Porque me recuso a desistir de lutar pela liberdade do tigre Samson

Porque me recuso a desistir de lutar pela liberdade do tigre Samson

Por Carole Baskin / Tradução de Alice Wehrle Gomide

Um dia, quase cinco anos após ter me mudado para o Condado de Charlotte, eu abri meu jornal gratuito “Green Sheet” e encontrei um anúncio de uma mostra em uma feira de artesanato em Gilchrist Park, Punta Gorda, nos EUA. Eu fiquei chocada quando vi que a mostra apresentava um tigre vivo! Eu não podia acreditar no que estava lendo.

Eu imediatamente fiz a viagem até o parque para ver com meus próprios olhos se isso era verdade. Para meu desgosto, lá estava ele, um tigre macho adulto chamado Samson, em uma jaula na parte de trás da mostra de arte e artesanato. Eu fiquei furiosa por alguém pensar que estava tudo bem explorar este tigre em particular para angariar fundos para alimentar todos seus animais em seu “refúgio” em Arcadia. Esta não era a primeira vez que um tigre ou animal selvagem tinha sido exibido em uma jaula no Gilchrist Park. Isso vinha acontecendo por algum tempo já.

A jaula não tinha nenhuma ventilação cruzada, pois estava cercada nos três lados por lonas de plástico. A proprietária do tigre ficou brava comigo por eu ter me oposto à exibição dele. Eu disse a ela que era cruel deixar um tigre definhando no calor e na umidade da Flórida o dia inteiro, mas ela se opôs, me dizendo que Samson “ama” vir aqui e ver as pessoas e as mostras de artesanato. Foi só mais tarde que eu descobri que este tigre estava sendo transportado em uma jaula minúscula, não somente de Arcadia para Punta Gorda, mas também para North Port, Venice e outros locais pelo sudoeste da Flórida.

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E foi assim que minha missão para acabar com esta loucura começou.

Salvando Samson

Eu reclamei para os comissários do Condado de Charlotte. Eu reclamei para o Conselho da Cidade de Punta Gorda. Ninguém quis me ouvir. Ninguém estava interessado.

Entretanto, com o tempo, eu conquistei alguns apoiadores e nós protestamos em cada mostra de artesanato em Gilchrist Park, fizesse chuva ou sol. Nós tínhamos panfletos e os demos para qualquer um que os pegasse. Após algum tempo, eu descobri que somente uma pessoa era responsável por autorizar a licença para que o tigre (ou qualquer outro animal selvagem) fosse incluído nas mostras. Aquela pessoa era o administrador municipal de Punta Gorda, Howard Kunik. Nós incluímos seu nome, e-mail e número de telefone em nossos panfletos. Nós pedimos a qualquer um que concordasse que Samson estava sendo explorado para entrar em contato com o administrador municipal e falasse sobre sua oposição à exibição do tigre.

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Depois de alguns anos, várias mostras, e muitas reclamações, o assunto finalmente foi levado ao Conselho da Cidade. Nós ficamos chocados ao ouvir o prefeito e os membros do conselho comparando cães domesticados, pôneis, e porcos sendo permitidos em parques a um animal selvagem, como um tigre macho adulto e grande, sendo permitido em parques. O prefeito e o conselho simplesmente não estavam interessados em perturbar a situação atual.

Naquele ponto, nós quase desistimos.

Persistência Compensa

Ao invés disso, nós decidimos perseverar e fazer tudo em nosso poder para convencer o administrador municipal a parar de autorizar essa licença. Nós nos reunimos com Kunik várias vezes. No começo ele parecia desinteressado, mas conforme o tempo passava, nós sentimos que conseguiríamos convencê-lo a agir em nosso favor. Foi nesse ponto que nós optamos por tentar uma petição.

Nós compusemos a petição e pedimos pelo apoio da ONG Animal Rights Foundation of Florida (ARFF). A ARFF apoiou nossa posição e nos deu permissão para usar seu logo em nossa petição, que então estava pronta para ser lançada. Na última temporada de inverno, em cada uma das seis mostras de artesanato, nós pedimos para os visitantes assinarem nossa petição. Eles foram esmagadoramente contra o transporte e o confinamento do tigre pela duração dos eventos no calor e na umidade da Flórida.

Na última mostra da temporada, nós fizemos uma pesquisa que perguntou aos visitantes porque eles escolheram vir à mostra de artesanato. Eles vieram pelas artes? Pela comida? Pelo tigre? Ou outra coisa? A maioria das respostas foi pelo artesanato, obviamente, e somente UMA pessoa disse que veio ver o tigre! Depois do fim da temporada, nós nos encontramos com Kunik e apresentamos as petições e as pesquisas.

Nós ficamos extasiados em constatar que nossos anos de protestos finalmente valeram a pena! Recentemente, Howard Kunik, administrador municipal da cidade de Punta Gorda, informou ao organizador do evento que a exibição de um animal selvagem enjaulado não será mais permitida. Nós aplaudimos Kunik por ter tomado a decisão certa pelos animais e pela sua atenção e paciência com nossas preocupações relacionadas a este assunto durante esses anos.

Entretanto, nosso trabalho está longe de ter acabado já que o tigre está sendo exibido em outros locais, tais como Shoppes em North Port.

Fonte: One Green Planet

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