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RJ: Projeto da UFF opera cães de focinho curto com preço até 80% menor

Cirurgia sai por R$ 500, bem abaixo do cobrado em clínicas particulares. Projeto Narizinho foi criado para reduzir número de mortes de cachorros.

Por Nicolás Satriano

RJ projeto uff focinho curto

Fica difícil ignorar tanta fofura quando se trata de algumas raças de cães de focinho curto como pug, shih-tzu, boxer, bulldog frânces ou inglês, entre outras. Com razão, algumas delas viraram xodós dos fluminenses. Mas, uma das característica mais marcantes, o “nariz” pequeno traz problemas aos peludos. Muitos sofrem com a chamada Síndrome Braquiocefálica; alterações na anatomia dos bichos que acabam dificultando a respiração.

A saída é a mesa de cirurgia. O Projeto Narizinho, da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, Região Metropolitana do Rio, faz a operação com valor até 80% abaixo do que é feito em clínicas particulares.

“O preço é quase simbólico. Não cobramos a cirurgia, e sim o exames. O propretário entra em contato com a gente e agendamos uma consulta. O procedimento se chama rinoplastia, e consiste na abertura da narina dos cães. A operação sai em torno de R$ 500”, conta um dos coordenadores do projeto, o veterinário Aguinaldo Mendes Júnior, de 25 anos. De acordo com ele, em outros lugares, como clínicas particulares, o preço da operação chega a R$ 2 mil, ou R$ 2,5 mil.

Desde que teve início, há quatro anos, aproximadamente 50 cachorros já passaram pela intervenção cirúrgica no hospital veterinário da universidade e mudaram de vida. É o caso de Oto, um bulldog francês de um ano operado há um mês. Atualmente, para desespero do dona e empresária Lilian dos Santos, 51, o recém-operado Oto virou o “terror” da casa.

“Estou quase pedindo para que ele volte a ser o que era antes! Está impossível! E olha que ele tirou os pontos neste domingo (24). A personalidade dele mudou totalmente. Ele costumava andar pouco e parava sempre. Tinha até que ficar no colo para subir escada. E na hora de dormir roncava muito, parecia um dragão! Eu ficava assustada porque parecia que ele parava de respirar”, conta Lilian.

Mas ela está feliz com a nova hiperatividade do bichinho de estimação. Como ela diz, o amor por Oto foi à primeira vista. Lilian saiu de casa à noite para ir à farmácia e, ao lado, tinha um petshop, onde comprou o cão. “Saí de casa para comprar remédio e me apaixonei”, revela. Além da letargia e roncos na hora de dormir, os problemas da síndrome em Oto faziam com que ele engasgasse na hora de comer e beber.

Lilian achava que a qualquer momento Oto poderia morrer. E alguns cães, de fato, morrem. Segundo a idealizadora do Projeto Narizinho e professora da UFF, Ana Soares, um dos motivos para a iniciativa  foi o aumento do número de casos de cães que morreram no Rio devido à síndrome.

“Queríamos chamar atenção para número de mortes desses animais no Rio de Janeiro, que são vítimas principalmente do calor. E mesmo que o cão não morra, a qualidade de vida dele é baixa. Por exemplo, ele só pode sair para passear em locais específicos e em horários prédefinidos. E isso é péssimo.”

O veterinário Aguinaldo trabalha junto com a professora Ana no projeto e explica os ganhos que os bichos têm a partir da cirurgia. “Vemos um ganho muito grande na qualidade de vida desses animais. Agora eles brincam e conseguem respirar. Com as alterações no trato respiratório [característicos da síndrome], o animal ronca muito, engasga, tem dificuldade de comer. Tudo isso melhora com a cirurgia.”

O perigo também está no acúmulo de calor no corpo, que pode levar o cachorro à morte, ensina Aguinaldo. “Cachorros, na verdade, não suam, como os humanos. É pela respiração que eles dissipam o calor. A cirurgia diminui os riscos dessa intermação [aumento da temperatura corporal]”, diz.

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Os sintomas descritos pelo veterinário se encaixam no quadro de saúde de Sushi, outro Bulldog Francês e completa quatro anos em abril. A tutora, Renata Freitas, também é veterinária, mas quando soube que o bichinho era o paciente ideal para a rinoplastia, disse preferia estar em qualquer outro curso.

“Sempre bate aquela apreensão com a cirurgia, né? Inscrevi o Sushi porque, se melhorasse a qualidade de vida dele, já seria ótimo. Percebi que ele seria um bom candidato. Ele fez ecocardiograma, radiografia. A cirurgia é super simples. Ele só vem com um pontinhos no nariz, bem fininhos. Só não gostou de ficar com o colar elisabetano [aquele cone que os cachorros odeiam]”, contou Renata.

Fila de espera

A fila para operar o seu pet é longa, mas os veterinários prometem avaliar caso a caso. Para entrar em contato, basta ligar para o número (21) 98025-6745. A agenda para as cirurgias já está cheia até março, mas os exames ainda estão sendo marcados.

Fonte: G1 

Nota do Olhar Animal: Este é apenas um dos danos causados por quem cria e por quem dá preferência a animais “de raça”. A lista de problemas congênitos causados pela especialização dos animais é enorme. Leia mais a respeito clicando aqui

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