Prefeitura de Belo Horizonte (MG) e ONGs alertam para aumento de abandono de animais durante a pandemia

Prefeitura de Belo Horizonte (MG) e ONGs alertam para aumento de abandono de animais durante a pandemia

O abandono de animais de estimação, principalmente cães, aumentou em Belo Horizonte durante a quarentena, segundo ONGs de proteção aos animais e a própria Prefeitura de Belo Horizonte.

Vídeo: Prefeitura de BH e ONGs alertam para aumento de abandono de animais durante a pandemia.

De acordo com um levantamento feito pela ONG Vida Animal Livre, os abandonos aumentaram cerca de 40% entre os meses de março e maio deste ano, na capital e na região metropolitana. A entidade abriga hoje cerca de 44 cães para adoção.

Val Consolação cuida dos animais abandonados e os prepara para a adoção. — Foto: Val Consolação/Divulgação

Val Consolação, ativista ambiental, faz parte da ONG e afirma que os pedidos de resgate e de ajuda por meio das redes sociais também cresceram. Ela relata que, apesar do desejo de ajudar, os voluntários não conseguem resgatar todos.

“Conseguimos resgatar o máximo que podemos, mas, ao mesmo tempo, temos que pensar que resgatar um animalzinho tem um custo alto por causa dos cuidados veterinários. Por isso, tentamos que esses cães sejam adotados o mais rápido possível, para abrir vagas para outros bichinhos”. 

O gerente de defesa dos animais da Secretária Municipal do Meio Ambiente de Belo Horizonte, Leonardo Maciel, também diz que tem percebido um aumento no número de abandonos e que isso aumenta a responsabilidade da prefeitura.

“É difícil fazer um levantamento de quantos animais foram abandonados nesses últimos meses, mas é visível que teve um aumento. A PBH continua com o trabalho de recolhimento de animais das ruas e das castrações. Mas, quando os números de animais abandonados aumentam, os custos aumentam também”.
 

Para ele, uma das razões para esse crescimento dos abandonos é o medo de que esses pets possam transmitir o coronavírus.

“As pessoas estão com medo de contrair a doença, mas nenhum estudo aponta que os bichos fazem parte da transmissão”, destaca. “A mensagem que a gente dá é: fique em casa com o seu animal. Ele não transmite a doença, e será uma companhia para este momento difícil”, conclui Maciel.
 

Animais bem tratados
 
Os animais abandonados durante a pandemia são de “perfis” diferentes dos que eram abandonados antes, de acordo com a Eliana Malta, diretora da ONG Rockbichos, que também notou um aumento do abandono durante a quarentena em Belo Horizonte.

Ela afirma que os animais são mais cuidados, dentro do peso ideal, vacinados e até com coleiras, o que pode significar que seus donos estão abandonando os pets também por causa das condições financeiras.

“Os cachorros abandonados neste período são animais que eram bem tratados, ou seja, seus donos estão os deixando por falta de dinheiro. A pandemia tem deixado muitas pessoas sem trabalho e, como os animais são despesas a mais, acabam sendo abandonados”, afirmou a diretora.
 

A ONG Rockbichos tem uma plataforma de adoção de animais e de apadrinhamento. — Foto: Divulgação

Uma das soluções propostas pela Prefeitura de Belo Horizonte para reduzir as despesas com os animais de estimação é o serviço gratuito do hospital veterinário municipal, que ainda não está em funcionamento.

Há uma semana, a prefeitura abriu um chamamento público para que ONGs se apresentem para gerenciar o hospital veterinário, que será público e atenderá cerca de 30 animais de famílias carentes por dia. A proposta é minimizar os abandonos e viabilizar a adoção de pets.

Adoção por conveniência 

Ao mesmo tempo em que o abandono dos pets tem crescido, Eliana Malta, da ONG Rockbichos, tem percebido um aumento na procura por animais em adoção. Segundo ela, o interesse por animais dos abrigos aumentou em 20%, porém, afirma que a maioria dos casos não são bem-sucedidos, já que tem pessoas que estão buscando cães apenas para este momento de “solidão”.

“Nós precisamos sim de pessoas para adotar. Nunca estivemos com tantos animais, mas não podemos correr o risco da pessoa estar querendo um animal apenas pra suprir suas necessidades psicológicas”.
 

A diretora afirma ainda que, para se adotar um animal em uma época como esta, as pessoas precisam pensar em como vai a ser a vida pós-pandemia.

“Agora tá todo mundo em casa, mas e depois? Tem que pensar em como vai encaixar um cão na sua rotina. Eles precisam de cuidados e de tempo”.

A ONG orienta sobre os cuidados que as pessoas devem ter quando adotam um animal. — Foto: Divulgação

Saiba como adotar
 
A prefeitura de Belo Horizonte tem, disponível para a adoção, 125 cachorros e 50 gatos. Os animais ficam nas dependências do Centro de Controle de Zoonoses, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. Para adotar, é necessário ser maior de idade, apresentar carteira de identidade e comprovante de endereço.
 
A prefeitura afirma que ” a unidade faz recolhimento de animais em situação de rua, e todos que chegam ao Centro, passam por uma consulta com médico veterinário, quando é feita uma avaliação clínica, para saber se o animal está com alguma lesão ou enfermidade.

Caso necessário, é iniciado tratamento com antibiótico, anti-inflamatório ou cuidados com as feridas. Além dessa avaliação, é feita vermifugação, vacina contra a raiva, controle de ectoendoparasitas e, no caso de cães, a coleta de sangue para realização do exame de leishmaniose”.

Para ver os animais que estão precisamos de um lar na ONG Rockbichos, basta acessar o site da entidade e escolher. Após a escolha, uma entrevista com o futuro dono é feita para saber em quais condições que esse pet irá viver.

Já na ONG Vida Animal Livre, para adotar um pet, é só acessar as rede sociais e escolher o novo amigo.

Por Dannyellen Paiva

Fonte: G1

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