Rede de ‘predadores’ faz tráfico de carne de animais silvestre e pescados em freezers camuflados em ônibus

Rede de ‘predadores’ faz tráfico de carne de animais silvestre e pescados em freezers camuflados em ônibus

Funcionários da Sema estariam recebendo propinas para fazer vistas grossas para a pesca e caça irregular no Norte Araguaia.

Por Camila Nalevaiko 

MT stoantonio caca Untitled-1O Agência da Notícia foi procurado neste sábado(07) em Santo Antônio onde está o Parque Estadual do Araguaia, e está à beira do Rio das Mortes, por um morador que se diz preocupado com o sistema de pesca e caça irregular no Norte Araguaia. De acordo com o homem que prefere não se identificar, uma rede de predadores estaria agindo no Norte Araguaia desde Santa Terezinha até Ribeirão Cascalheira. Segundo ele centenas e centenas de quilos de peixes e carne de animais silvestres são levados da região semanalmente. Ele denuncia que o transporte é feito em ônibus. “São quilos e quilos de carne de animais silvestres e pescados que são transportados por esta rede de predadores que age no Norte Araguaia. Todo esse material pescado e caçado de forma irregular é transportado em freezers que são colocados embaixo dos ônibus para burlar a fiscalização nas barreiras policiais”, contou o homem ao Agência da Notícia.

Ele diz que a rede conta com o apoio de pelo menos 60% dos ribeirinhos que moram na região e que dependem desse contrabando para viver. Além de levar as carnes escondidas, ele denuncia outra forma de fazer o transporte. “Geralmente a carne de animal silvestre é transformada em linguiça, ou em pedaços bem pequenos de carne, assim não chamam a atenção”, disse ele.

Outra denúncia séria, seria o envolvimento de fiscais da Sema que trabalham na região e que fariam vistas grossas para a pesca e caça predatória. “Eu tenho informações de que alguns fiscais da Sema chegaram a ser ameaçados de morte pela Rede de Predadores, sei também que eles se venderam ao sistema e recebem dinheiro para fazer vistas grossas na fiscalização”, denunciou.

O Homem ainda alertou para a destruição da Ilha do Bananal. “Para os predadores não existem limites, eles pegam e tiram o que podem da natureza e acreditam que ela tem condições de se recompor sozinha, mas não é assim que acontece”, explicou.

Ele ainda fez questão de dizer que não sente medo em relações as denuncias e nem ao trabalho que desenvolve de preservação ao Meio Ambiente. “Eu não sinto medo, trabalhamos com a inteligência nacional, contamos com órgãos de defesa do estado, além de ter um aparato Internacional para fazer esse trabalho de preservação ao Meio Ambiente na Região”, contou ele.

O homem conclui a entrevista pedindo atenção principalmente dos professores, para ele o trabalho de preservação ao Meio Ambiente deve começar nas Escolas. “Os professores tem que fazer projetos que inclua os alunos na defesa ao Meio Ambiente, sair das salas e ter aulas de biologia no campo. Existe inclusive verba para isso, mas é preciso projetos, e isso não acontece e o dinheiro acaba voltando para o Governo”, concluiu.

Nota do Olhar Animal: A incoerência do discurso e ação ambientalistas predominantes, antropocêntricos e especistas, somado às dificuldades sociais de regiões como a do Alto Araguaia fazem com que os animais silvestres sejam presas frequentes dos habitantes humanos da região. Políticas públicas que difundam o vegetarianismo são fundamentais para que os animais silvestres não sejam vitimados, seja por inibirem o lucro com a caça, seja por desestimularem o desmatamento causado em grande parte pela pecuária. 

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