Preconceitos criam barreiras para a adoção de animais

Preconceitos criam barreiras para a adoção de animais

Por Roseli Servilha

Esperança é uma cadelinha carinhosa, brincalhona e cheia de energia. Dócil, deixa até mesmo desconhecidos acariciarem seus brilhantes pelos negros. Tantas qualidades, no entanto, não foram suficientes para que a simpática cachorrinha encontrasse um novo lar. É que Esperança já não é mais um filhote. E isso diminui bastante as chances dela ser adotada.

“A maioria das pessoas interessadas em adotar um bicho de estimação tem preferência por filhotes. As pessoas costumam achar que os cães adultos têm mais dificuldade de aprendizado, mas são os filhotes que precisam passar pela fase de adaptação no ambiente, exigem mais cuidados”, explicou Urânia Almeida, presidente voluntária da Associação Brasileira Protetora dos Animais (ABPA-BA).

A idade dos animais não é o único elemento alvo de discriminação por parte de quem procura um novo pet. Existe preconceito, não só por serem sem raça definida. Há também pessoas que não querem adotar animais pretos, como no caso dos gatos, que ainda sofrem pelo mito de serem azarentos.

Em alguns casos, quando conseguem adoção, são levados para serem sacrificados em rituais religiosos”, revelou Urânia. Ela ressalta que a adoção colabora para que o abrigo que é mantido pela ABPA possa receber outros animais abandonados, que chegam todos os dias.

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Para a ativista Patruska Barreto, a adoção de animais, além de ser um gesto de amor, revela desprendimento. “Quando você adota, não pensa em status, na raça que está na moda. Você adota pensando em ter um companheiro e, ao mesmo tempo, fazendo sua parte social, ajudando animais que foram vitimas de crueldades ou os livrando de serem as próximas vitimas”, disse.

A bióloga marinha Doroth Alvez, 31, adotou a cadela Bambi no abrigo mantido pela ABPA, em Paripe. Doroth disse que precisava de uma companheira para o cachorro Thor.

“Me perguntaram se eu tinha alguma restrição por ela ser deficiente visual. Não importava como ela fosse, cuidaria e amaria da mesma maneira. Sempre gostei de cachorros, não pago valor algum por nenhum deles, sempre optei pela adoção”, disse a bióloga.

Já a fisiculturista Mariana Rios contou que adotar o pequeno Bilico (um cãozinho de 2 meses) a ajudou a superar a morte de sua cadela, de 14 anos. “A casa ficou muito triste e vazia. Como amo animais, pensei em comprar outro cachorro, mas refleti que adotar seria muito melhor, porque o beneficio seria recíproco”, relatou.

Mariana adotou Bilico numa feira organizada pela ativista Patruska. “Nem consultei meus pais, que também estavam abatidos pela perda. Mas foi uma surpresa muito agradável para eles”, concluiu.

Para os interessados em adotar a amável Esperança (a cachorrinha lá do início da matéria), basta enviar o pedido para o e-mail [email protected]
Feira é mais uma chance de pets ganharem nova família

Animais com histórias parecidas com a da cadelinha Esperança (que venceu o estado de desnutrição e sobreviveu a um câncer), terão uma nova chance de ganhar uma família neste domingo, 19, em mais uma feira de adoções organizada pela ABPA.

Os bichinhos estarão expostos das 9h às 13h, na praça Ana Lúcia Magalhães, próximo ao final de linha da Pituba. A ABPA mantém o abrigo São Francisco de Assis, em Paripe, no qual vivem hoje cerca de 400 animais, entre cães e gatos. Alguns estarão disponíveis neste domingo.

Para adotar, o interessado precisa amar animais, ter 18 anos ou mais, levar RG, CPF e comprovante de endereço, além de passar por uma entrevista e assinar um termo de compromisso.
A taxa de adoção custa R$ 60, valor arrecadado para ajudar a manter o abrigo. Os animais são castrados, vacinados, vermifugados e passam por avaliação veterinária antes de serem encaminhados para adoção.

A voluntária Patruska Barreto, que lidera uma rede de adoção de animais, alerta sobre casos de cães de raça que são abandonados, maltratados, massacrados e, por vezes, sofrem mais do que os vira-latas.

Segundo ela, esses cães são vitimas das “fábricas de filhotes” e criadores clandestinos, que os abandonam depois que não conseguem mais procriar.

Fonte: A Tarde

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