Presidente do Conselho de Veterinária do Piauí desabafa e diz que decreto sobre atendimento 'gera conflito'

Presidente do Conselho de Veterinária do Piauí desabafa e diz que decreto sobre atendimento ‘gera conflito’

O presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV), Anísio Neto, criticou a não inclusão do atendimento de saúde para animais durante o período de maior rigidez no isolamento social determinado em decretos estadual e municipal publicados nesta sexta-feira (26), como medidas de contenção da propagação da Covid-19. Para a categoria, há falta de clareza no novo decreto que não especifica a autorização para serviços de saúde de urgência e emergência voltados para animais.

“No decreto cita-se apenas os serviços de saúde, isso está subentendido, não fica claro se está incluída (a saúde animal). Isso pode gerar conflito, como já está gerando, para quem está na ponta. O que apontamos é uma falta de clareza no decreto para que não ocorram situações conflitantes e descontentamentos de ambas as partes. É uma preocupação dos veterinários, proprietários e clientes que já foram advertidos pela fiscalização”, informou 

Segundo Anísio Neto, proprietários de clínicas veterinárias da zona Sul de Teresina denunciaram alertas da fiscalização para a não abertura neste final de semana. Para o CRMV os decretos dos poderes públicos ferem o princípio da saúde única.

“Fomos tomados de surpresa com o decreto ‘lockdown’ que exclui as clínicas veterinárias do decreto, principalmente no atendimento de urgência e emergência. Isso nos preocupa porque este ato fere o princípio de uma saúde única e comete um crime ambiental porque negar o atendimento a um animal está previsto na lei de crime ambiental”, apontou.

Passados mais de 90 dias com medidas restritivas para o isolamento, o conselho assinala que os decretos têm demonstrado uma intolerância em relação à saúde dos animais.

“Tem sido manifestado denúncias ao Conselho de medicina Veterinária, tanto por parte das clínicas como por parte dos tutores dos animais. Um animal não escolhe a hora para adoecer, assim como os seres humanos.,É preciso que tenha proporcionalidade, é preciso que tenha razoabilidade, é preciso que tenha bom senso nas pessoas que estão a frente da prefeitura e do estado no que toca a essas medidas”. 

Ainda segundo o CRMV, a assessoria jurídica do órgão irá recorrer junto à prefeitura e ao governo do Estado para a permissão do funcionamento no atendimento de urgência e emergência. 

O Cidadeverde.com procurou a prefeitura de Teresina que informou que o atendimento de urgência e emergência nas clínicas veterinárias continua permitido, sendo restrito apenas a venda de rações até às 13h. 

Por Valmir Macêdo

Fonte: Cidade Verde

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