Reserva ambiental do Amapá faz vaquinha virtual para manter 350 animais e não fechar

Reserva ambiental do Amapá faz vaquinha virtual para manter 350 animais e não fechar

Com mais de 350 animais convivendo em meio à natureza, a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) – Revecom, que fica no município de Santana, a 17 quilômetros de Macapá, passa mais uma vez por dificuldades para manter a alimentação, segurança e manutenção do espaço.

Com um custo mensal de R$ 35 mil, a reserva só consegue reunir cerca de R$ 19 mil que são destinados quase que exclusivamente à compra de alimentos para os animais. O valor vem de doações particulares e de um convênio com a prefeitura de Santana, mas que está com o pagamento atrasado.

A parceria foi estabelecida em julho desse ano. Sobre o atraso no repasse do convênio, a gestão municipal não deu retorno até a publicação desta reportagem.

Administrador da Revecom, Paulo Amorim. — Foto: Redes Sociais/Divulgação

A crise financeira da reserva sempre existiu, mas se agravou desde que mineradoras que atuavam no Amapá, deixaram de patrocinar o lugar após saída do estado. Em 2014, a Revecom chegou a doar animais para órgãos ambientais, por não ter como mantê-los.

O cuidado com os animais está ameaçado, pois a administração precisa de recursos para pagar a mão de obra dos trabalhadores que ajudam na manutenção, com salários e encargos. Além de outros compromissos como a energia elétrica e fretes para o recolhimento de doações feitas pelos supermercados, que ofertam restos de frutas e verduras e produtos de limpeza.

Com mais de 17 hectares de mata preservada, muitos animais vivem livremente. — Foto: Rede Amazônica/Reprodução

Para não fecha as portas, o administrador do espaço, Paulo Amorim, criou campanhas nas redes sociais e uma vaquinha virtual para tentar arrecadar fundos e pagar os poucos profissionais que consegue manter.

“Voltamos a estaca zero. Se o problema continuar sem solução, vou ter que encerrar as atividades, o que seria uma pena. A vaquinha está no ar. A ideia é consegui recursos para pagar o décimo terceiro do pessoal e manter o lugar”, explica Amorim.

Porcos do mato em viveiro na reserva. — Foto: Cassio Albuquerque/Arquivo G1

Poluição, furtos e caça ilegal

Sem condições de manter a vigilância, o lugar passou a ser alvo constante de invasões, furtos e de pesca e caça predatória. As principais vítimas são as espécies de peixe que vivem no rio Amazonas, as margens da reserva, e pacas e cutias, cuja carne é consumida e vendida ilegalmente na região.

Em fevereiro, parte da área foi poluída com lixo trazido pela maré do rio aos cerca de 450 metros de praia. São plásticos, vidros e outros objejtos jogados pelos próprios moradores que ficam ao redor da reserva.

“Já encontramos aqui peixes mortos com o abdômen, após autópsia, mostrando que ele havia se alimentado de plástico”, disse Amorim.

Animais em recuperação

Apesar das dificuldades, a Revecom continua ajudando animais a serem reintroduzidos na natureza, como o caso de uma coruja intoxicada por veneno de rato. Com tratamento adequado, a ave se recuperou e voltou ao seu habitat.

Na sexta-feira (25), um filhote de tucano-de-bico-preto foi resgatado e encaminhado para a reserva após ser achado no quintal de uma casa no município de Ferreira Gomes, a 137 quilômetros da capital. O animal silvestre teria se perdido da mãe.

Filhote de tucano é encontrado em quintal de casa, no AP — Foto: Divulgação/Batalhão Ambiental

Doações

A RPPN Revecom fica na Rua Vinte e Oito, bairro Vila Amazonas, em Santana. A reserva também mantém perfis nas redes sociais. Informações pelo número (96) 99971-2155.

Interessados em ajudar podem transferir qualquer valor para a conta em destaque. — Foto: Rede Amazônica/Reprodução

Caranguejeira dos pés rosa, animal pode ser encontrado na Revecom no AP — Foto: Redes Sociais/Divulgação

Fonte: G1

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