideram “arte”.

No entanto, o senhor Federico Lemus, que frequenta as touradas há mais de 50 anos, reconheceu que algumas mudanças podem ser debatidas, como não matar o animal diante do público, como acontece em Portugal; embora deva ser mencionado que ao final do evento o touro é transferido para um matadouro.

“Os meus pais trouxeram-me e dizem que aqui aprendi a aplaudir […] Muita gente não considera, mas muitos pecuaristas, transportadores e comerciantes da praça vivem disso”, disse.

Dannaly Argumedo “adora touradas” há mais de uma década graças ao marido, que a apresentou a esta atividade desde que namoravam. Ao contrário de Federico, considera que as touradas à moda portuguesa “destruiriam a arte”.

Ele acrescentou que o touro bravo é criado “como um rei” durante vários anos para morrer na arena.

“Gosto do duelo até a morte que existe entre o homem e a fera. Porque no final das contas, antes de sair para a praça, ninguém sabe quem vai sobreviver […] Na verdade, o touro bravo, se não existissem touradas, desapareceria”, concluiu.

Na volta das touradas, a Monumental Plaza de Toros México registrou pelo menos 80% da capacidade.

Por Humberto Alemao Luna Moreno / Tradução de Alice Wehrle Gomide

Fonte: 88,9 Notícias

Os comentários abaixo não expressam a opinião da ONG Olhar Animal e são de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.