Rejeição aos circos com animais se expande por toda Espanha

Rejeição aos circos com animais se expande por toda Espanha
Número circense com tigres (Foto: PACMA)

O famoso circo norte-americano Ringling Bros encerrará suas atividades em 2017. Entre uma das causas apresentadas pela empresa, ao anunciar a alguns dias a sua aposentadoria, estão “as batalhas legais com grupos defensores dos animais”.

Os espetáculos que usavam elefantes equilibristas ou feras domadas tornaram-se um retrocesso, colocando em xeque o autointitulado “maior espetáculo da Terra”. Em 2016, os municípios espanhóis que decidiram proibir os circos que utilizam animais subiram em 65%, de cerca de 230 no final de 2015 passando para 373 em 2016. As prefeituras negam a autorização para que circos com este tipo de espetáculo acampem em seus terrenos e em dois anos a lista dobrou, já que em 2014 eram 170 as cidades que não permitiam esse tipo de espetáculo.

A Espanha está entre a minoria dos países europeus cuja normativa geral ainda permite todo tipo de animais em suas tendas. Estão proibidos os circos com animais na Áustria, Bélgica, Holanda, Bulgária, Suécia, Eslovênia, Finlândia, Chipre, Portugal, Malta, República Checa, Hungria, Grécia, Dinamarca e Polônia.

Entretanto, a rejeição a esta forma de uso de animais selvagens está levando a criação de novas leis municipais que, definitivamente, evitam a exposição destes. A coalisão Infocircos (formada por AnimaNaturalis, Born Free Foundation, FAADA e APP Primadomus) defende o fim do uso de animais. “As evidências científicas acumuladas mostram que o impacto dos circos sobre o bem-estar animal é grave, devido ao treinamento a que são submetidos, pelos riscos a saúde pública e transmissão de doenças”.

Seguindo a corrente das cidades, as comunidades autônomas – competentes na matéria de proteção animal – estão legislando nesse mesmo sentido.

A Catalunha foi a primeira comunidade a aprovar, em julho de 2015, uma lei proibindo a atuação de animais selvagens em circos. Mais ou menos um ano depois, o Parlamento Valenciano aprovou uma proposta para que não se empregue fauna silvestre nos espetáculos. Os grupos políticos admitiram que essa prática é “desrespeitosa” e que não tem “valor educativo, conservacionista ou econômico”, e o governo autônomo está de acordo em modificar a lei de animais de companhia para efetivar esta visão.

Em Madri, a prefeita Manuela Carmena (Ahora Madrid) também propôs a proibição de circos com animais na capital através de um decreto. Assim foi anunciado em janeiro de 2016, mas a iniciativa ainda não foi concretizada, seguindo vigente a normativa de 2001.

Muitas das propostas locais contra circos com animais pressionaram os executivos regionais para que estes redijam leis similares que sejam aplicadas em todo o território autônomo correspondente. Neste sentido, Castilha-La Mancha anunciou que vai revisar sua norma, datada de 1990, para impedir o uso de animais selvagens em espetáculos.

A pressão dos animalistas

Há oito meses, o próprio circo Ringling Bros deu por terminados seus números com elefantes. A empresa disse que “as maiores lendas vivas da nação sairão pela última vez”, mas eles mantiveram outros animais na programação.

A União de Profissionais e Amigos das Artes Circenses conta que “com as mudanças políticas, estamos vendo como as pressões de grupos animalistas estão sendo dirigidas aos circos com animais artistas” e acrescentam: “estamos de acordo com quem queira defender os direitos dos animais, mas nestes grupos há muitas pessoas infiltradas que só querem confusão e brigas”.

A Associação Europeia de Circos (ECA) pensa que “encontros próximos com animais podem ajudar a compreender melhor suas necessidades e beleza. Os circos podem fazer isto muito melhor que um zoológico, porque os exemplares são educados para seu desenvolvimento físico e intelectual”. A ECA considera que utilizar animais “é uma opção artística dos diretores e lutaremos pelo direto deles tomarem essa decisão”.

O Ringling Bros vai fechar seus picadeiros após 147 anos de funcionamento e além dos problemas por não poder seguir montando números com animais, os custos e a falta de rentabilidade também explicam seu fechamento. A União de Profissionais garante que na Espanha ocorre algo parecido: “junto com as dificuldades normais de cada dia, incompreensivelmente as prefeituras não facilitam o trabalho dos circos com tenda. Ao contrário, colocam mais dificuldades, problemas e aumento de impostos para que não trabalhemos”.

Por Raúl Rejón / Tradução de Flavia Luchetti

Fonte: El Diario ES

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