Protetores dizem que estão sendo proibidos de alimentar gatos do Jockey do Rio

Moradores da Gávea e do Jardim Botânico estão se mobilizando pelas redes sociais para defender os gatos que vivem no terreno do Jockey Club. Eles denunciam que funcionários estão impedindo os animais de receberem alimentos e cuidados: a estratégia seria obrigá-los a migrar para um gatil que foi construído na altura da Avenida Bartolomeu Mitre. Cuidadores voluntários dos bichanos alegam que o local é perigoso, pois fica perto de uma movimentada passagem de veículos, o que aumentaria os riscos de atropelamento.

A população de gatos no Jockey é tão grande quanto a polêmica que envolve os animais: cerca de 1.500. As restrições em relação aos bichos teriam começado após a administração do local determinar que eles não poderiam mais ficar na área do teatro e junto ao muro do Hospital Municipal Miguel Couto e da Escola de Jóqueis. Atualmente, os animais vivem em colônias. Bianca Siqueira cuida de duas delas, e cada uma tem cerca de 20 felinos. Ela diz que o clube retirou as estruturas que havia montado.

— Chamaram uma brigada de incêndio para impedir o trabalho dos voluntários — acusa Bianca, acrescentando: — Fizemos muitas castrações, e conseguimos que vários gatos fossem adotados.

Um grupo de artistas, que inclui os atores Bruno Gagliasso, Marina Ruy Barbosa e Betty Gofman, também está mobilizado, informou Ancelmo Gois em sua coluna no GLOBO. Eles querem se reunir com o presidente do Jockey, Luiz Alfredo Taunay, para defender a permanência dos gatos.

Superintendente do Jockey, Francisco Souza Dantas disse que o local de alimentação tem que ser determinado pela administração do clube. Segundo ele, funcionários colocam ração e água para os animais:

— O Jockey não precisa que ninguém venha alimentar os gatos. Eles (os protetores) não podem determinar o local. Gastamos R$ 25 mil por mês para cuidar dos animais. Temos veterinários, assistentes e também ambulatórios e salas de cirurgias. Não há maus-tratos — afirma o superintendente.

Ainda segundo Dantas, a área dos fundos do Miguel Couto, onde ficam muitos gatos, é um local de trânsito intenso de associados. Ele conta que o presidente do Jockey reclamou da sujeira e determinou que todos os animais fossem levados para o gatil.

Os protetores alertam que gatos são animais ligados a territórios e, por isso, têm dificuldade de mudar de local. Nesses casos, é necessário um manejo adequado, para evitar a morte dos bichos. Eles também destacam que uma das principais funções das colônias mantidas até agora é impedir a proliferação de animais.

Por Célia Costa 

Fonte: O Globo