Rapidez no tratamento de jaguatirica ferida garante retorno à natureza

Rapidez no tratamento de jaguatirica ferida garante retorno à natureza

A Polícia Ambiental da Região Metropolitana do Vale do Paraíba terminou o ano de 2019 com motivos para comemorar: uma jaguatirica encontrada ferida próxima a um galinheiro, em São José dos Campos (SP) respondeu bem ao resgate e ao tratamento e voltou à natureza após 16 dias.

O sucesso na recuperação do animal, que apresentava uma ferida grande nas costas e na pata, se deu graças ao uso de métodos alternativos. “Anestesiamos a jaguatirica, limpamos as feridas, tiramos as larvas e coletamos sangue para exame. Depois começamos o tratamento da medicina oriental com ozônio terapia, laser terapia e ultrassom terapêutico. Tudo para auxiliar a cicatrização, diminuir a dor e a inflamação”, explica Lucas Amaral, especialista em animais silvestres.

Os tratamentos alternativos agilizaram o processo de cicatrização das feridas — Foto: Divulgação Polícia Ambiental

De acordo com o médico veterinário, a principal preocupação era agilizar o tratamento do animal, uma vez que o tempo em cativeiro pode prejudicar o retorno à vida selvagem. “O aspecto geral dele estava bom, os exames estavam em ordem, foi só o tempo de cicatrizar a ferida e tirar os pontos para conseguir soltá-lo”, comenta Lucas, que comemora a agilidade no tratamento.

“Como conseguimos realizar a soltura em pouco tempo, não foi preciso nenhum tipo de reintrodução. Assim que abrimos a jaula ele saiu correndo, foi muito bacana de ver”, diz.

Conforme dados oficiais da Polícia Ambiental, o local de soltura foi mapeado e o processo contou com a autorização do Departamento de Fauna do Estado. “O animal foi solto em uma área próxima de onde foi encontrado, mas um pouco mais distante das residências”, completa Lucas.

Vídeo: Jaguatirica resgatada em área rural retorna à natureza depois de tratamento alternativo.

Resgates

A jaguatirica compõe a lista de animais resgatados e reabilitados pela Polícia Ambiental do Vale do Paraíba que, só em 2019, apreendeu 371 animais e destinou mais de 500 deles na cidade de São José dos Campos (SP).

“Já tratamos macacos, cachorro-do-mato, jaguatirica e até tamanduá. Alguns deles recuperam e voltam à natureza e outros são encaminhados para alguma entidade, como Centros de Reabilitação”, explica o veterinário que, em parceria com a Polícia Ambiental, trata voluntariamente dos animais resgatados.

O animal voltou à natureza depois de 16 dias; não foi necessário passar por etapas de reintrodução — Foto: Polícia Ambiental/PM Jair

A espécie

Distribuída por uma extensa área do continente Americano, desde o sul dos Estados Unidos até o norte da Argentina, a espécie também ocorre em quase todo o Brasil, exceto no extremo sul do Rio Grande do Sul.

Adaptada a diversos tipos de habitat tropicais e subtropicais, vive em florestas úmidas, pântanos inundados, matas de galeria e arbustivas. A variedade de locais, porém, apresenta a mesma característica: densa cobertura vegetal.

Felino de médio porte, a espécie pode medir até um metro — Foto: Saulo Ferreira/VC no TG

A espécie é uma ótima escaladora e nada muito bem, o que facilita na captura de várias presas, como roedores, quatis, tamanduás, preguiças e macacos; além de presas aquáticas e semi-aquáticas, como tartarugas, peixes, caranguejos, sapos e pequenos jacarés.

Estratégica, a jaguatirica costuma caçar durante a noite, enquanto caminha lentamente ao longo das trilhas. Outra tática comum da espécie é esconder uma carcaça parcialmente comida para revisitá-la.

Solitárias, se encontram apenas no período reprodutivo. De longa gestação, a fêmea gera até duas crias por estação.

De hábitos noturnos, a jaguatirica por vezes caça durante o dia. — Foto: Arte/TG

Fonte: G1

Os comentários abaixo não expressam a opinião do Olhar Animal e são de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.