Foto: TSF

Portugal: Mutilados pelo fogo, ajudados pela UTAD

Já passaram três semanas desde os grandes incêndios de outubro mas em Vila Real, no hospital veterinário da UTAD, continuam alguns animais afetados pelos fogos. Alguns com prognóstico muito reservado, mas todos em recuperação. São histórias de animais que fugiram literalmente à morte.

Como é o caso da única cabra que se consegui salvar quanto o fogo de Gouveia levou todo o rebanho. “O rebanho foi destruído e o dono ficou sem casa, sem rebanho, sem cortes e as pessoas de lá pediram ajuda e nós recebemos o animal”.

O animal diz o médico veterinário Filipe Silva, aguentou estoicamente o fogo e na fuga partiu uma perna. Muito provavelmente acrescenta o clínico, terá perdido também os filhos. “Agora está aqui com uma tala, na patita que partiu, está serena. Quando chegou tinha leite, tinha leite. Muito provavelmente teria filhos”, e acrescenta que “dentro de três semanas já deverá sair”.

O animal diz o médico veterinário Filipe Silva, aguentou estoicamente o fogo e na fuga partiu uma perna. Muito provavelmente acrescenta o clínico, terá perdido também os filhos. “Agora está aqui com uma tala, na patita que partiu, está serena. Quando chegou tinha leite, tinha leite. Muito provavelmente teria filhos”, e acrescenta que “dentro de três semanas já deverá sair”.

A cabra chegou ao hospital veterinário da Universidade de Trás-os-Montes identificada como “cabra”, sem nome e, esta heroína vai sair de lá no anonimato porque diz Filipe Silva. “Nunca lhe demos nome. Normalmente estes animais até podem ter nome mas como são efetivos muito grandes, alguns não têm, (mas pode ter e não sabemos). Normalmente é identificada pelo brinco. Aqui entrou cabra e vai sair cabra”, conclui o médico veterinário.

Ao contrário da Cabra, a égua Tiara tem nome e na ficha clínica um prognóstico muito reservado. Escapou ao incêndio de Tondela. “Este é um dos casos mais complicados que temos. Os quatro cascos estão em risco de cair. É um caso de muito, muito mau prognóstico”.

Ainda assim Filipe Silva tem esperança que ela possa recuperar. “Para já está a aguentar. Está aqui há duas semanas, está a comer. Está a ser medicada para as dores. Tem feridas muito feias. Daqui não se vêm mas ali, a parte do traseiro está todo em carne viva. Deve ter passado a noite toda em cima de brasa, literalmente. O animal não deve ter encontrado uma zona livre de perigo e queimou-se em contacto com o chão quente. Mas para já ainda tenho esperança. Vamos aguardar”.

Filipe Silva explica o que foi e o que está a ser feito ao animal. “Tem uma espécie de palmilha para o apoio não doer tanto. Para lá dos cascos queimados tem também queimaduras de pele nas pernas e por isso é que tem aquela espécie de ligaduras nos membros. Esta, em termos de queimaduras é a pior. Está ali outro que inalou gases tóxicos”.

Chama-se De Vito e veio de Vieira do Minho. Está na boxe ao lado da de Tiara. Nota-se bem a dificuldade respiratória do animal… ainda não está livre de perigo. “Inalou fumos e tem um problema respiratório complicado. Está muito mal apesar de estar um pouco melhor mas ainda não está livre de perigo”.

As próximas duas semanas serão cruciais para a Tiara e para o De Vito. Ao lado estão mais dois cavalos com uma história semelhante e com queimaduras em grande parte do corpo. Fugiram do grande fogo de Oliveira do Hospital. Um chama-se Cenizo. ” É um macho. Está bastante queimado mas está francamente melhor. Foi um companheiro meu que nos alertou que eles estavam lá em Oliveira do Hospital e uma equipa da UTAD foi lá busca-los. Lá era impossível trata-los”.

O Cenizo e o companheiro que fugiram da morte acrescenta o médico veterinário Filipe Silva. “O companheiro dele estava bastante pior. Eram de uma senhora que tinha três. Teve que soltá-los para fugiram (do fogo). Um deles nunca chegou a aparecer e este apareceu no dia seguinte em muito mau estado”.

Apesar das melhorias bem visíveis, os dois tiveram queimaduras de 2º grau e precisam de cuidados constantes.

O médico de animais da direção do Hospital veterinário da Universidade de Trás-os-Montes acrescenta que o esforço que diariamente a equipa de médicos e enfermeiros faz para recuperar estes animais tem também sido uma boa forma de aprendizagem para todos, professores e alunos do curso de veterinária. “Porque o tipo de cuidado que eles necessitam é diário e várias vezes por dia. Limpar as feridas, administração de medicamentos, etc. E aí dá jeito ter uma grande equipa”.

Para já estes animais ficam em repouso, principalmente os cavalos. Logo que possam vão dar os primeiros passos no picadeiro do hospital e, muito pela certa, haverão de ter sessões de fisioterapia, dentro de água na moderna piscina que o hospital Veterinário de UTAD construiu recentemente. Quanto à Cabra… heroína, é bem provável que dentro de duas semanas volte a passear pelos montes que não arderam, na serra da estrela.

Fonte: TSF

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