Portugal: Marinha Grande estuda projeto de aumento do canil municipal

Com uma capacidade entre 45 a 50 cães e oito gatos, o CRO da Marinha Grande tem, atualmente, alojados 58 cães e quatro gatos. “A capacidade de alojamento do CRO varia de acordo com o porte, temperamento, sexo e estado de saúde do animal, considerando que dispomos de 22 boxes para alojamento”, informou a Câmara da Marinha Grande em resposta escrita à agência Lusa.

Nesse sentido, a autarquia revelou que “está em estudo um projeto de ampliação das infraestruturas”, que entraram em funcionamento em novembro de 2016″.

Segundo a autarquia, tem-se verificado “um aumento no abandono de animais”, sendo “impraticável dar resposta a todas as solicitações, dado que o número de animais que saem por via da adoção é manifestamente baixo”.

“O problema do abandono animal no nosso país tem de ser combatido na sua origem e não no fim da linha, que são os CRO. Não combater o problema na sua origem é como estar a estancar uma grande hemorragia com um penso rápido”, acrescentou o Município.

A Câmara da Marinha Grande constata que “não é praticável” “dotar de espaço infinito e de condições dignas para alojar ‘ad aeternum’ todos os animais que são despejados diariamente nas ruas ou que são vítimas de maus tratos”.

“Os CRO, atualmente, já estão, na sua maioria, a funcionar como depósitos de animais, em que alguns deles estão condenados a aí viver toda a sua vida, pois nunca irão ser adotados”, admite a autarquia, salientando que “não é possível gerir os CRO nessas condições”.

A Marinha Grande aboliu a prática de eutanásia de animais saudáveis “há mais de 10 anos”. Os animais errantes são “alojados no CRO” e recebem “os cuidados de saúde primários, nomeadamente vacinações e desparasitações, bem como o seu tratamento quando doentes”.

Em 2017, no canil da Marinha Grande foram adotados apenas 25 cães e 12 gatos. Em 2018, até ao momento foram adotados 23 cães e 10 gatos.

A APAMG – Associação Protetora dos Animais da Marinha Grande tem cerca de 220 animais ao seu cuidado diariamente e outros 60 em famílias de acolhimento. Voluntária da APAMG, Catarina Contente confessou à Lusa que não é fácil gerir um número tão elevado de animais abandonados.

“O número de animais acolhidos há muito que ultrapassou os nossos limites. O facto de não termos um espaço próprio dificulta ainda mais. Dispomos de vários espaços emprestados ou cedidos gratuitamente. Vivemos a apelar constantemente a mais e mais famílias de acolhimento e fomentamos arduamente a adoção”, afirmou.

Na Marinha Grande, são conhecidas as matilhas de cães na zona das matas, tendo já se registado ataques a pessoas. Para Catarina Contente, “a solução para a resolução desta situação passa única e exclusivamente por dar continuidade ao trabalho da APAMG nos últimos anos: identificar, recolha de todos os animais dóceis que possam surgir, identificar os cios das fêmeas, tentativa de as recolher para esterilizar (e devolvê-las ao seu habitat após esterilização, por não serem domesticáveis), sinalização e recolha das ninhadas mal possam ser desmamadas”.

Catarina Contente revelou ainda que, em 2004, a APAMG ofereceu ajuda à autarquia no sentido de cuidar dignamente dos animais do canil municipal, divulgá-los no sentido de encontrar os donos ou fomentar a adoção”.

“Esse trabalho produziu efeitos quase imediatos. Um ano e meio depois, o abate de animais saudáveis no canil da Marinha Grande estava erradicado. Por essa altura, a APAMG iniciou uma campanha de esterilização das fêmeas de rua ou do canil municipal, assumindo todas as custas em prol da redução massiva da natalidade. Ao longo dos anos fomos intensificando a recolha de donativos para fazer face às inúmeras esterilizações e atualmente asseguramos todas as esterilizações. Se foi possível tantos anos sem abate proporcionado por uma associação de voluntários dedicados, rejeitamos qualquer retrocesso nessa matéria”, sublinhou.

Para a voluntária, uma das respostas deve passar pelas autarquias facultarem “cuidados básicos de saúde e esterilizações a preços ajustados à realidade económica das famílias e empenharem-se nas esterilizações e na saúde dos animais de rua”.

“Devem também investir em formação e campanhas de sensibilização, nas escolas, nas empresas, nos centros de emprego e formação profissional, nas feiras, etc. É possível, basta querer-se”, acrescentou.

Catarina Contente referiu ainda que “durante 14 anos a APAMG ajudou a autarquia, substituindo-se muitas vezes à própria Câmara Municipal em despesas, recolha, transporte e prestação de cuidados básicos aos animais”.

“Infelizmente, com a inauguração do CRO, a Câmara Municipal dispensou a ajuda da APAMG por entender que era desnecessária, deixando ao nosso encargo o velho canil municipal, mas a trabalharmos como entidades totalmente distintas”, informou.

Fonte: DN / mantida a grafia lusitana original

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