Protetores emitem nota de repúdio a rodeio em Lauro de Freitas, BA

Protetores emitem nota de repúdio a rodeio em Lauro de Freitas, BA

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A REMCA – Rede de Mobilização pela Causa Animal e Protetores do Município divulgou uma nota de repúdio à realização do 1º Rodeio Show na cidade de Lauro de Freitas, na região metropolitana de Salvador. Leia a íntegra da nota:

RODEIO EM LAURO DE FREITAS – NOTA DE REPÚDIO DA PROTEÇÃO ANIMAL

Na contramão dos movimentos mundiais contra eventos de entretenimento envolvendo a utilização de animais, o município de Lauro de Freitas sediará o que está se chamando de 1º Rodeio Show do município, cujo cartaz de divulgação espalhado pela Cidade, para a surpresa da rede de proteção animal laurofreitense, informa o apoio da Prefeitura Municipal.

Ressalta-se que o Rodeio é uma prática recreativa de intensa crueldade, que consiste em permanecer por até oito segundos sobre um animal, usualmente um cavalo ou boi.

A prática de rodeio é alvo de críticas mundialmente, vez que esta desrespeita os direitos animais. Rodeio é crueldade, é a diversão calcada em maus tratos aos animais.

No Brasil, apesar da prática de rodeio ser legalizada em âmbito federal, diversos municípios vêm proibindo esse tipo de evento. Mais de quarenta municípios brasileiros proíbem tal barbaridade, seja por lei municipal ou por decisão judicial.

Isso se deve a evolução das relações humanas, e ao consequente reconhecimento da condição dos animais como seres sencientes, que sofrem dor, traumas e que merecem respeito.

O rodeio agride os direitos dos animais, na medida em que vai de encontro a Declaração Universal dos Direitos dos Animais da UNESCO, em seu art. 10, que impede que animais sejam explorados para divertimento dos seres humanos, pois tais exibições e espetáculos que utilizam animais são incompatíveis com a dignidade do animal. Tal prática, desrespeita ainda a nossa Constituição Federal, que em seu artigo 225, determina: “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.

§ 1º – Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público:
VII. “proteger a fauna e flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade.

Ressalta-se ainda a Lei de Crimes Ambientais, em seu artigo 32, que relaciona entre os crime ambientais “Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos: Pena – detenção, de três meses a um ano, e multa.

Para a realização de um evento como o Rodeio, muitas práticas de maus tratos são realizadas: como se não bastasse o deslocamento dos animais em estradas por quilômetros de distância, ocasionando elevadíssimo nível de stress decorrente de barulho de buzinas e movimento típico da estrada, durante o Rodeio muitas são as práticas já criticadas, porém, ainda em uso, constituindo-se uma afronta aos dispositivos legais existentes na lei pátria. São utilizados instrumentos que causam dor e estresse ao animal. Os animais são mansos e para fazê-los ficarem bravos, uma corda é apertada aos flancos dos animais, a corda usada na montaria é amarrada na parte genital do animal, que é farta em estruturas nervosas e de captação de dor, sem estrutura óssea para proteger, desse modo, ele pula para fugir da dor. Ressalta-se ainda o uso de esporas de forma intensa e recorrente, golpeando o animal com força e violência, incessantemente na região do pescoço e do baixo ventre, que são extremamente sensíveis; existe histórico de uso de choques elétricos para obrigar os animais a entrarem no cercado; as quedas dos animais durante as provas, as quais provocam fraturas e hemorragias, nem sempre testemunhadas pelo público que está preocupado apenas em divertir-se sem atentar que para tanto, outros seres inocentes estão pagando por vezes o preço da própria vida; privação do sono, pois são obrigados a permanecerem acordados até a hora do evento, que é justamente o horário que costumam dormir, ao cair do sol, e ficam expostos ao ruído exagerado provocado durante o evento, o que é extremamente danoso ao animal, vez que este possui a audição quatro vezes maior que a do ser humano.

Ainda que os defensores do rodeio aleguem que trata-se de um fenômeno cultural, alertamos que, do mesmo modo em que o ser humano evolui, mudam seus paradigmas, a partir de uma nova forma de se relacionar, decorrente do acesso ao conhecimento e da oportunidade de ouvir novas formas de pensar e de ver o mundo, também devem ser assim repensadas e criticadas as tradições, porque somos seres em eterna evolução e não podemos continuar exercitando e banalizando práticas de violência, de maus tratos em nome da tradição cultural, apesar de seu imenso valor, porém, nunca maior que o valor da vida.

Além disso, nosso município nunca teve essa tradição. Não vamos iniciar agora, o que o mundo já está jogando fora por reconhecer ser uma prática ultrapassada e cruel. Lauro de Freitas não é a lixeira do mundo. Não precisamos trazer para nós o que outros já reconhecem como defasado e antiético.

Por tudo isso, a REMCA – Rede de Mobilização pela Causa Animal e Protetores do Município repudiam esse evento e solicitam à gestão publica municipal que, proíba tal prática, em nome de uma coerência com a proteção animal e com a vida.

Nós protetores temos trabalhado com afinco diuturnamente para trazer a reflexão sobre a importância da sociedade atentar para a necessidade de estabelecer novas formas de se relacionar com os animais não homens respeitando seus direitos e sua vida, contribuindo para a formação de uma cidade mais civilizada.

A Sociedade Laurofreitense não vai tolerar em silêncio tal afronta. Não aceitaremos o 1º, nem o 2º, nem qualquer outro evento que represente um retrocesso na relação entre animais homens e animais não homens em nosso município!

Para impedir tamanha agressão a nosso município convocamos todos os protetores de Lauro de Freitas e chamamos a atenção da nossa Secretaria Municipal de Meio Ambiente, da nossa Divisão de Proteção Animal, uma grande aquisição em nosso município, pedimos a intervenção do Ministério Público e principalmente, apelamos para o bom senso de nosso Prefeito para a gravidade da autorização de um evento dessa natureza em nossa cidade, que vem de encontro a todos os esforços e luta da proteção animal.

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