Preconceito cria barreiras e dificulta adoção de cães e gatos vítimas de maus-tratos em Presidente Prudente, SP

Preconceito cria barreiras e dificulta adoção de cães e gatos vítimas de maus-tratos em Presidente Prudente, SP
Brancão esperou ao longo de sete meses no CCZ até ser adotado — Foto: Aline Costa/g1

A cor, a raça indefinida, a idade, a aparência ou até alguma deficiência não impedem que cães e gatos espalhem alegria e amor por onde passam. No entanto, o preconceito acaba sendo um fator decisivo na hora da adoção desses bichinhos no Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), em Presidente Prudente (SP).

Muitas feiras de adoções são feitas pelo CCZ. Porém, o resultado nem sempre é positivo. Prova disso é o Brancão, que viveu no local ao longo de sete meses. Ele, que não é mais um filhote, foi deixado lá depois de ser vítima de maus-tratos e, embora a alegria dele seja contagiante, só ganhou um novo lar na última sexta-feira (25), quando foi adotado.

“Ele é saudável, é um adulto meio filhote e muito brincalhão, mas não se enquadra no que as pessoas procuram, infelizmente. Pela aparência, por ser muito ativo, o preconceito tem falado mais alto e impedido que ele receba sua chance. Não existe padrão de beleza”, falou ao g1 Ricardo Barbosa, gerente do CCZ.

Brancão é um cachorro amoroso, gosta de brincadeiras e não pode ver pernas que quer pular. Apesar do preconceito que o cerca, não deixa de encantar aqueles que têm contato diário com ele.

Brancão chegou ao CCZ com as duas irmãs, que foram adotadas antes dele — Foto: Luana Araújo/CCZ
Brancão chegou ao CCZ com as duas irmãs, que foram adotadas antes dele — Foto: Luana Araújo/CCZ

“Ele chegou com duas irmãs, que já foram adotadas. Por ele ficar preso muito tempo, as pessoas que nos visitam em busca de adotar um animal pensam que ele vai fazer muita bagunça, por conta do jeito agitado que ele fica. Mas não é isso, ele só está extravasando um pouco, não tem muito contato com humanos e, quando tem, fica muito feliz”, explicou Barbosa.

Vítima de maus-tratos, Brancão esperou dia após dia sua hora de ganhar um lar. Por isso, o gerente do CCZ acredita que o preconceito com os animais precisa acabar.

“A última feira que fizemos mostrou ainda mais como o preconceito existe nas pessoas. Foi muito difícil, ouvimos coisas terríveis. Assim como o Brancão, todos que estão hoje no CCZ merecem receber todo amor e carinho do mundo. Aqui eles são bem cuidados, tratados com paciência, mas nada se compara a ter uma família de verdade. Faz sete meses que ele está com a gente, indo e voltando de feiras de adoção, é uma pena, pois tenho certeza de que ele daria muita alegria para aquele que lhe desse a chance que ele tanto espera”, disse Barbosa ao g1.

Brancão esperou ao longo de sete meses no CCZ até ser adotado — Foto: Aline Costa/g1
Brancão esperou ao longo de sete meses no CCZ até ser adotado — Foto: Aline Costa/g1

O mesmo acontece com outros animais também, inclusive com os gatos, principalmente se forem pretos e machos. A superstição de que gatos pretos dão azar é um fator que implica muito no momento da adoção.

Vídeos de gatinhos podem conquistar muita gente na internet, mas fora das redes eles não possuem tantos fãs assim. Isso porque o preconceito também envolve a reputação dos felinos e isso atrapalha na hora de conseguirem um lar. Até a idade avançada dos bichinhos é vista como uma característica não tão boa.

Gatos pretos, machos e com a idade avançada também são vítimas de preconceito — Foto: Aline Costa/g1
Gatos pretos, machos e com a idade avançada também são vítimas de preconceito — Foto: Aline Costa/g1

“As pessoas que procuram pelos gatos só querem os filhotes. Aqueles que estão um pouco mais crescidinhos já não interessam mais. Os adultos, então, sem chances. A situação fica ainda pior se for um macho ou ser for da cor preta. É muito preconceito envolvido em algo que deveria ser uma atitude de amor”, ressaltou Barbosa ao g1.

O gerente do CCZ ainda contou ao g1 que na última feira de adoções realizada em Presidente Prudente a equipe recebeu muitas críticas e até que os animais eram feios as pessoas disseram.

Quem confirma isso é a agente do CCZ, Luana Araújo. Ela, que demonstra muito amor e cuidado com animais, disse que se sentiu muito mal diante da situação que enfrentaram.

Gatos com a idade avançada também são vítimas de preconceito — Foto: Aline Costa/g1
Gatos com a idade avançada também são vítimas de preconceito — Foto: Aline Costa/g1

“Imagine para nós, que estamos todos os dias com eles, escutar coisas como essa. Antes de chegarem à feira, eles tomam banho, limpam as orelhas, nós conferimos tudo para que eles possam ter um momento de esperança. É muito triste. Estamos todos abalados por uma pandemia, mas nada justifica. Só que nós não vamos desistir, pois sabemos que tem quem realmente ama esses animais e se importa com eles”, falou ao g1.

Uma nova feira de adoção dever ser realizada no início de março, conforme o gerente do CZZ. O departamento vai expor os animais no Calçadão da Rua Tenente Nicolau Maffei, no Centro de Presidente Prudente.

“É mais uma chance para as pessoas abrirem seus corações e levarem para casa aqueles que não têm maldade nenhuma, só sabem nos dar amor. Quem sabe o tão sonhado lar chegue para tantos outros”, pontuou Barbosa ao g1.

Serviço

O Centro de Controle de Zoonoses funciona na Rua Presidente Castelo Branco, nº 93, no bairro Parque Castelo Branco, em Presidente Prudente. Os telefones de contato são (18) 3905-4220 e (18)3905-2156. O atendimento é de segunda-feira a sexta-feira, das 7h às 12h e das 14h às 17h. Para adoção e coleta de sangue dos animais, o atendimento é das 7h30 às 12h e das 14h às 16h30.

Por Aline Costa

Fonte: G1

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