Resgate de tartaruga-de-couro chama atenção para condição dos mares

Resgate de tartaruga-de-couro chama atenção para condição dos mares
Pesca e descarte indevido de resíduos ameaçam vida marinha — Foto: Ocean Explorers/VC no TG

Durante uma saída para fotografar baleias-jubarte no litoral do Espírito Santo, o biólogo marinho e cinegrafista subaquático Rodrigo Lopes foi surpreendido por uma tartaruga-de-couro presa em uma linha de espinhel.

VÍDEO: Mergulhadores libertaram tartaruga-de-couro presa em linha de espinhel

A “armadilha” é, na verdade, um emaranhado de quilômetros de linhas com anzóis afiados e iscas que atraem diversas espécies marinhas.

“Esse tipo de situação é comum em alto mar. Nós a avistamos de longe, pelo tamanho e pela força que ela estava fazendo para tentar se livrar”, conta o mergulhador que, junto aos colegas, entrou na água para resgatar o animal.

“Pulamos na água e avaliamos se tinha algum anzol preso nela. Com facas nós cortamos os cabos que estavam embolados. Apesar de ter sido rápido, foi bem difícil por conta da força com que ela se debatia. Ela não aguentaria ficar por muito tempo presa, morreria afogada em poucas horas”, diz Rodrigo, que se orgulha do feito.

“Foi incrível vê-la dando a primeira braçada, não só pelo dever cumprido, mas pela chance de ver o bem que fizemos a um animal tão indefeso”, diz.

A liberdade desse animal tão magnífico, ameaçado de extinção, foi a nossa recompensa
— Rodrigo Lopes

REGISTROS DO BEM

Poluição química, pesca predatória e acidental, emissão de poluentes industriais e domésticos e descarte inadequado de resíduos plásticos são algumas práticas que ameaçam a biodiversidade marinha.

VÍDEO: Registros da vida marinha incentivam preservação dos oceanos

Com a roupa de mergulho e equipamentos fotográficos o biólogo marinho e cinegrafista subaquático trabalha em prol da proteção dos oceanos e usa os registros como munição contra os problemas causados pelo homem.

“O objetivo é mostrar através das imagens quais são os ambientes marinhos, quem são os seres que ali habitam para que as pessoas possam conhecer esse mundo tão próximo e ao mesmo tempo tão desconhecido”, explica Rodrigo, fundador da Ocean Explorers, organização dedicada à ciência e conservação marinha.

Através dos registros, o biólogo marinho incentiva a preservação do meio aquático — Foto: Ocean Explorers/VC no TG
Através dos registros, o biólogo marinho incentiva a preservação do meio aquático — Foto: Ocean Explorers/VC no TG

“Com os diagnósticos por imagem já conseguimos mudar muitos planos de obras portuárias cujo projeto original iria degradar ambientes até então desconhecidos”, conta.

Além das belezas do fundo do mar, os registros documentam os problemas que degradam os oceanos.

Os documentários aproximam as pessoas das espécies marinhas — Foto: Ocean Explorers/VC no TG
Os documentários aproximam as pessoas das espécies marinhas — Foto: Ocean Explorers/VC no TG

“Um grande desafio é acabar com a poluição dos mares por resíduos plásticos, um dos sérios problemas que vem degradando os ambientes marinhos e tomando proporções gigantescas”, explica o mergulhador que, a partir de registros do lixo e dos animais prejudicados, se envolve na luta pela conservação dos mares.

A solução para esses problemas é conscientizar as pessoas para o uso e descarte responsável dos resíduos. Ações de educação ambiental são importantes para que essa e as próximas gerações possam ser responsáveis pelo cuidado com o Planeta
— Rodrigo Lopes

PESCARIA SEGURA

A pesca de espinhel de superfície é usada para capturar peixes grandes, como tubarões, espadartes e atuns, porém, muitas vezes as tartarugas são fisgadas por acidente e morrem.

Para diminuir o número de incidentes com tartarugas-cabeçudas e tartarugas-de-couro, as espécies mais prejudicadas, foi determinado o uso de um anzol circular, em formato de “C”.

O antigo anzol usado na pescaria de espinhel, em formato de “J”, está proibido. O pescador que for pego com essa ferramenta pode ser multado e ter a carga apreendida.

O uso do novo anzol diminuiu em 55% a captura da tartaruga-cabeçuda e 65% a captura da tartaruga-de-couro.

Por Giulia Bucheroni, Terra da Gente

Fonte: G1

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