Portugal: Santuário para proteger cavalos-marinhos da ria Formosa

Portugal: Santuário para proteger cavalos-marinhos da ria Formosa

Zonas de proteção exclusiva, onde é proibida qualquer atividade, turística ou de pesca, poderão evitar o desaparecimento dos cavalos-marinhos na ria Formosa. Era a maior comunidade de cavalos-marinhos do Mundo e está a desaparecer. Em 2001, havia mais de 1,3 milhões de animais na ria Formosa, agora só se contam 155 mil. A pesca ilegal para o mercado asiático está a contribuir para o cenário devastador.

“A pesca que existe hoje é insustentável, é em números demasiado grandes e não permite à espécie recuperar”, explica Miguel Correia, investigador do Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve, que fez o último censo populacional. A campanha lançada com a Fundação Oceano Azul já está a dar frutos. “Conseguimos reunir com várias entidades de fiscalização”.

Agora, o investigador quer criar zonas protegidas. “Uma espécie de santuário, onde não pode haver nenhuma atividade. Para as espécies poderem recuperar e reproduzir-se”, diz.

No início do ano, depois de saber da pesca ilegal, Miguel Correia mergulhou na ria Formosa. Foi de fita métrica e papel à prova de água na mão, para anotar tudo: espécie, sexo, habitat, profundidade. Foi exatamente aos mesmos 32 locais onde, em 2001, uma investigadora da Universidade British Columbia, do Canadá, concluiu que ali estava a maior comunidade do Mundo, em densidade: 1,3 milhões de cavalos-marinhos.

O investigador já lá tinha estado em 2012, no âmbito do seu doutoramento. Na altura, calculou haver 747 mil cavalos-marinhos. Agora, ao regressar, confirmou o que esperava: “É dramático. É um choque ir a sítios onde cheguei a encontrar 122 cavalos-marinhos e, no mesmo sítio, só encontrar um”. O investigador estima que agora vivam na ria 155 mil, menos 600 mil do que há seis anos.

As razões são várias. “Perda de habitat, poluição, embarcações turísticas a passar de um lado para o outro, que causa stress a estas populações, e atividades ilegais que se estão a intensificar”, explica.

Criação em cativeiro

A pesca ilegal faz-se por arrasto, além de apanhar cavalos-marinhos, traz outras espécies e destrói os fundos. É dirigida à captura de cavalos-marinhos para o mercado asiático, onde são usados na medicina tradicional oriental. São transformados em pó para criar soluções para a atividade sexual ou para a asma.

Desde 2007, Miguel tem um programa de criação em cativeiro, mas ainda não equaciona a reintrodução: “Vamos estar a reintroduzir para depois alguém os ir pescar no dia seguinte? É trabalho inglório”.

Por Catarina da Silva

Fonte: Jornal de Notícias / mantida a grafia lusitana original

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