Porque o governo da Austrália matou 700 coalas em segredo

O governo de Victoria, Estado que fica no sul da Austrália, admitiu na quarta-feira (4) que, entre 2013 e 2014, abateu 689 coalas da região de Cabo Otway, 230 quilômetros de Melbourne. Os animais foram recolhidos, sedados e mortos por injeção letal. Como o caso não foi divulgado ao público, ambientalistas estão acusando o governo de um “abate secreto” de coalas. Segundo o governo, a medida foi necessária para conter a superpopulação dos marsupiais.

A superpopulação é um problema antigo na Austrália. Desde o começo do século passado, o país vem deslocando populações de coalas, tirando-os de áreas já desmatadas ou fragmentadas e introduzindo-os em outras florestas. A floresta onde ocorreu o abate é uma dessas. Os coalas estão lá há mais de três décadas, e encontraram o ambiente perfeito: muita comida e poucos predadores. Logo, a população de coalas explodiu na região. Biólogos acreditam que o ideal é uma concentração de um coala por hectare. Em Cabo Otway, a concentração estava em 20 coalas por hectare.

O governo justifica o abate de quase 700 animais dizendo que a superpopulação estava causando dor e sofrimento aos próprios animais. Primeiro, eles comeram todas as folhas, e o excesso de animais se alimentando impedia a regeneração das árvores, que morriam. Sem árvores, eles começaram a morrer de fome. Foi quando o governo começou a recolher os animais em pior estado. Segundo as autoridades, não houve um abate, e sim uma eutanásia para evitar o sofrimento.

A justificativa não convenceu os grupos de direitos dos animais. A Fundação Australian Koala publicou uma nota dizendo que a superpopulação em Cabo Otway é resultado “da péssima gestão do governo”. O que mais irritou os ambientalistas é que o abate foi feito às escuras, e nada foi divulgado na época em que ocorreu. “Se esse abate, disfarçado de ciência, era tão importante, por que foi feito em segredo?”, diz a nota.

A secretária de Meio Ambiente do Estado de Victoria, Lisa Neville, disse que os abates foram feitos na administração anterior, pelo partido que hoje está na oposição, e prometeu que o manejo dos animais não será mais feito em segredo. Mas deixou claro que novos abates podem ser necessários. “Eu não quero ver coalas sofrendo. Eu quero ter certeza de que tomaremos a melhor decisão para enfrentar o problema de superpopulação”, disse, segundo a TV australiana ABC.

Os coalas não estão ameaçados de extinção mas, no leste da Austrália, são classificados como “vulneráveis”. Em compensação, no sul do país, há vários casos de superpopulação como o de Cabo Otway.

Fonte: Época 

Nota do Olhar Animal: O que se diria sobre praticar a “eutanásia” em humanos que estivessem passando fome, a fim de lhes evitar o sofrimento? Este argumento seria razoável para se promover a matança? A justificativa obscena do governo australiano é a mesma dada por aqui para o extermínio de outros animais, por ação governamental e até mesmo pela de ONGs. que se acham no direito de abreviar a vida de seres indefesos, Ficam eles à mercê da ignorância ou de valores hipócritas, que ilegitimamente revogam o principal direito dos seres sencientes: o direito à vida. O extermínio não é nada misericordioso, é sempre um ato egoísta e vergonhoso. Não tem nada a ver com eutanásia. Muitos agem assim para aliviar o seu próprio sofrimento, não o dos animais. Quanto às ações ambientalistas, intervem-se com tranquilidade para danar os animais. Já a intervenção para lhes proporcionar um bem muitas vezes é vista como um sacrilégio. É muita, mas muita hipocrisia.

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