Prefeitura de Barcelona é denunciada pela matança de pombos

Prefeitura de Barcelona é denunciada pela matança de pombos
Pombas na praça Catalunya (Imagem: EFE)

A matança de 950 aves que ocorreu em dezembro na praça Catalunya começou a causar controvérsias. A Comissão de Proteção dos Direitos dos Animais do Colégio de Advogados de Barcelona e várias associações protetoras dos animais denunciaram a Prefeitura de Barcelona por ter permitido que tal matança tivesse ocorrido, o que foi contra a legislação vigente.

As entidades denunciantes, que fazem parte do Conselho Municipal de Convivência, Defesa e Proteção dos Animais, no qual também está representada a Prefeitura, consideram que o feito foi contra a Lei de Proteção de Animais de Catalunya, que proíbe provocar sofrimento físico ou psicológico a qualquer animal, e indica que para proceder a uma ação como essa, é necessária uma declaração da existência de uma praga por parte da Generalitat.

A Prefeitura, por sua vez, defende que a matança dessas aves era inevitável, já que seria instalada na praça uma feira de natal onde há venda de comidas, e as pombas poderiam transmitira algumas doenças.

Eva Díaz, jurista e membro da Comissão de Proteção dos Direitos dos Animais, garante que “a Prefeitura não cumpriu a legislação que obriga que o controle de animais seja feito preferencialmente pelas associações protetoras de animais”. Além disso, afirma que “a própria Prefeitura, através da Agência de Saúde Pública, nos confirmou há um ano que não ia mais realizar matanças como esta e que o controle das aves ia ser realizado por meio de uma distribuição de anticoncepcionais”.

Redução da População

Yolanda Vallbuena, da Fundação Altarriba, denuncia que a forma que foi feita essa ação neste caso está fora da normativa e garante que a argumentação feita pelos responsáveis municipais não se ajusta à realidade: “Temos estudos elaborados por médicos do Instituto Catalão de Saúde, que demonstram que é falso que exista um risco sanitário que justifique um massacre como o que ocorreu. De acordo com os médicos, doenças podem ser transmitidas mais doenças por comer frango nessas feiras do que pela presença das pombas”.

Além disso, Yolanda afirma que com o uso dos anticoncepcionais, “como vem sendo feito em muitas cidades da Europa há anos, a população das pombas é reduzida em 24% somente em um ano, e 60% no decorrer de vários anos. Não há que realizar matanças onde causam sofrimento aos animais para controlar a população de aves”. E considera que o método utilizado, o lançamento de redes, provoca a captura de outros tipos de aves, “podendo com que matem aves que estão especialmente protegidas”.

Críticas ao Sistema

O Colégio de Advogados também fez uma crítica severa sobre a forma que são realizadas essas matanças. “Causam sofrimento aos animais de uma forma terrível”, garante Eva Díaz, “e logo são atingidas com CO2”.

Também questionam a política da Prefeitura no tema de controle de aves na cidade, sobre todo o sistema de contratação da empresa encarregada de realizar essas ações, Columba Control. “Nos garantiram que não iam contratar mais empresas exterminadoras”, garante Eva, “mas curiosamente isso continua acontecendo e sempre pela mesma empresa, Columba Control. Já pedimos à Prefeitura que nos mostre os contratos que foram feitos com essa empresa, mas não há maneira de que a gente os receba”.

Sendo assim, a Comissão de Proteção dos Direitos dos Animais pediu a abertura de um expediente para “investigas a vinculação de membros da Agência de Saúde Pública e da Prefeitura de Barcelona com a empresa privada Columba Control para determinar as causas reais da contratação sistemática do extermínio de pombas com esta empresa, contratação que quebra a normativa referida”.

Por Carlos Rufa / Tradução de Alice Wehrle Gomide

Fonte: Metrópoli Abierta

Os comentários abaixo não expressam a opinião da ONG Olhar Animal e são de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.