Restos mortais de seis leões encontrados num parque nacional no Uganda

Restos mortais de seis leões encontrados num parque nacional no Uganda
Zoo de Indianapolis/Twitter

“Condenamos veementemente a matança ilegal de animais selvagens porque, além de impactar negativamente o turismo e a economia de nosso país, é um golpe para as comunidades locais e para os programas de conservação”, denunciou Bashir Hangi num comunicado.

Nos últimos anos, dezenas de leões e outros predadores, sobretudo hienas, foram encontrados mortos por envenenamento na reserva natural, matanças atribuídas a fazendeiros que residem na periferia e que veem os seus rebanhos ameaçados. 

Os especialistas estimam uma redução de 50% no número de felinos em apenas 11 anos, tendo passado de cerca de 120 para um número próximo da metade.

Os especialistas explicam também que o número relativamente baixo de presas e a proximidade de comunidades humanas a essas áreas naturais protegidas levaram muitos leões a caçar vacas e outros animais domésticos para sobreviver.

No entanto, e embora a causa da morte dos seis leões esteja ainda por determinar, algumas vozes entre os especialistas não descartam que possam ter sido vítimas de tráfico de animais. 

“Há cerca de 10 anos que, no Vietname, Laos e China, os ossos de tigre são utilizados para produzir medicamentos tradicionais e todos os tipos de pomadas. Agora que os tigres estão prestes a desaparecer, os traficantes de animais passaram a interessar-se por ossos de leão”, afirmou à agência noticiosa espanhola EFE Edith Kabesiime, investigadora de crimes ambientais da organização World Animal Protection Africa (WAPA).

As savanas de gramíneas, florestas tropicais e pântanos do Parque Nacional Rainha Elizabeth, localizado na bacia de Albertina e uma das regiões de maior biodiversidade do planeta, abrigam quase uma centena de espécies de mamíferos e cerca de 610 aves. 

Graças aos programas do governo ugandês e aos esforços dos guardas-florestais, as populações de algumas espécies cresceram exponencialmente, como no caso dos elefantes africanos, cuja população cresceu de cerca de 150 na década de 1980 para mais de 4.000 na atualidade, embora a biodiversidade do parque continue em perigo.

“Embora a imprensa e as organizações não-governamentais concentrem na maioria das vezes toda a atenção nos animais mais carismáticos, cada planta ou animal tem o seu papel a cumprir na manutenção do equilíbrio dos ecossistemas”, resumiu à EFE o diretor da ONG Uganda Carnivore Program (UCP), Ludwig Siefert. 

“Se uma espécie desaparece ou as suas populações são reduzidas, as demais também correm perigo”, alertou o especialista. 

Fonte: Notícias ao Minuto / mantida a grafia lusitana original 

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