Proprietário de pet shop é denunciado por maus-tratos em Uberlândia, MG

Proprietário de pet shop é denunciado por maus-tratos em Uberlândia, MG
Clientes demonstraram revolta com o fato na página do Facebook do estabelecimento | Foto: Reprodução Facebook

O Ministério Público Estadual (MPE) de Uberlândia instaurou um processo investigatório criminal para apurar uma denúncia de maus-tratos contra o proprietário de um pet shop no bairro Laranjeiras. De acordo com o promotor de Justiça, Breno Lintz, o dono do estabelecimento, que aparece em imagens registradas por uma cliente agredindo um cão, será intimado na tarde desta sexta-feira (3) a prestar esclarecimentos e terá o estabelecimento interditado pela Curadoria das Relações de Consumo.

A denúncia chegou ao promotor nesta semana por meio de um relato de uma cliente que também fez um vídeo da possível agressão. Nesta sexta, o Diário recebeu as imagens registradas com uma câmera escondida. O vídeo mostra o momento em que o proprietário do Banho e Tosa do Marcinho, Márcio Igídio Machado, aperta o pescoço do cachorro e também desfere socos contra o animal, que aparenta estar inquieto no momento de uma tosa.

Em outro momento, o dono do estabelecimento também amarra o animal e o puxa pela pata com rispidez. Nas imagens, o cachorro aparece visivelmente com medo. Na página do Facebook do estabelecimento, clientes demonstraram a revolta com o fato.

Ao Diário de Uberlândia, o promotor e coordenador regional do Procon, Fernando Martins, disse que a equipe do Ministério Público esteve no local, mas o estabelecimento estava fechado pelo dono.

Veja o vídeo abaixo:

O promotor Breno Lintz disse que denúncias de maus-tratos em procedimentos de banho e tosa chegam constantemente ao Ministério Público. “É comum chegar até nós reclamações e relatos de cães que logo após o banho tiveram problemas. Mas, muitas vezes o dono não percebe que há algo estranho com o animal”, destacou.

A reportagem procurou o dono do pet shop para comentar o assunto, mas as ligações não foram atendidas.

Outros Relatos

Na tarde desta sexta, o Diário conversou com duas clientes do pet shop, que também relataram ter tido problemas com os cães após o atendimento no estabelecimento. Uma delas foi Geovana Medeiros, de 21 anos. Ela relatou que o dono do pet shop demonstrava gostar de animais, mas notou um comportamento estranho do seu cachorro quando o animal retornava do banho.

“Eu tinha costume de levá-lo lá porque era perto da minha casa e o dono demonstrava gostar bastante dos cachorros. Mas, notei que quando o cãozinho retornava dava crise de ansiedade, chegava a fazer xixi”, destacou. 

A dona também relatou que notava sempre algumas marcas no corpo do animal. “Eu levava pelo menos duas vezes por mês, tanto o meu quanto outro cãozinho da minha mãe. Os cachorros sempre chegavam com alguns machucados. Quando a gente questionava, o dono dizia que era a máquina da tosa”, afirmou Geovana

A profissional autônoma Jaqueline Silva Barbosa, de 32 anos, também disse à reportagem que notava um comportamento estranho de seus dois cachorros quando retornavam desse pet shop. “A gente levava os nossos dois cachorros uma vez por semana, durante praticamente dois anos. Notamos que diversas vezes, eles chegavam com o coro bastante machucado. Então eu questionava, mas o dono dizia que era dermatite, mas na verdade descobrimos que era queimadura do secador”.

Jaqueline disse que nunca desconfiou de maus-tratos e que um dos seus cachorros inclusive ilustrava uma campanha do pet shop. “Quando ele chegava para buscar, os cachorros saiam correndo. Mas, a gente achava que era medo do banho, quando a gente pegava no colo para entregar a ele, os cachorros até tremiam. Só que na frente da gente, ele tratava como se fosse apaixonado pelos cãezinhos, por isso nunca desconfiamos”.

Ela conta ainda que os cães retornavam sonolentos e tristes e que, certa vez, um deles voltou do pet shop com um olho fechado. Ao ser questionado por ela, o proprietário disse que poderia ser por conta do perfume, que acidentalmente poderia ter atingido o olho do animal.

Ao ficar sabendo da denúncia, Jaqueline disse que ficou chocada e que já pensa em alternativas para não ter que levar os cães em nenhum outro local. “Vendo as imagens, comprova que os cães tinham medo dele, é revoltante. Já estamos até vendo um pet shop móvel que venha na porta de casa e a gente possa acompanhar o banho”, destacou.

Fonte: Diário de Uberlândia

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