Portugal: RIAS salva número recorde de animais selvagens

Portugal: RIAS salva número recorde de animais selvagens

Por Sara Alves

Só em janeiro de 2016, a equipa recebeu mais de 150 animais do que em igual período, em anos anteriores. «Nesse mês costumamos receber no máximo entre 20 a 30 animais», explica Fábia Azevedo, coordenadora e bióloga do RIAS, o único hospital e centro de recuperação de animais selvagens do Algarve e um dos poucos a nível nacional. O aumento explica-se em parte, «pela divulgação e sensibilização ambiental que fazemos», mas também devido a novas ameaças. «No início, não recebíamos tantos animais que batem em torres eólicas e aerogeradores, nem tantos animais atropelados, envenenados ou baleados», explica. Apesar de ter as maiores jaulas exteriores no país, a ampliação das instalações para os animais é urgente face ao crescendo de solicitações diárias.

O RIAS existe 1981, mas a associação ALDEIA é responsável pela sua gestão desde 2009. A equipa é composta por cinco elementos. «O projeto é uma parceria entre o ICNF (Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas), a associação ALDEIA e o Aeroporto de Faro que nos dá a maior parte do financiamento». O objetivo final é sempre o mesmo: a devolução dos animais à natureza. «Preenchemos fichas com todas as informações das pessoas que entregaram animais no centro. Se o animal for devolvido à natureza, telefonamos e convidamos a pessoa a estar presente, ou pelo menos, informamos que o animal está recuperado e o vamos libertar. Para que percebam que aquilo que fizeram não foi em vão! Se as pessoas não conhecerem o que as rodeia, não vão conservar e preservar», considera.

Os animais que não possam ser devolvidos à natureza, quer por estarem domesticados ou pela sua libertação representar um grande perigo para si mesmos, são encaminhados para zoos ou parques biológicos onde possam vir a servir para educação ambiental ou programas de reprodução, quer a nível nacional ou internacional.

«Se a rede de recolha funcionasse haveria menos casos de cativeiro ilegal»

«Tratamos todos os animais de igual forma independentemente do estatuto de conservação, mas para isso é preciso cá chegarem», diz a responsável Fábia Azevedo. As equipas de recolha – o SEPNA da GNR e os vigilantes da natureza dos parques naturais – têm essa função, mas enfrentam limitações financeiras «muito grandes». «A falta de resposta por parte das autoridades poderá gerar situações de ilegalidade que deveriam estar a ser combatidas». «Aumenta muito a probabilidade das pessoas manterem os animais» selvagens que encontraram feridos «em cativeiro. Pensam que estão a fazer a coisa certa porque sentem-se responsáveis». Azevedo pede a quem encontrar animais selvagens feridos, se não os puder entregar diretamente no RIAS (em Olhão), que os entregue no posto da GNR mais próximo.

Hotelaria amiga da natureza

Uma das formas de contribuir para o RIAS é apadrinhando um animal. Há várias opções, a título particular, em grupo, ou empresarial, que variam entre os 15 e os 35 euros. Escolas (ou turmas) e empresas também podem aderir, ao abrigo da «lei do mecenato ambiental». «Por exemplo, a empresa de fotografia Niobo, com sede em Olhão, apadrinhou em 2015 todas as cegonhas em recuperação! Sempre que uma cegonha estava pronta para ser devolvida à natureza, a empresa participava com membros da equipa ou clientes. O Hotel Real Marina de Olhão, e o resort Vila Vita Parc, em Porches, também têm apadrinhado imensos animais, uma colaboração fantástica». Esta é uma situação «interessante para os hotéis, sobretudo os que têm bons jardins onde se pode fazer a devolução do animal à natureza. Regra geral, os clientes são convocados e todos assistem à libertação».

Curso de iniciação à observação de aves

Realiza-se nos dias 14 e 15 de maio, na Ecoteca de Olhão e Parque Natural da Rua Formosa a primeira edição do «curso de iniciação à observação de aves», ministrado por um técnico ornitólogo do RIAS. «Sentimos que há cada vez mais pessoa interessadas na observação de aves, mas as pessoas não sabem bem como começar. Vamos dar algumas dicas como e para onde olhar, explicar os diferentes tipos de habitat, a cor das penas, regras de conduta que devem ser respeitadas, qual a melhor hora e locais para observar aves, as espécies mais comuns no Algarve, entre outros. Depois no campo, colocaremos em prática os conhecimentos adquiridos», explica Fábia Azevedo, bióloga e coordenadora do RIAS. Até dia 7 de maio, a inscrição custa 60 euros para o público em geral. No dia 13 de maio, em Olhão, organizada em parceria com o grupo de corridas «Corridas à sexta» e a Câmara Municipal de Olhão. Quem quiser poderá contribuir com um donativo para o RIAS.

Portugal rias salva recorde animais2

Portugal rias salva recorde animais3

Portugal rias salva recorde animais4

Portugal rias salva recorde animais5

Portugal rias salva recorde animais6

Portugal rias salva recorde animais7

Portugal rias salva recorde animais8

Portugal rias salva recorde animais9

Portugal rias salva recorde animais10

Portugal rias salva recorde animais11

Fonte: Barlavento

Mais notícias

{module [427]}

{module [425]}

Os comentários abaixo não expressam a opinião da ONG Olhar Animal e são de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.