Professora reúne em livro histórias de abandono de cães contadas na visão dos animais

Professora reúne em livro histórias de abandono de cães contadas na visão dos animais

Uma professora aposentada de Sorocaba (SP) reuniu em um livro histórias sobre o drama do abandono de animais. Os contos são narrados do ponto de vista dos bichinhos e baseados em situações vivenciadas por Ana Laura Galone, de 53 anos. Desde que fundou a “Corrente Peluda”, ela viu inúmeros animais em situação de rua serem resgatados graças à solidariedade dos protetores e os fatos inspiraram o livro.

“São 10 contos e cada um é ilustrado com uma foto de um animal que passou por situação semelhante à história. É ficção, porém baseado numa realidade muito triste, que é a do abandono de cães e gatos”, explica Ana Laura. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que há cerca de 30 milhões de animais abandonados no Brasil. Em Sorocaba, a Seção de Proteção e Bem-estar animal da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Sema) não possui estimativa desse número.

Uma das histórias que são contadas no livro é a do cachorro Lobão, deixado para trás pela família quando se tornou idoso e que passa a morar com uma vizinha que se sentiu comovida pela situação. Ana Laura conta que a história é real e aconteceu com Tupi, um cão que mora na rua de sua casa.

“Ele tem problemas nas articulações, mas até hoje se deita em frente a sua antiga casa, esperando a família voltar. Eu inventei situações e diálogos no livro, mas o abandono desse cão idoso infelizmente aconteceu mesmo”, diz.

História do cão ‘Tupi’ inspirou um dos contos do livro de Ana Laura Galone. — Foto: Jedson Comitre

 ‘Corrente Peluda’

A professora conta que sempre gostou e teve bichinhos de estimação em casa, porém se tornou mais engajada nas causas animais depois de se deparar com uma postagem nas redes sociais com pedido de doação de rações para uma ONG. Ela resolveu contribuir e mobilizou alguns amigos, que acabaram abraçando a ideia. Foi então que nasceu a “Corrente Peluda” há mais de quatro anos e hoje conta com mais de 20 integrantes.

O grupo tem como objetivo dar suporte financeiro a ONGs e protetores de animais de Sorocaba, além de ajudar com outras necessidades. “Tentamos manter uma caixinha e dar suporte para os protetores. Ajudamos com ração, castração, remédios, carona solidária e até com dívidas em clínicas. Os protetores são seres de luz: abrem mão de conforto, passeios e o que for preciso para prestar ajuda a seus resgatados”, afirma.

O trabalho dos integrantes da “Corrente Peluda” é incansável e dura o ano todo. Eles combinam as ações por meio de um aplicativo de mensagens. Mensalmente contribuem com doações de ração para abrigos, promovem arrecadações em lojas parceiras e socorrem os protetores independentes em resgates emergenciais de animais abandonados, machucados, doentes, mau tratados, desnutridos, entre outras situações.

Integrantes da ‘Corrente Peluda’ dão suporte ao trabalho de ONGs e protetores de animais. — Foto: Ana Laura Galone/Arquivo pessoal

Ideia do livro

Mesmo com todo o esforço da Corrente Peluda, a professora Ana Laura afirma que conseguir contribuições e manter a frequência das doações se tornou uma missão cada vez mais difícil. Diante do desafio, a professora teve a ideia de escrever o livro, uma alternativa para arrecadar fundos para as ONGs.

“Pensei: por que não lançar um livro baseado em casos que presenciei? De abandono, resgate e adoção, porém com o diferencial de a história ser contada pela visão do animal. Achei que seria diferente e chamaria a atenção.” O projeto foi em frente e se concretizou com a ajuda de uma vaquinha virtual.

O livro, intitulado “10 contos caninos: Uma reflexão para humanos”, foi lançado no último sábado (16) em um shopping de Sorocaba com o objetivo de sensibilizar as pessoas sobre a causa animal e dar continuidade ao trabalho dos protetores da cidade. O valor da venda é todo revertido para ONGs. Os livros podem ser comprados diretamente com a autora Ana Laura Galone, em pontos de venda itinerantes anunciados através de suas redes sociais e também pela internet. 

Valor arrecadado com a venda dos livros será revertido integralmente para as causas animais. — Foto: Fernanda Szabadi/G1

Abandono de animais é crime

Segundo a advogada presidente da Comissão de Proteção Animal da OAB Sorocaba, Jussara Fernandes, o abandono é considerado uma forma de maus tratos a animais, portanto é crime (Art. 32, da Lei Federal nº. 9.605/98). A pena varia de 3 meses a 1 ano de detenção e multa.

A população, protetores e ONGs podem buscar apoio em relação a denúncias de maus tratos aos animais junto à Comissão, que busca em sua atuação a correta aplicação das leis que tratam dos direitos dos animais na cidade.

Como denunciar

Em Sorocaba, os casos de maus tratos contra animais podem ser denunciados:

Pela Central de Atendimento da prefeitura através do site www.sorocaba.sp.gov.br/atendimento;

Pelo telefone 156, de segunda a sexta-feira, em dias úteis, das 8h às 17h;
Pelo WhatsApp da Ouvidoria da prefeitura por meio do número (15) 99129-2426;

Nas Casas do Cidadão, de segunda a sexta-feira, em dias úteis, das 9h às 17h;
Para a Polícia Militar (190) e Guarda Civil Municipal (153), em situações emergenciais e de flagrante.

A população também pode protocolar denúncias no Ministério Público ou registrar boletins de ocorrência nas delegacias de polícia. Sorocaba conta com uma delegacia especializada em direitos dos animais, incorporada ao segundo distrito policial, na Avenida Nogueira Padilha. Além disso, os moradores de cidades de todo o Estado de São Paulo podem realizar denúncias envolvendo animais pela Delegacia Eletrônica de Proteção Animal (DEPA) através do site.

“A denúncia tem que estar embasada em fatos verídicos, pois a falsa comunicação de um crime também tem pena prevista no Artigo 340 do Código Penal Brasileiro. É necessário informar ou descrever corretamente a situação ou ação que está ocorrendo com o (os) animal(is), informar corretamente o local da denúncia, endereço ou ponto de referência. Anexar fotos e vídeos em casos de agressão”, orienta a prefeitura.

Por Fernanda Szabadi

Fonte: G1

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