Procuradoria-geral da Virginia (EUA) abre inquérito sobre o Zoológico Natural Bridge

Procuradoria-geral da Virginia (EUA) abre inquérito sobre o Zoológico Natural Bridge

O inquérito do estado surge na sequência de um relatório do USDA, que encontrou 31 violações. 

Por Laurence Hammack / Tradução de Larissa Herrera

EUA zooJá sob investigação pelos órgãos reguladores federais, o Zoológico Natural Bridge também está enfrentando um inquérito pelo escritório do procurador-geral da Virginia.

Na semana passada, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos divulgou um relatório de uma inspeção feita em janeiro no zoológico e que encontrou 31 violações de acordo com os regulamentos federais, que vão desde maus-tratos de animais para infrações mais técnicas que envolvem a manutenção de registos. O USDA também começou uma investigação que poderia afetar a licença do Zoo.

Ao mesmo tempo, uma unidade de lei dos animais recém-formada pelo Procurador Mark Herring está trabalhando com várias agências do Estado para investigar as alegações feitas contra o zoológico, segundo o porta-voz Michael Kelly.

Embora Kelly tenha se recusado a falar sobre o inquérito, deu continuidade a um pedido de investigação do Estado da Virgínia pela Humane Society, dos Estados Unidos, que no mês passado divulgou um relatório, apontando abuso generalizado dos animais no que chamou de “zoológico de mau gosto da beira da estrada” em Rockbridge County.

Enquanto a investigação USDA lida principalmente com a licença do zoo, as autoridades estaduais têm capacidade – e, neste caso, a justificativa – de acusar criminalmente os operadores do Zoo Natural Brigde em resposta a crueldade para com os animais, disse Mary Beth Sweetland, diretora sênior de investigações para a HSUS.

A Humane Society United States tinha pedido uma investigação para o veterinário estadual, maior aplicação de leis e oficiais do controle de animais da Rockbridge County, e o Departamento de Jogos e Pesca Continental, que concede uma licença anual permitindo que o zoo exponha animais selvagens.

Sweetland disse que ficou satisfeita ao saber que o escritório do procurador-geral, que aconselha as agências, abriu um inquérito.

“Nós só estamos realmente ansiosos para colaborar no que for possível”, disse ela.

Um investigador disfarçado para a HSUS se infiltrou no zoo garantindo um emprego lá no verão passado, conseguindo obter fotografias, vídeos e outras confirmações do que a organização nacional considera como crime no tratamento dos animais.

Um macaco da raça Mandrill sangrou até a morte, poucas horas depois de ser observado por um inspetor do zoo, que então ignorou, uma mordida recente feita por um dos colegas de jaula do primata, o relatório alega. A HSUS também afirmou que as cabras foram castradas “em condições extremamente insalubres e sem sedação ou analgésicos.”

Sweetland disse que os casos individuais que precisam de investigação criminal se assemelham, em certa medida, com as conclusões do USDA, que demonstram um quadro mais geral de maus-tratos e negligência dos animais no zoológico.

Em um relatório de 27 páginas que detalha os resultados de uma inspeção de quatro dias do zoo no início de janeiro, o USDA descreveu um caso em que os trabalhadores do Natural Bridge atormentam um macaco enjaulado, espetando-o com varas. O relatório também citou o zoológico para a sua prática de eutanásia nos porquinhos-da-índia batendo-os no piso de concreto antes de serem alimentados para os tigres.

Outros achados incluem primatas vivendo em jaulas que foram revestidas com sujeira e fezes, um problema com a desordem em todo o zoológico que provavelmente contribuiu para uma infestação de roedores, e pobres cuidados veterinários para, pelo menos, 35 animais.

Embora admitindo a alguns problemas identificados pela inspeção, o proprietário do Zoo, Karl Mogensen comentou que a maioria das infrações foram relativamente menores – o produto de uma “caça às bruxas”, lançada por grupos radicais dos direitos dos animais que apresentam queixas contra ele a vários anos.

No mês passado, o escritório de Herring anunciou que estava montando uma unidade especial que ajudará os policiais locais e estaduais em questões envolvendo o abuso de animais.

Enquanto isso, o USDA lançou uma investigação que pode resultar em vários desfechos para o Natural Bridge: uma carta de advertência, multa, ou a suspensão ou revogação de sua licença. O zoológico está fechado para o inverno; Mogensen afirmou na semana passada que prevê que vai reabrir o Zoo no final de março, como programado.

Fonte: Roanoke.com

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