Porto Nacional (TO) inicia projeto de encoleiramento em massa de cães para controlar o avanço da leishmaniose visceral

Porto Nacional (TO) inicia projeto de encoleiramento em massa de cães para controlar o avanço da leishmaniose visceral

Ação do Ministério da Saúde levará a coleira repelente a cães de diversos bairros do município, como uma das ferramentas de controle visando reduzir a infecção em humanos e o extermínio de cães.

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Em 2013, a cidade de Porto Nacional (TO) teve 08 casos humanos de leishmaniose visceral, sem óbitos constatados. A doença também atinge os cães que, quando diagnosticados com a zoonose, precisam ser sacrificados, pois se tornam reservatórios da doença no meio urbano. Uma das formas de combater o avanço do problema é, justamente, prevenir que os animais de estimação sejam infectados. Por isso, depois de estudos que comprovaram o perfil endêmico da região, o município foi escolhido para receber o projeto “Avaliação da efetividade do uso das coleiras impregnadas com inseticida para o controle da leishmaniose visceral’’, promovido pelo Governo Federal. 

A iniciativa consiste no encoleiramento em massa de cães com Scalibor, um colar impregnado com deltametrina a 4%, princípio ativo repelente e inseticida recomendado pela Organização Mundial da Saúde como uma das principais formas de controle da doença. A coleira é indicada para o combate dos insetos transmissores da leishmaniose (flebotomíneos), moscas e como auxiliar no controle de carrapatos e pulgas. O encoleiramento em Porto Nacional terá início no dia 02 de junho.

A cidade foi analisada pelo Ministério da Saúde e escolhida de acordo com a gravidade da doença em humanos. De acordo com o Centro de Controle de Zoonoses – CCZ, órgão responsável pelo controle de agravos e doenças transmitidas por animais, além dos casos humanos, Porto Nacional teve 350 casos caninos positivos.

“Nesse primeiro momento serão 5 bairros escolhidos e destes, 2 terão os cães encoleirados e os outros 3 serão monitorados para o controle da doença”, explica o Dr. Wilson Rocha, do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ). Os bairros contemplados pelo encoleiramento serão: Vila Nova e Nova Capital. Já os que receberão o monitoramento serão: Aeroporto, Novo Planalto e Brigadeiro Eduardo Gomes. Cerca de 1.200 cães receberão a coleira em Porto Nacional, na primeira etapa da ação.

Para Andrei Nascimento, médico veterinário e Gerente Técnico da MSD Saúde Animal, essa iniciativa, assim como já ocorreu em outras regiões do país e do mundo, ajudará a reduzir a incidência da doença em humanos, o número de óbitos e a prevalência canina diminuindo a dependência do extermínio, que é hoje a principal estratégia de combate à leishmaniose visceral no Brasil. ”A coleira à base de deltametrina a 4 % repele e mata o mosquito transmissor da leishmaniose sendo a conscientização do seu uso fundamental para controlar a expansão da doença”, explica Nascimento.

As coleiras serão distribuídas gratuitamente pelo governo, de casa em casa, acompanhadas por um exame de sangue de rotina, realizado regularmente para diagnosticar a evolução da doença na comunidade canina. 

Fonte: SEGS

Nota do Olhar Animal: Não é verdade, ao contrário do que afirma a matéria, de que os cães com leishmaniose “precisem” ser exterminados. Há tratamento para a doença. A matança deste animais não é um ato de misericórdia para com eles, tão pouco uma medida eficaz contra a disseminação da doença. É tecnicamente equivocada e continua sendo usada devido, em boa parte, à soberba dos gestores públicos e de muitos membros da classe veterinária, além da incompetência técnica e inconsistência ética. Leia os artigos Leishmaniose tem tratamento, mas medicamento é proibido no Brasil e Leishmaniose e preconceito especista.

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