Protetores criticam atuação da Secretaria-Executiva de Direitos dos Animais, em Recife

Protetores criticam atuação da Secretaria-Executiva de Direitos dos Animais, em Recife

Criada em 2013, a secretaria vinculada à Prefeitura do Recife ainda não cumpriu algumas de suas principais promessas.

PE recife secretariaanimais20141113163909291922a

Frustração entre os que cuidam de animais abandonados ou aqueles cujos tutores não têm dinheiro para pagar consultas particulares. A maior promessa da Secretaria-Executiva de Diretos dos Animais (Seda), pasta criada no início de 2013, da construção de um Hospital Veterinário Público na capital, não aconteceu até agora. De acordo com a assessoria de imprensa da Seda, estão “concluindo os trâmites necessários que precedem a execução da obra”. O preço da edificação é de R$ 37,5 milhões.

Protetores e defensores de animais questionam as ações da Seda e já realizaram protestos contra a gestão da pasta. As denúncias variam desde campanhas de vacinação, castração e adoção ineficazes, infraestrutura precária e falta de diálogo com os grupos de defesa animal. “Na verdade, a SEDA é uma grande frustação para nós da causa animal. As ações desenvolvidas pela SEDA são insuficientes para uma cidade como o Recife. Os números de castrações e adoções realizadas pela pasta são equivalentes aos que qualquer Organização Não Governamental séria e com muito menos verba faz. Alguns projetos aqui no Recife, fazem muito mais do que a prefeitura pelos animais”, opina o presidente da Ong Brala e membro do Conselho Gestor do Centro de Vigilância Ambiental (CVA), Luiz Leoni.

Enquanto o hospital não sái do papel, os animais continuam contando com o Hospital Veterinário da Universidade Federal Rural de Pernambuco para serviço gratuito, que conta com 60 atendimentos clínicos marcados por dia. Por enquanto, a Seda está se concentrando em atividades de controle de reprodução dos animais, com castração gratuitas, realizadas no Centro de Vigilância Ambiental (CVA) por quatro veterinários da Secretaria. Também são feitos eventos de adoção mensais, nos quais os bichinhos devem estar vermifugados e castrados para serem adotados, além do novo tutor assinar um termo de reponsabilidade e responder uma avaliação psicológica. São realizadas ainda visitas de profissinais da Seda em escolas municipais para falarem de defesa dos animais.

O Conselho Gestor do CVA, segmentos usuários, enviou ofício para o Ministério Público Federal se colocando contra a parceria entre o CVA e a Seda e questionando as ações da Seda que não respondem as obrigações determinadas pela Organização Mundial da Saúde. O Conselho também fez uma carta aberta, na qual é destacado que os eventos de adoção da Seda não visam a diminuição de animais abandonados no Recife, já que não há exigência de serem castrados. A assessoria de imprensa da Seda, porém, afirmou ao Pernambuco.com que todos os animais levados para as feiras de adoção são castrados e vermifugados.

O ofício foi encaminhado para o Ministérios Público de Pernambuco. O MPPE, por meio da Promotoria de Defesa do Meio Ambiente, respondeu recomendando a prefeitura que sejam realizados concursos para os cargos necessários para atender à demanda existente, a construção de um centro de acolhida para bichos e a construção imediata do Hospital Veterinário. O promotor de Justiça Geraldo Margela também identificou na Seda a existência de diversos cargos comissionados, preenchidos sem a devida especialização para a execução das funções.

Outros programas

O Adote um Vira-lata é um programa de extensão da UFRPE, que recebe financiamento do Ministério da Educação (MEC) para acontecer. Entre Janeiro e Outubro de 2014, foram adotados 234 animais nos eventos organizados pelo programa, todos castrados e microchipados, para evitar o abandono. Entre fevereiro de 2013 e setembro de 2014, foram realizadas 725 castrações entre cães e gatos residentes no bairro da Várzea. O trabalho conta com cinco veterinários e 10 colaboradores (voluntários e extensionistas).

São realizados mutirões onde são oferecidos medicamentos para vermes e parasitas e também são tiradas as dúvidas sobre castração. “Mesmo com a facilidade e a proximidade em relação ao local das cirurgias, que as vezes as pessoas podem chegar à pé, temos uma média de 10% de faltas, sendo necessário retornar em algumas casas para garantir a participação nos mutirões”, explica a vide-coordenadora do Adote, Lena Costa Carvalho.

Ainda de acordo com Lena, as castrações realizadas pela Seda deveriam ser descentralizadas, assim como os atendimentos clínicos. “A Seda tem uma política de levar consultas aos bairros e de marcar a castração em Peixinhos, no CVA. Como estas pessoas vão se locomover até lá?”, questiona. No Recife, os ônibus e o metrô não levam animais e poucos taxistas aceitam levar bichos em seus carros.

Isso torna a centralização do atendimento um problema para a população que não tem acesso à veículos privados. “Com o dinheiro que a prefeitura vai gastar para construir um hospital em um bairro de classe média, poderiam criar polos distrbuídos nas periferias da cidade. A população mais próxima do local ou que tenha carro é quem será atendida, as pessoas de classe média. Isso não é um problema, é um direito delas, mas o foco da prefeitura deveria ser quem não tem condições de pagar por um atendimento particular”, completa.

Números da SEDA no Recife
(Outubro de 2013 até agora)

2.830 castrações

420 denúncias

543 consultas descentralizadas – nos bairros do Ibura, Macaxeira, Pina, Afogados e UR-07

600 animais adotados (desde abril de 2013)

173 escolas da municipal tiveram visitas de profissinais da SEDA

Outra Seda

Números da SEDA em Porto Alegre (RS)

(Janeiro de 2013 até Setembro de 2014)

6 mil castrações

3,2 mil cirurgias de alta e média complexidade

10,3 mil atendimentos clínicos

10,5 mil fiscalizações

900 adoções de cães e gatos

6 mil alunos da rede pública assitiram palestras ministradas por profissinais da SEDA

Na Seda de Porto Alegre existe o projeto Bicho Amigo, com objetivo de controlar a reprodução dos animais, além de projetos educativos para guarda responsável e saúde ambiental. Há duas unidades móveis, uma funciona como clínica itinerante, com bloco cirúrgico adaptado e a outra é usada para transporte de cães e gatos de tutores em situação de vulnerabilidade social, para castração na Unidade de Medicina Veterinária da Secretaria.Também são realizadas feiras de adoção periódicas. Os animais são entregues aos novos tutores vermifugados, vacinados, castrados e microchipados.

Porém, na prática, nem tudo é flores para os animais de Porto Alegre, de acordo com os protetores de lá. Foi criada uma página do Facebook chamada SEDA da Deprê na qual eles afirmam que foram bloqueados na fanpage oficial do órgão e “criamos este espaço para publicarmos nossas críticas e até elogios, quando existirem.” Com 379 curtidas até o momento desta matéria, a página divulga diversas críticas à atuação da Secretaria, desde a estrutura dos canis até a forma como as adoções são realizadas. Em um post intitulado “No dia mundial dos animais, Porto Alegre não tem muito a comemorar”, a jornalista Gelcira Teles acusa a Seda de divulgar números falsos e não ter transparência nas ações e divulgações.

Assim como no Recife, uma das principais promessas da SEDA de Porto Alegre é a construção de um Hospital Veterinário – que não saiu do papel em nenhuma das duas capitais. Durante a campanha eleitoral do atual prefeito gaúcho, José Fortunatti (PDT), foi prometido que o lançamento da pedra fundamental seria em setembro de 2012 com conclusão das obras em um ano.

Fonte: Pernambuco.com

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *