Sancha era uma cadela esquecida. Foi salva com o fémur partido e quer conhecer o amor

Sancha era uma cadela esquecida. Foi salva com o fémur partido e quer conhecer o amor
Após a cirurgia.

Há filhotes que têm a sorte de nascerem sob um teto e outros que são deixados para trás. Aqueles que não têm um lar quentinho para chamar de seu, aprendem desde cedo como sobreviver aos perigos da rua. Aqueles que o conseguem, acabam por carregam traumas para a vida toda. Outros, também por sorte, têm uma segunda oportunidade. A cadela Sancha é um deles.

A cria foi salva a 22 de janeiro pelo Movimento de Intervenção pelas Matilhas, em Coimbra. Com cerca de três meses, tinha sarna e o fémur partido. “Ela é filha de cães de matilha, não foi abandonada”, começa por contar à PiT Sofia Magalhães, diretora do Movimento. “Já nasceu ali naquela zona, mas nós nem sempre damos logo com os bebés porque escondem-se em tocas na mata”.

Depois de ser acolhida, Sancha foi submetida a uma cirurgia para salvar a patinha e foi um sucesso. “Ela deve ter caído num buraco ou ter sido atingida por um carro. Mas é tão pequenina que se levasse uma pancada, não sei”, explica, acrescentando que, em princípio, as veterinárias não conseguiram saber, ao certo, a idade da filhote.

“Ela aparentava ter dois ou três meses, mas estava bastante subnutrida”, diz. “O que achamos, até pelo tempo que andávamos a ver as cadelas daquela zona, é que deve estar perto dos quatro. Mas como estava subnutrida, parecia ser mais pequenina”.

Sancha está agora na Clínica AnimalStaff a cumpir o pós-operatório de um mês. E tudo indica que já encontrou uma família — uma senhora apaixonou-se pela pequenota e a tem visitado com frequência. Contudo, ainda não é oficial. A principal preocupação da associação atualmente é terminar de pagar as despesas da filhote que rondam os 550€, sem contar as vacinas e o microchip.

Para ajudar nos cuidados da cadela, pode enviar donativos monetários através do MbWay (+351 910 003 954) ou IBAN (PT50 0045 3030 4037 6153 5701 9).

É apenas uma entre mais de 10 filhotes salvos de uma só vez

Entre novembro e dezembro, o Movimento de Intervenção pelas Matilhas conseguiu resgatar 11 crias nascidos na mesma altura. “Não vimos durante muito tempo mais nenhum e achávamos que tínhamos resgatado todos”, conta-nos Sofia. “Mas no início de janeiro, vimos três cachorrinhos bastantes debilitados numa das áreas onde colocamos alimentos com uma cadela adulta da matilha. Percebemos que ainda havia aqueles três”.

Entre eles, estava a pequena Sancha. Todos os dias, a voluntária de 40 anos foi até a mata para ver se conseguia encontrá-los. Contudo, com as fortes chuvas de janeiro não foi fácil. “Quando os voltei a ver, passado 15 dias, já não havia três, só tinha a Sancha”, recorda, acrescentando que na altura a pequena ainda não tinha a pata partida. “Desde aí, andei a acompanhar, a tentar cativar e dar a medicação mesmo ela não se deixando tocar”.

Sofia refere que a medicação era colocada no patê e com o tempo, tentou tratar o problema da sarna. Numa segunda-feira, três dias depois de a ter visto pela última vez, a diretora voltou ao local com uma armadilha. Naquela manhã, percebeu que o problema não era apenas as feridas no corpo — já tinha a “patinha pendurada” e não conseguia andar.

Por causa da dificuldade em mover-se, Sancha foi facilmente apanhada por Sofia e outras duas voluntária, Maria e Elisa, sem a necessidade de uma armadilha. “Estava deitada no chão entre os escombros de uma casa abandonada e não conseguiu fugir de nós”, recorda. Desde aí, a história de recuperação teve o seu início.

Os cães de matilhas são muitas vezes poucos sociáveis e estão habituados a viver em matas periféricas à cidade, longe dos humanos. No entanto, quando filhotes, são mais fáceis de serem resgatados e encaminhados para adoção. E a verdade é que “há muitas ninhadas”. “Estamos sempre a ter despesas, porque os animais que resgatamos normalmente salvamos, pois são bebés e precisam de cuidados ou porque tem algum problema de saúde”, sublinha. Um dos “manos” de Sancha foi encontro morto recentemente.

Um dos objetivos da associação é conseguir mudar a legislação e também tornar obrigatório o programa CED (Capturar-Esterilizar-Devolver) em cães. É através destes que os voluntários pretendem acabar com as populações descontroladas de canídeos de rua e conseguir salvar a vida de mais animais.

A seguir, carregue na galeria para conhecer a pequena Sancha e alguns dos filhotes resgatados recentemente.

Por Izabelli Pincelli

Fonte: Pit / mantida a grafia lusitana original

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