Redes Sociais ‘trabalham’ para salvar animais na região oeste de SP

Redes Sociais ‘trabalham’ para salvar animais na região oeste de SP

Ferramenta é usada pelas ONGs para arrecadar ração e medicamentos, além de dinheiro para pagar cirurgias e exames.

Por Rita de Cássia Cornélio

SP Jau redes sociais1

Um verdadeiro “exército” de voluntários se mobiliza todos os dias para salvar os animais abandonados, atropelados e doentes pelas ruas das cidades da região. Não ganham nada em “espécie”, mas com certeza são abençoados por São Francisco de Assis, o santo protetor de animais, como creem os católicos.

As ONGs utilizam as redes sociais para receber denúncias e angariar recursos e assim sustentar os gastos com os “socorros”. O Facebook é a principal ferramenta utilizada pelas entidades. A página da Apaja de Jaú (http://www.facebook.com/amigosdaapaja) tem mais de 12 mil curtidas, dependendo do dia.

Grande parte dos “cuidadores” de animais acolhem os doentes e feridos em suas próprias casas por não ter um abrigo municipal. Iacanga, Reginópolis, Pirajuí, Piratininga e outras cidades da região aguardam uma resposta da administração municipal para ter sede e canil, ainda que temporário. O abrigo temporário poderia aliviar a situação dos animais encontrados nas ruas que passam pela castração.  Muitos deles não têm onde ficar após o procedimento. A saída, na maioria dos casos, é ir para um lar temporário (LT) oferecido por voluntários, simpatizantes da causa animal, até o que bicho encontre um adotante.

A ONG Apaja de Jaú é uma das mais antigas e recolhe 280 cães e 80 gatos.  Através de um convênio com a prefeitura, os voluntários conseguem alimentar e tratar os animais. São 25 quilos de ração por dia para cães e 25 a cada dois ou três dias para gatos. As redes sociais socorrem em itens como medicamentos e transporte.

Em Piratininga, a Amigos dos Animais de Rua (Amar) (http://www.facebook.com/amar.piratininga) conta com a mensalidade de 50 moradores para cobrir os custos com castrações de animais abandonados.

Em Pirajuí (http://www.facebook.com/groups/603651803046062), uma parceria com a prefeitura garante cinco castrações mensais e o desconto, autorizado pelo morador, de uma quantia em dinheiro na conta de água.

Para completar a verba com as despesas, o “exército” de voluntários trabalha muito. Realizam brechós com roupas usadas, doadas pela população, vendem artigos para pets em shoppings, participam de feiras livres vendendo guloseimas e de eventos na cidade, sempre  focados na ajuda aos animais.

As cidades da região lutam para conseguir uma adoção responsável, ou seja, que o adotante trate o animal com amor e carinho, além de cuidar da saúde dele.  

Dois córregos

A ONG S.O.S. Animal de Dois Córregos usa o Facebook (http://www.facebook.com/SOSAnimalDC/) para comemorar as adoções. Publica fotos das pessoas que adotam os animais com os bichinhos de estimação. Uma maneira de incentivar a adoção.

No mês passado, a S.O.S. Animal de Dois Córregos socorreu até uma coruja encontrada por morador em um terreno baldio. A ave estava bem debilitada e foi levada para tratamento em Jaú. Infelizmente, ela não resistiu aos ferimentos. Em Pirajuí, até cavalo machucado já foi socorrido.  

A Associação de Proteção aos Animais de Botucatu (APA) usa a página do Facebook (http://www.facebook.com/apabotucatusp) para encontrar um novo lar e ajudar cães e gatos que estavam perdidos ou abandonados e foram achados. Os voluntários publicam matérias relacionadas à causa animal e de conscientização.

Cada uma a seu modo, as redes sociais têm sido uma ferramenta de grande valor para as entidades.

Facebook da Apaja tem mais de 12 mil curtidas

Atualmente, 280 cães e 80 gatos estão abrigados com a ONG de Jaú

SP Jau redes sociais2

As redes sociais têm sido uma ferramenta de extrema importância para aqueles que cuidam dos animais em toda a região. Em Jaú (47 quilômetros de Bauru), a arrecadação de ração, medicamentos e doações para cobrir cirurgias ganham força quando o pedido é feito pelas redes sociais, especialmente no Facebook, ressalta o presidente da Associação Protetora dos Animais de Jaú (Apaja), Guto Machado.

SP Jau redes sociais3

“O nosso Facebook é muito acessado, chega a atingir 12 mil curtidas. Quando precisamos de doações de ração, medicamentos ou mesmo quando precisamos levar um animal para cirurgia solicitamos ajuda através do face e somos atendidos”, comenta.

Os gastos com rações não são poucos, lembra Machado. “São três sacos de ração de 25 quilos de cães por dia e um, com o mesmo peso, para cada dois ou três dias de gatos. Temos, no canil, 280 cachorros e cerca de 80 gatos que são recolhidos pelos voluntários e pela prefeitura com a qual mantemos um convênio”, explica.

As redes sociais ajudam demais a associação, na opinião do presidente. “Também firmamos parcerias com pet shop da cidade. Como temos um acesso grande da página, usamos para fazer propaganda do estabelecimento. Recebemos em ração”, explica.

Também é pelo Facebook que a ONG recebe os chamados para salvar animais na cidade. “Grande parte dos chamados chegam pelas mídias sociais, especialmente pelo Facebook. Os moradores de Jaú denunciam pessoas que abandonam os animais e mudam de casa, os atropelamentos  e os doentes”, conta Machado.

O maior número de casos atendidos pela associação são de abandonos de ninhada de filhotes.

“Os moradores avisam que tem uma caixa com tantos filhotes abandonada em tal lugar ou que uma cadela deu cria no meio do mato. As pessoas abandonam  os filhotes como se elas não tivessem nenhuma responsabilidade. Aqui não temos lei municipal para gerir o assunto. Usamos a lei nacional de maus-tratos”, aponta Machado.

Grupo de voluntários

SP Jau redes sociais4

A Associação Protetora dos Animais de Jaú (Apaja) conta com 15 voluntários que trabalham na associação, que começou há 20 anos. “Não temos sede. Temos um canil, um local cedido pela prefeitura. O município também tem um canil, mas são separados, um do lado do outro. Têm os cães deles e os nossos. Nós prestamos ajuda e atendimento tanto para os nossos quanto para os deles.”

A associação firmou um convênio com a administração municipal, que ajuda no recolhimento de animais atropelados. “A prefeitura consegue nos ajudar com recolhimentos. Toda parte que ela não consegue suprir, ou seja, resgate, castração e atendimento a animais abandonados, é repassada para nós. A administração municipal destina uma verba para suprir os gastos.”

Convênio com veterinário

Um veterinário conveniado com a ONG faz as castrações e o atendimento de animal abandonado, maltratado, atropelado e doente. “Arrecadamos fundos também em uma loja solidária que montamos mensalmente no shopping da cidade. Eles nos cedem espaço e montamos uma lojinha com artesanato, roupinhas, potes de água, camisetas e chaveiros.”

Alguns artesanatos são feitos por voluntários, mas grande parte  dos  produtos vendidos são  comprados  pelo preço de custo junto a fornecedores e revendidos. “Temos uma rede de cofrinhos espalhados em estabelecimentos comerciais. Temos 80 cofrinhos.  Todas as ações feitas pela ONG geram mensalmente em torno de R$ 1 mil que são investidos em medicamentos.”  Até o final do ano, a associação pretende ter seu próprio espaço. “Temos a promessa e acredito que até o final deste ano vamos ter nossa sede. Com a  ajuda de várias pessoas da sociedade jauense podemos alcançar nosso objetivo. A iniciativa privada vai doar o espaço.”

Mensalidades e parcerias ajudam a Amar de Piratininga a manter os animais abandonados

Há dois anos na “estrada”, a Amigos dos Animais de Rua (Amar) de Piratininga (13 quilômetros de Bauru) está focada na castração de bichos. A maior arrecadação da ONG vem da própria população, através de mensalidades, que têm valor diferenciado. “As doações são a partir de R$ 10,00. São 50 doadores. Essa diretoria assumiu em maio deste ano. Nosso trabalho está focado na castração. Nossa ONG não tem canil. Ela tem endereço, mas não tem ponto fixo”, explica a 1ª tesoureira, Ana Laura Rodrigues Daher.

Na cidade não tem o censo animal, por isso Daher não sabe o número de animais em Piratininga. “No ano passado, conseguimos fazer a castração de mais ou menos 400 animais. Só esta semana castramos 15 gatos. Com apenas R$ 2 mil por mês arrecadados com as doações, brechó e mensalidades não dá para fazer muito.” 

Com os recursos escassos, a ONG fez uma parceria com três veterinários da cidade. “Definimos os valores das castrações e atendimentos. Todas as vezes que precisamos, encaminhamos os animais para eles. As castrações de cães e gatos são gratuitas. Muitas vezes, os animais têm dono. Fazemos o cadastro e, se a pessoa não tiver condições de levar no veterinário, os voluntários levam.”  Outra ajuda vem da farmácias veterinárias, segundo Daher. “Consulta e medicação são direcionadas para os animais encontrados com doença do carrapato e anêmicos. Há ainda os casos de animais atropelados. As farmácias veterinárias nos ajudam.”

As redes sociais para a Amar é uma ferramenta usada para adoção, pedido de ajuda e recebimentos de doações de ração e denúncia de animais abandonados. “As pessoas avisam  quando tem animal ferido em determinada rua. Houve um caso de uma cadela que castramos e na semana seguinte ela foi atropelada.” O animal tinha que fazer uma cirurgia. “Fizemos o RX e ela ia para cirurgia, mas pegou a doença do carrapato. Fizemos o tratamento e, nesse meio tempo, ela começou a andar. Recuperou sozinha e nem precisou da cirurgia.”

ONG precisa de espaço próprio

Para ampliar o trabalho de socorro aos animais encontrados feridos, a Amar precisaria ter um abrigo. “As pessoas avisam de animais feridos, mas não temos como abrigá-los. Já conversamos com o prefeito e com vereadores que apoiam o nosso trabalho, mas de concreto ainda não temos nada.”

O canil, segundo Daher, também serviria para abrigar os casos temporários. “Os cães que castramos ficam sem local para o pré e pós operatório. Precisamos de uma lei municipal de responsabilidade sobre a posse de animais.”

Doação na conta de água em Pirajuí ajuda animais abandonados, atropelados e doentes 

Fundos arrecadados em Pirajuí atingem cerca de R$ 2.400,00 por mês para socorrer os bichos.

SP Jau redes sociais5

A ONG Late-Mia & Cia de Pirajuí (58 quilômetros de Bauru) lançou mão de um precedente usado por outras entidades na cidade para garantir recursos mensais e socorrer os animais abandonados e feridos. O morador do imóvel autoriza o débito de uma quantia na conta de água, que repassa o valor doado.

A estratégia foi montada pela ONG quando ela foi fundada, em setembro de 2014, explica o atual presidente, Paulo Henrique Vicari. “Nós fizemos uma campanha para criar esta verba fixa, uma arrecadação mensal que subsidiasse a entidade. Fizemos um documento onde o dono do imóvel autorizava que fosse debitado todos os meses uma certa quantia. No final de cada período, a autarquia contabiliza os valores e repassa para nós em uma conta bancária.”

Os valores variam de R$ 5,00 a R$ 20,00. “O valor mínimo que estipulamos foi de R$ 5,00, porém tem morador que contribui com menos. Outros contribuem com mais de R$ 20,00. São aproximadamente 250 contribuintes que geram uma receita de cerca de R$ 2,4 mil.”

As redes sociais devem dar um impulso na arrecadação e visibilidade da ONG. “Estamos montando e está para entrar no ar o nosso site, está em fase de adaptação. Juntamente com ele, vamos montar a página de Facebook, uma está atrelada a outra”. O site será http://www.latemiaeciapirajui.com.br

Todo segundo sábado de cada mês, na praça central, é feito um brechó. “Tem uma ferinha e nós participamos. Vendemos roupas usadas em bom estado. É bem bacana porque a roupa nós ganhamos. O lucro é de 100%. São peças que giram em torno de R$ 1 a R$ 8, no máximo.”

No aniversário da cidade, dia 29 de março, eles vendem a coxinha do distrito de Estiva, que é famosa e diferenciada. “É feita de massa de mandioca com recheio de carne.”  No último Carnaval, também houve uma chance de angariar recursos. “A prefeitura faz o Carnaval gratuito. Nós exploramos o bar e divulgamos o nosso trabalho junto aos animais.”

Prioridade

Os animais vítimas de maus-tratos e atropelados são prioridade para a ONG. “Não admitimos ver o animal sofrendo. Os abandonados atendemos, em alguns casos. Estamos aguardando uma parceria com a prefeitura. Eles estão dependendo da conclusão de uma obra que vai abrigar o novo PDF. O antigo será cedido para nós.”

Quando a entidade recolhe algum animal deixa com uma moradora. “Ela tem 50 animais. A ração desses animais é custeada pela ONG. Vacinamos e tratamos dos cachorros dela e em troca ela acolhe os mais necessitados, eventualmente. Tratamos e depois fazemos a triagem para adoção. Chegamos atender até cavalo.”  As castrações são feitas pela prefeitura com o apoio da ONG. “Quando iniciamos o trabalho, procuramos a prefeitura e fizemos uma parceria. Eles proporcionam cinco castrações mensais. Nós fazemos a triagem, colocamos na fila e encaminhamos para uma das quatro clínicas da cidade”.

Pirajuí quer espaço e viatura

A Late-Mia & Cia de Pirajuí aguarda um espaço para acolher os animais recolhidos da rua e uma viatura para socorrer os bichos . “Tínhamos uma voluntária que recolhia com o carro dela. Mas ela teve que vender o carro e estamos batalhando para adquirir um veículo/viatura. Hoje, somos em 17 voluntários. Trabalhamos com a conscientização para mudar a situação”, explica o presidente da ONG, Paulo Henrique Vicari.

Construção de abrigos é um dos maiores desafios de toda a região

Na região, Reginópolis (70 quilômetros de Bauru) e Iacanga (50 quilômetros de Bauru) e outros municípios, as ONGs ainda “patinam” no item abrigo, o que prejudica a ação do voluntariado.

A presidente da entidade de Reginópolis, S.O.S. Patinhas (http://www.facebook.com/groups/660989153949917), Lucilaine Godoi Trabaquine, explica que a ONG foi legalizada e tem CNPJ. “Temos projeto e estamos tentando ajuda da prefeitura. Precisamos de um terreno. Não vamos recolher tudo, mas pelo menos tirar as fêmeas da rua. Hoje, uma senhora é quem cede o espaço para socorro.”

O projeto da ONG não é recolher animais para virar um depósito. “A castração de um gato custa R$ 180 e nós conseguimos por R$ 70,00. Vamos atrás daqueles que precisam castrar os animais e oferecemos esse serviço.” Trabaquine explica que trabalha com a conscientização. “Na nossa cidade não tem nem zoonose. Depois que começamos o trabalho têm poucos animais na rua.”

Para custear tratamentos de animais doentes, a  S.O.S. Patinhas desenvolve uma série de atividades. “Somos em 10 voluntários. Vendemos pizza, pedimos doações e temos alguns sócios que doam R$ 5,00 por mês. Fazemos brechó. A veterinária que trabalha para a gente dá um desconto de 50% ou mais.”

O Facebook é uma ferramenta bastante usada pela entidade. “Tentamos comover as pessoas a ajudarem a gente. Cerca de 2 mil cachorros foram vacinados.”

Iacanga já tem o terreno para canil

Em Iacanga não há censo animal. Portanto não se sabe quantos animais a cidade tem. A ONG Anjos De Patas (http://www.facebook.com/profile.php?id=100009854251661), que começou suas atividades há um ano, ganhou um terreno e aguarda aprovação do projeto para iniciar a obra do canil, explica a voluntária Brenda Aparecida Teixeira Verjião.

“Formamos uma diretoria e temos CNPJ. A prefeitura doou um terreno que não foi aprovado porque o local era um antigo aterro sanitário. Outro local foi doado e aprovado. Temos a promessa de um vereador voltado à causa que pretende destinar uma verba para a construção. Ainda não recolhemos animais porque não temos espaço. Os casos mais gritantes levamos para nossa casa, tratamos e arrumamos alguém para adotar.”

O grupo de voluntários atinge 20 pessoas, sendo duas veterinárias. “Para arrecadar fundos, nós fazemos rifa temáticas. No Dia das Mães, fizemos uma cesta de café da manhã e rifamos.  Os atendimentos não são gratuitos, são mais baratos. Usamos o Facebook para atender e pedir ajuda da população para certos casos”, explica.

Fonte: JCnet

Os comentários abaixo não expressam a opinião da ONG Olhar Animal e são de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.