Retrocesso: Assembléia Legislativa aprova projeto que reconhece vaquejada como atividade esportiva em Alagoas

Retrocesso: Assembléia Legislativa aprova projeto que reconhece vaquejada como atividade esportiva em Alagoas

Por Izabelle Targino

AL ale aprova vaquejada

Por unanimidade, os deputados aprovaram, em primeira discussão, o Projeto de Lei 60/2015, de autoria do deputado Dudu Hollanda (PSD), que reconhece a vaquejada como atividade esportiva no âmbito de Alagoas. A matéria ainda será apreciada e votada em segunda discussão.

Antes de ser aprovado, o projeto chegou a ser questionado pelo deputado pastor João Luiz, que pediu explicações sobre a prática, alegando não conhecer o projeto, mas acabou votando a favor após os esclarecimentos dos colegas.

“Não conheço vaquejada, não acho que seja atividade esportiva. Quando morava em Santa Catarina participei da luta contra a festa do boi, combatida por várias entidades. Aqui o Estado baniu circos que utilizavam animais em apresentações e temos trabalhado arduamente em projetos de lei que auxiliem o trabalho desenvolvido em prol dos animais de rua”, disse o deputado, que justificou o pedido de esclarecimentos, mostrando preocupação com maus-tratos aos animais.

O deputado Dudu Albuquerque, autor da matéria e praticante da Vaquejada, defendeu o projeto e justificou o pedido.

“A vaquejada é um esporte genuinamente brasileiro, praticada há muitos nãos no Nordeste brasileiro e, hoje, em vários outros Estados. Já é tida como esporte em vários estados. Aqui nós temos uma associação, fazemos competições, tem ranking de pontuação. Eu sou praticante, assim como muitos colegas deputados e a gente quer um reconhecimento, para que o campeonato seja regulamentado como esporte”, explicou Dudu.

O projeto também foi defendido pelos deputados Tarcizo Freire (PSD), Antônio Albuquerque (PRTB) e Francisco Tenório (PMN).

“A vaquejada não só é um esporte, como uma atividade econômica, que gera muitos empregos. O Brasil exporta cavalos. Se hoje dissessem que acabaria a vaquejada, isso traria um prejuízo grande, principalmente para o Nordeste. Os animais são muito bem tratados”, argumentou Tenório.

“O meu questionamento, eu repito, foi porque não conheço a vaquejada. Mas diante dos depoimentos dos deputados, eu me rendo. Tenho que confiar nos meus amigos”, finalizou pastor João Luiz.

Fonte: Alagoas 24 horas 

Nota do Olhar Animal: Os argumentos pró vaquejadas, que seriam risíveis se não fossem trágicos para os animais, continuam os mesmos. Um “esporte” onde o esportista não quer participar? Claro, na visão dessa gente o esportista não é o animal e sim o vaqueiro. Para eles, o animal é um mero objeto, como se fosse a bola para o futebol. Por outro lado, justificar a exploração animal com o argumento de que gera muitos empregos é uma vergonha, uma desonestidade. O tráfico de seres humanos também gera renda. A exploração sexual de menores idem. A corrupção também. Nem por isso as atividades devem ser aceitas, pois causam danos a terceiros, assim como as vaquejadas, os rodeios e outras práticas abjetas congêneres. Que esta lei seja contestada na Justiça, maus-tratos não podem receber a qualificação de “esporte”.

Os comentários abaixo não expressam a opinião da ONG Olhar Animal e são de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.