Reduz o número de elefantes no maior santuário do mundo

O alerta foi feito ontem por pesquisadores norte-americanos na revista “Current Biology”. A equipa analisou a extensão das perdas de população de elefantes comparando dados de dois levantamentos em grande escala feitos no local em 2004 e 2014.

“Com base em mudanças na abundância e na distribuição geográfica das fezes, identificámos os impactos da caça ilegal”, explicou, em comunicado, John Poulsen, professor assistente de ecologia tropical da Universidade de Duke, nos Estados Unidos.

“A nossa pesquisa sugere que mais de 25 mil elefantes do Gabão podem ter sido mortos nesse período por causa do marfim. A perda dos animais nesse santuário-chave é um considerável revés para a preservação da espécie”, ressaltou.

Embora algumas caçadas tenham origem no Gabão, os resultados do novo estudo indicam que a actividade ilegal envolve também caçadores de países vizinhos, ­nomeadamente os Camarões, o que resulta num impacto considerável na redução dos elefantes.

“Para salvar os elefantes da África Central, precisamos de criar áreas protegidas internacionalmente e coordenar a aplicação da lei internacional a fim de garantir o julgamento de estrangeiros que cometam ou incentivem crimes contra a vida selvagem noutros países”, disse John Poulsen.

Duplicação do orçamento

Segundo os cientistas, desde 2011 o Governo do Gabão combate a caça ilegal através de medidas como a duplicação do orçamento dos parques e a queima do marfim confiscado. Mesmo assim, devem ser tomadas medidas adicionais, preconizam. “Estudos que mostram quedas acentuadas nas populações de elefantes de floresta não são novos, mas uma perda de 78 por cento a 81 por cento numa das maiores e mais remotas áreas protegidas da África Central é um aviso de que nenhuma região está livre da caça furtiva”, concluiu o professor John Poulsen, expressando uma preocupação que percorre toda a comunidade internacional.

Fonte: Jornal de Angola / mantida a grafia original

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