Rinocerontes ameaçados estão agora protegidos por dados analíticos

Rinocerontes ameaçados estão agora protegidos por dados analíticos
Foto: max_sang / Flickr

Depois que a caça furtiva aumentou recentemente, o governo sul-africano recorreu a técnicas usadas em marketing para estudar os consumidores, de forma a identificar – e fechar – as redes que conetam armas ilegais, caçadores furtivos e compradores de chifre de rinoceronte.

A luta tecnológica contra a caça da vida selvagem acontece geralmente dentro de reservas, com a utilização de drones que buscam invasores, até à inteligência artificial que prevê quando acontecerá o próximo ataque, lê-se num artigo do Fast Company, divulgado na segunda-feira.

Mas um projeto na África do Sul focou-se numa etapa anterior do processo: através de ferramentas de análise de dados usadas na área de marketing, uma empresa mapeou as redes de caçadores de rinocerontes e descobriu que as armas que estes usavam vinham de um fornecedor em particular na Europa.

“Os dados realmente contam uma história assim que se começa a unir tudo”, referiu Anni Toner-Russell, diretora administrativa da Data Shack, a empresa de ciência de dados sediada na África do Sul que trabalhou com o Conselho de Parques Nacionais do país para analisar a crise na caça ilegal de rinocerontes.

A caça furtiva aumentou na África do Sul na última década, com grande parte a acontecer no Parque Nacional Kruger. Em 2007, foram mortos 13 animais. Um ano depois, esse numero tinha passado a 83. Já em 2010, morreram 333 animais e, em 2014, foram 1.215.

A empresa Data Shack já havia trabalhado com a indústria de mineração para estudar o comércio ilícito de diamantes e, à medida que a equipa aprendeu sobre os sindicatos do crime, percebeu que algumas das mesmas técnicas poderiam ser úteis para lidar com o problema da caça furtiva.

A partir do final de 2014, a empresa coletou dados de várias fontes – números de série de armas encontradas nos parques, dados da polícia, dados de inteligência, publicações nas redes sociais que mostram relações entre pessoas – e usou ferramentas da Tibco (uma empresa de software de análise de dados) para estudar essas ligações.

Desde que o trabalho começou, o número de rinocerontes mortos começou lenta, mas firmemente, a cair, indica o artigo do Fast Company.

(PPD/C0) Free-Photos / Pixabay

“Podemos conetar os pontos e tentar entender como essas redes de pessoas são criadas e tentar descobrir padrões… e como essas transações basicamente acontecem”, afirmou Anni Toner-Russell. “Isso levou-nos a derrubar os números da caça furtiva”.

Muitas vezes, acrescentou, as organizações que trabalham na resolução do problema não têm acesso a dados de outras fontes, nem a ferramentas de análise de dados para procurar conexões que, de outra forma, não seriam óbvias.

A Data Shack usou algoritmos analíticos de agrupamento e segmentação – ferramentas que podem detetar padrões em pessoas e comportamento. Na área de marketing, as ferramentas são usadas para estudar os consumidores.

“As pessoas conhecem muito bem a aplicação de algumas dessas técnicas – agrupando clientes e entendendo o que vender em seguida”, referiu a diretora administrativa da empresa. “Mas é preciso pensar fora da caixa para verificar, com o que aprendi da indústria, como posso aplicá-la ao uso de dados para um bem maior”.

Enquanto a empresa analisava os dados de caça furtiva, era possível rastrear onde os caçadores furtivos estavam a comprar as armas, tendo-se descoberto que estas e eram sub-notificadas quando importadas.

Nos primeiros seis meses, o projeto começou a levar a detenções e ao fecho de cadeias ilegais de armas. A equipa descobriu que um única fonte na Europa era o principal fornecedor, emitindo um relatório final no início de 2018. O governo pôde começar a apertar os regulamentos de importação no final desse mesmo ano, o que ajuda a combater a caça furtiva.

“O que foi feito é um controle muito mais rigoroso nas regulamentações de importação e mais verificações nas transações”, explicou Anni Toner-Russell. “Acho que o ênfase anterior era tentar seguir os caçadores ilegais em parques nacionais, ao invés de olhar realmente de onde vêm os meios, quem está a pagar, onde estão a conseguir as armas”, frisou.

“Nós olhamos para isso de um ponto de vista diferente. Caso se bloqueiem as cadeias de suprimentos, isso começará a bloquear os episódios” de caça furtiva, disse ainda.

Fonte: Zap.aeiou

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