Prefeitura de Leme (SP) terá 1 ano para reformar o Parque Ecológico

Prefeitura de Leme (SP) terá 1 ano para reformar o Parque Ecológico
Moradora de Leme reclama da alimentação do hipopótamo. (Foto: Ronaldo Oliveira/EPTV)

A Prefeitura de Leme assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) e terá um ano para resolver os problemas do Parque Ecológico apontados pelo Ministério Público. A procuradoria recebeu denúncias de que os animais estariam passando fome, sem remédios e exames, e vivendo em recintos inadequados.

No local, são tratados 62 bichos. O número já foi maior, mas muitos foram transferidos para outros municípios por conta das necessidades de adequação. Pelo TAC, o espaço dos macacos, por exemplo, precisa de poleiros, cordas e um abrigo. Já o lago do hipopótamo precisa de bomba e filtro para oxigenação.

O Ministério Público também fez outras exigências, como mudança do cardápio e regularização do registro dos animais. “A prefeitura está com problemas financeiros muito sérios. A arrecadação caiu, então por conta disso também algumas coisas deixaram de ser feitas”, contou o secretário municipal de Meio Ambiente, José Roberto Braghim.

O acordo passa a valer a partir do momento em que for homologado, mas a prefeitura afirma que ainda não foi informada sobre a homologação. Outra questão é que não se sabe se o próximo prefeito irá continuar a obra, já que o resultado da eleição na cidade está suspenso pela Justiça Eleitoral.

“Agora o que nós temos que fazer, independentemente de quem vai assumir, é já ir preparando esse projeto, fazendo os custos, encaixar no orçamento da prefeitura para que TAC seja cumprido a contento”, informou Braghim.

Prefeitura assinou um TAC para resolver problemas do Parque Ecológico (Foto: Ronaldo Oliveira/EPTV)
Prefeitura assinou um TAC para resolver problemas do Parque Ecológico (Foto: Ronaldo Oliveira/EPTV)

Entrada facilitada

A reportagem da EPTV encontrou o acesso à área onde estão os animais cercada por um tapume. Segundo a Secretaria de Meio Ambiente, o local está interditado desde 2014 pelo Departamento de Fauna do Estado de São Paulo. Por isso, a equipe não foi autorizada a entrar no espaço, mas a cabeleireira Misvânia Souza disse que há algumas semanas não teve dificuldade para visitar as jaulas.

“Existe uma abertura muito fácil de ser quebrada, eu não pulei muro, eu não arrebentei corrente, eu não fiz nada disso para ter acesso à área onde ficam os animais silvestres. Não havia placa nenhuma nem guarda patronal informando que não havia possibilidade de pessoas entrarem ali”, disse Misvânia.

Para ela, os bichos não estavam sendo alimentados de forma adequada.

“A primeira impressão que eu tive quando eu cheguei ao Parque Ecológico, antigo Zoológico, é que os animais não estavam sendo alimentados corretamente, porque eu notei que eles estavam extremamente com fome. Eu tirei fotos da alimentação do hipopótamo e vi que estavam servindo a ele feno”.

Braghim, porém, negou problemas na alimentação dos animais.

“Não estão passando fome. Aqui nós temos o biólogo, nós temos o veterinário que cuidam dessa alimentação. Então essa alimentação é uma alimentação balanceada”.


Nota do Olhar Animal: Lamentável que o MP tenha dado um prazo (e tão longo), ao invés de processar a Prefeitura pelos danos já causados aos animais. Aliás, é mais uma oportunidade que se perde para fechar um zoológico, instituição medieval que explora o confinamento de animais para divertir humanos e, muitas vezes, faturar com isso.

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