Ribeirão Preto (SP): cidade tem 100 mil animais abandonados nas ruas

Ribeirão Preto (SP): cidade tem 100 mil animais abandonados nas ruas
Entidades acreditam que a solução seria a castração imediata destes animais - Foto: Divulgação - Allan Ribeiro

Ribeirão Preto tem cerca de 100 mil animais que estão abandonados nas ruas. A estimativa foi levantada por instituições e ONGs que trabalham em favor dos cães e gatos. Média de um animal abandonado para cada seis habitantes da cidade.

Na última semana, representantes dessas entidades se reuniram com parlamentares da Câmara Municipal de Ribeirão Preto para debateram qual a melhor saída para solucionar o abandono de animais.

O vereador Jorge Parada é um dos que estavam presentes nessa reunião. Ele possuía a ideia de criar um Samu animal para ajudar estes que estão abandonados, mas foi convencido de que não é esta a solução.

“Não existe um censo oficial. A população é grande. Estima-se que, entre animais domésticos e que vivem nas ruas, exista um animal para cada três pessoas em Ribeirão Preto. Nós fizemos uma reunião inicialmente para discutir a criação desse Samu animal, mas é preciso investir em cuidados como controle, para não enxugarmos gelo. Hoje isso praticamente não existe em Ribeirão Preto”, fala.

O parlamentar acredita que não existe uma política de proteção aos animais na cidade. “E isso incluiria a castração animal. Esse é um número expressivo. Temos aqui pessoas irresponsáveis que pegam os animais e os largam nas ruas e com isso, a população vai aumentando. É realmente triste o que tem acontecido em Ribeirão Preto. Apesar de nós termos uma política para isso. Não vemos efetividade”, diz.

Jorge Parada está envolvido na causa
Jorge Parada está envolvido na causa

Visão

Andreia Bombonato está a frente da ONG Focinhos SA. Ela confirma que não existe um censo animal, mas que isso está errado. “É de responsabilidade da Prefeitura, por meio da Coordenadoria de Bem Estar Animal, realizar esse censo animal anualmente, mas isso não é feito. Tanto que nós ficamos as escuras sem saber o número certo de animais, para que possamos realizar um diagnóstico e depois termos um plano de ação”.

Segundo ela, o que deveria ser prioridade na Prefeitura é uma política pública de castração. “As ONGs já realizam esse serviço. São cerca de 10 mil castrações ao ano, mas os animais nas ruas não são castrados e eles se reproduzem em uma velocidade muito grande. Os cachorros vão a cada seis meses e gatos a cada quatro meses. Então, só resgatar não basta. Se não fizer a castração em massa, o problema vai continuar. Precisamos que haja essa política. Seria interessante que até nos próximos cinco anos, houvesse a castração de pelo menos 90% deste animais, pois quando eles pararem de se reproduzir, o número vai diminuir”.

Segundo a empresária, a expectativa de vida de um animal que vive na rua é baixa. “É de 3 a 5 anos, no máximo. Se houver o controle de reprodução, conseguiremos colocar um ponto final do problema. É possível e viável, basta uma boa vontade”.

Outro lado

O Poder Executivo confirma que não é possível mensurar oficialmente a quantidade de animais que vivem nas ruas. Em nota, a Prefeitura alega que é realizado o recolhimento de animais debilitados, incluindo doentes, atropelados e que sofreram maus-tratos. Esses animais são tratados, recuperados, castrados e disponibilizados para a adoção.

Visando o controle de reprodução, existe o Programa de Castração Animal de Baixo Custo e sem Custo em Ribeirão Preto. O objetivo é ofertar melhores condições de saúde e bem-estar animal para cães e gatos, controlar a população canina e felina no município e implantar ações educativas sobre posse e propriedade responsáveis. O programa de castração sem custo é destinado à população em condição socioeconômica abaixo da linha da pobreza, identificada pela Secretaria Municipal de Assistência Social. Estas cirurgias serão realizadas na sede da Coordenadoria do Bem-Estar Animal, sem qualquer ônus financeiro para os proprietários dos animais.

Já as castrações de baixo custo são realizadas em clínicas veterinárias conveniadas ao município, mediante pagamento de taxa de R$ 50 pelos munícipes. À prefeitura caberá o fornecimento de kits com material cirúrgico descartável e medicamentos para a realização da cirurgia.

Existe uma Lei municipal que considera multa de 50 UFESPs para quem for flagrado abandonado animais, porém essa lei está sendo revista. Cada UFESP tem o valor de R$ 26,53 em 2019.

Por Pedro Gomes

Fonte: Revide

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