Prejuízo causado aos animais após tragédia em Mariana é tema de encontro no MPMG

Prejuízo causado aos animais após tragédia em Mariana é tema de encontro no MPMG

Diagnósticos dos impactos causados após rompimento da barragem da Samarco, em Mariana, foram apresentados nesta sexta-feira (21), durante encontro entre promotores do Ministério Público de Minas Gerais e especialistas que atuam em defesa da fauna atingida. “Toda a dimensão desses danos vai perdurar por muito tempo. Precisamos estar preparados para atuar frente às consequências desse desastre”, ressaltou o promotor de Justiça Carlos Eduardo Ferreira Pinto, que coordenada a atuação do MPMG em defesa do meio ambiente.

Integrantes do Grupo Especial de Defesa da Fauna (Gedef), os promotores de Justiça Anelisa Cardoso Ribeiro e Leonardo Castro Maia lembraram alguns dos pontos que fizeram parte de uma recomendação expedida à empresa logo após o desastre e, posteriormente, de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), assinado em 18 de novembro de 2015, para a implementação de uma série de medidas, como a elaboração do plano, a contratação de profissionais vocacionados, a remoção responsável dos animais e o acompanhamento do processo de adoção deles.

A médica veterinária Carla Sássi tamém participou do encontro e falou sobre as primeiras impressões no município de Barra Longa no dia do acidente. Ela falou sobre o trabalho conduzido por uma equipe de veterinários e voluntários para a difícil missão de resgatar animais em um ambiente desconhecido, perigoso, tomado por toneladas de lama. Segundo ela, no dia seguinte, foram resgatados 70 animais. “Conseguimos recolher aqueles que estavam nas margens, pois a maior parte dos animais que estavam no curso da lama não sobreviveu. As pessoas não os abandonaram, simplesmente não tiveram condições de resgatá-los”, disse.

Carla Sássi falou ainda sobre todas as dificuldades e desafios enfrentados durante os cerca de dois meses que permaneceu na região de Mariana em atendimento à fauna atingida. Ela contou, que, diante da desorganização e caos que se instalaram no município, foi preciso traçar um plano de ação, que resultou no aluguel de baias, cadastro de animais e de doações, na contratação de equipes pela Samarco, na restrição de acesso a voluntários e imprensa e na entrega de animais para tutores e para adoção.

O gestor do Parque Estadual do Rio Doce, Vinícius Moreira, fez um relato sobre os problemas enfrentados pela unidade de conservação após o rompimento da barragem: morte de animais como como lontras e capivaras, comprometimento no fluxo de aves migratórias, influência na reprodução das aves, impossibilidade de travessia de animais silvestres. “A destruição do corredor ecológico talvez seja o maior impacto que temos hoje”, disse.

O parque foi criado em 1944 e abrange os municípios de Marliéria, Timóteo e Dionísio em mais de 100 mil hectares de extensão. Com uma riqueza hídrica sustentada por cerca de 300 lagos e com 1.129 espécies de animais – várias delas ameaçadas de extinção, a unidade de conservação sofreu com a chegada da lama conforme explicou Vinícius Moreira.

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Lama da barragem de Fundão atingiu sete distritos de Mariana, na região Central de Minas. (Foto: Corpo de Bombeiros / Divulgação)

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