Procuradoria pede fim de ‘mascotes’ e exibição de animais silvestres em Manaus, AM

Procuradoria pede fim de ‘mascotes’ e exibição de animais silvestres em Manaus, AM

Recomendação é referente a participação de animais em eventos militares. Pedido é resultado de Inquérito Civil que apurou morte da onça Juma.

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A Procuradoria de Justiça Militar em Manaus recomendou que nenhum animal silvestre seja exibido em desfiles, paradas militares e cívicas, treinamentos ou quaisquer outros eventos semelhantes.

O pedido foi encaminhado ao Comando Militar da Amazônia (CMA) e ocorre mais de dois meses depois da morte da onça Juma, após a cerimônia de revezamento da Tocha Olímpica realizada naquela unidade do Exército. O G1 tentou contato com o CMA, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria.

O órgão pede ainda que seja vedada a “adoção” de animais silvestres como “mascotes” de Organizações Militares, bem como de todas as suas subdivisões internas.

Outras recomendações enviadas ao Exército pedem ainda que nenhum animal seja exibido fora de seu recinto, como o zoológico do CIGS; que sejam realizados os procedimentos de regularização junto aos órgãos ambientais de todos os animais silvestres sob guarda; que os procedimentos de manipulação, manejo e transporte de animais silvestres sejam orientados pelos órgãos ambientais e, em caso de fuga de animal, sejam acionados os órgãos ambientais e a polícia ambiental; que nenhum animal silvestre seja acolhido por qualquer unidade militar, sem o atendimento legal pertinente.

Segundo a Procuradoria, a recomendação enviada ao CMA é resultado do Inquérito Civil instaurado para apurar as circunstâncias da morte da onça.

De acordo com o apurado no Inquérito Civil, a apresentação das onças no evento foi um pedido do coordenador Estadual do Comitê Organizador do Torneio de Futebol Olímpico Manaus 2016. Na oportunidade, a tocha olímpica, com a presença de centenas de pessoas, foi conduzida pelo interior do CIGS, com a exposição de duas onças pintadas acorrentadas, Simba e Juma, acompanhadas de seus tratadores e de oficiais veterinários.

O incidente ocorreu após a cerimônia, no momento do embarque da onça no veículo que o transportaria ao 1º Batalhão de Infantaria de Selva, também em Manaus, organização militar que era responsável por sua guarda. Juma soltou-se e fugiu para uma porção de selva existente no CIGS. Ao ser cercada pela equipe de captura, ela correu em direção ao oficial médico-veterinário, que nesse momento, a uma distância de menos de um metro, disparou dois tiros, vindo a atingi-la na cabeça, ocasião em que ela caiu morta.

Perícias realizadas no equipamento utilizado para transporte da onça não foram concludentes. Porém, não há um protocolo de segurança a ser observado em exposição de animal silvestre.

O Inquérito Civil concluiu ainda que “a morte do animal parece ter sido inevitável dentro do cenário de extremo estresse após a fuga e a tentativa de captura realizada”. A vida de um ser humano estava em jogo, ressaltou o MPM.

Fonte: G1

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